Percussionista pernambucano Naná Vasconcelos morre no Recife

Mesmo doente, músico continuava compondo com o maestro Gil Jardim para o seu novo CD “Um Budista Afro Budista”

Nicolas Pedrozo Salazar/Divulgação/ND

Instrumentista se apresentou em Rio Negrinho durante o Psicodália, em fevereiro deste ano

Os tambores silenciaram nesta manhã. Partiu, às 7h39 desta quarta-feira o percussionista pernambucano Juvenal de Holanda Vasconcelos, o Naná Vasconcelos. Aos 71 anos vítima de câncer de pulmão, o músico teve uma parada respiratória e não resistiu.Naná lutava contra o câncer desde o ano passado, quando foi diagnosticado com a doença e passou mal, após um show em Salvador no dia 28 de fevereiro.

De acordo com a mulher e produtora do instrumentista, Patrícia Vasconcelos, Naná fez o show sentado e se recusou a ir direto ao hospital. Segundo ela, ele pediu para ir para casa no Recife e só depois foi encaminhado ao hospital da Unimed onde morreu.

“Quando chegamos lá, os médicos fizeram os exames e vimos que a doença tinha avançado. Ele ficou na UTI, mas depois que os médicos disseram que não podiam fazer mais nada, nós resolvemos levá-lo para um quarto, onde ele podia ver o sol, o jardim. Ele merecia um final mais humanizado”, explica.

Naná deixará saudades, pois durante 15 anos, abriu o Carnaval no Marco Zero em Recife e ele se orgulhava de ser o único que conseguia unir os 12 Maracatus, centenas de batuqueiros e o coral Voz Nagô.

Em janeiro deste ano em uma entrevista ao ND, o músico contou da sua empolgação que estava para subir em um palco catarinense. Na ocasião o músico se preparava para se apresentar pela primeira vez ao público do Psicodália, em Rio Negrinho. “Eu procuro contar histórias sem palavras. O que eu faço são coisas que só eu faço. E o bom que quando eu termino uma apresentação, a música sempre permanece”, disse Naná.

E realmente a música permanecerá. Patrícia conta, que mesmo internado, Naná continuava compondo para o seu novo CD “Um Budista Afro Budista”. “Ele recebia o maestro Gil Jardim no quarto e ficavam compondo, ele estava consciente o tempo todo. Eu dava suplemento para ele e ele batucava na garrafinha ou na cama. Foi incrível”, destaca.

Naná deixou duas filhas, uma delas Luz Morena, do casamento com Patricia. No dia de sua internação, o casal comemorava 17 anos de casados. Patrícia mesmo abalada com a perda diz que nada vai apagar a história do instrumentista e o quanto ele contribuiu para a música brasileira e mundial. “Está sendo muito difícil para nós esse processo, mas ele sempre teve tanta coisa a nos oferecer. E era um visionário, sempre esteve à frente de tudo”, conclui.

Reconhecimento internacional

Divulgação/ND

Naná Vasconcelos é reconhecido dentro e fora do país e recebeu o prêmio de melhor percussionista do mundo oito vezes

Com mais de 30 discos gravados, Naná era único nas suas composições.Em suas músicas um cenário brasileiro através da música instrumental. Principalmente do seu companheiro berimbau e dos demais instrumentos confeccionados por ele.

No Brasil, Naná já dividiu trabalhos com Marisa Monte, Elza Soares, Caetano Veloso, Milton Nascimento e passeou pela música erudita de Villa-Lobos, até o rock de Jimi Hendrix.

Mas o talento do instrumentista não ficou restrito aos brasileiros, Naná teve passagem marcante por Paris, Nova York, Suíça, entre outros países. E gravou com B. B King, Talking Heads e saiu em turnê com o guitarrista Pat Metheny. Naná foi escolhido oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana “Down Beat” e levou outras oito vezes o Grammy. Em 2013 o instrumentista compôs a trilha sonora da animação “O Menino e o Mundo”, que concorreu ao Oscar deste ano.

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