Psicodália leva 6.000 pessoas para fazenda em Rio Negrinho

Festival atrai frequentadores que dispensam o agito do Carnaval nos centros urbanos

Marcela Macedo/Divulgação/ND

Descontração e alegria marcam o evento, que vai até quarta

 

Léo Telles
Especial para o ND 

Se engana quem pensa que Carnaval só funciona em bloco, com marchinhas e ruas fechadas para a celebração alcoóli­ca costumeira. No festival multicultural Psicodália, radicado em Rio Negrinho, Norte do Estado, a realidade é outra. En­tre shows, cinema, teatro, oficinas e uma experiência única de vivência comunitá­ria no interior, o evento serve como per­feito refúgio para quem busca uma al­ternativa às tradicionais festividades de rua. São milhares de pessoas, de todos os cantos do Brasil, que se divertem ao ver o contrafluxo nas estradas lotadas para destinos badalados como Florianópolis, Laguna e Navegantes.

Entre os dias 5 e 10 de fevereiro, cen­tenas de barracas servem de moradia temporária na Fazenda Evaristo, divi­dida em campings temáticos, nomea­dos sugestivamente – Mutantes, Secos e Molhados, Casa das Máquinas, Tutti Frutti e Terreno Baldio. A diversidade reina entre os viventes: crianças, jovens, adultos, senhores e senhoras, das mais variadas idades, aproveitam as férias da normalidade pintando o rosto, sujando os pés, se equilibrando em slacklines, dançando com ou sem música, baten­do uma bola improvisada, sempre tão à vontade quanto possível. A conexão com a natureza é tanta que quase não se veem smartphones, mas em todos os lados é possível enxergar pés no chão e sorrisos sinceros.

Contando todas as áreas, a edição de 2016 traz mais de 200 atrações, indo muito além da programação musical. No festival, músicos do mais alto escalão – como John Kay, Naná Vasconcelos e Elza Soares – dividem palco com bandas que ganharam destaque nos últimos anos, como O Terno, Skrotes, Mar de Marte e A Banda Mais Bonita da Cidade. Grupos icônicos como Replicantes, Nação Zum­bi, Cidadão Instigado e Terreno Baldio garantem ainda mais peso ao evento, seguindo a fama de shows grandiosos que o Psicodália realizou ao longo de sua trajetória.

São 43 bandas, divididas em dois palcos oficiais – Palco do Sol, que na madrugada vira Palco dos Guerreiros, e Palco Lunar, onde os headliners dão a tônica da noite. Há ainda um palco livre, que além de ficar aberto para apresenta­ções espontâneas, conta com shows de bandas convidadas. A música não para nunca – quando não nos palcos oficiais, em espaços improvisados nos acampa­mentos, em arranjos mutantes pela fa­zenda ou na sensacional Rádio Kombi, com frequência própria e programação respeitável, que funciona como uma rá­dio especial, exclusiva para os membros da comunidade temporária.

Clima garantiu astral da festa

A chuva, maior preocupação de quem acompanhou intensamente a previsão do tempo durante a semana, foi tímida e deu lugar a dias bonitos, com temperatura amena, para a alegria de todos em Rio Negrinho. “Da Lama ao Caos”, música da Nação Zumbi que virou hino em outras edições devido ao estado cremoso do chão, até agora só foi lembrada durante o show da banda – que nem por isso foi menos recheado de conexão, dança e letras cantadas a plenos pulmões pelo público. A lenda recifense do manguebeat, aliás, arrastou fãs desde a passagem de som, quando começava a ser preparada a grande catarse coletiva da noite.

O festival vai até a quarta-feira de cinzas, quando cada um dos 6.000 viventes encara um saudoso regresso ao seu lar, seu cotidiano, levando consigo a memória de dias incríveis. Até lá, há muito a ser explorado em cada um dos palcos, acampamentos, bares, ruas, lojas e no mítico Saloon, além do infinito que cabe na sintonia única que o festival proporciona.

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