13º salário deve ser utilizado para pagar dívidas, sugere especialista

Roberto Navarro também orienta para que o dinheiro não seja gasto de uma forma impensada, pois pode desenvolver “um consumo desenfreado na sociedade”.

A pandemia deixou todo mundo mais atento com a questão do dinheiro e da economia que se faz, ou não, com o que recebe. Na edição de terça-feira (24) do SC no Ar, a jornalista Márcia Dutra entrevistou o educador financeiro Roberto Navarro que deu dicas de como guardar dinheiro, especialmente o 13º salário. Ele ensina que a primeira coisa a se fazer com esse extra é pagar dívidas e se livrar desse problema financeiro que assombra muita gente.

“Chegando o 13º terceiro e a primeira dica é pagar dívidas. Dívida acaba com a paz da gente. Não consigo ter paz enquanto estou endividado, então tenho que pagar minhas dívidas”, afirma. Para pagar essas dívidas há uma regra, explica o educador financeiro, primeiro tem que quitar o débito com a maior taxa de juros. “Eu não tenho que pagar pelo maior valor, tenho que ver qual a que tem maior taxa porque é essa que vai comer toda a minha verba”, diz.

Após ter liquidado os temidos débitos cheios de juros, quem quer ter uma boa relação com o dinheiro e aproveitar o 13º salário deve fazer algum investimento. “Você pega esse dinheiro e faz uma reserva emergencial, uma reserva de oportunidade, se prepara para o futuro”, ensina Navarro. Ele ressalta que mesmo a poupança “que não é um bom negócio” é melhor do que ter dívidas. “A falta do conhecimento de saber investir em ações não pode te paralisar, começa pequenininho, vai aprendendo e você vai crescendo na linha do tempo”, sugere.

Dinheiro deve ser controlado e não controlar a pessoa, diz Roberto Navarro, educador financeiro – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/NDDinheiro deve ser controlado e não controlar a pessoa, diz Roberto Navarro, educador financeiro – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

O especialista também orienta para que o dinheiro não seja gasto de uma forma impensada, pois pode desenvolver “um consumo desenfreado na sociedade”.  Para o educador financeiro, o relacionamento das pessoas com o dinheiro deveria ser ensinado nas escolas pois ele é importante para uma vida equilibrada.

“No dia a dia vamos lidando com aquilo (dinheiro) que entra e aquilo que sai. A maioria das pessoas não tem um planejamento claro, específico e isso acaba custando muito caro. As pessoas perdem saúde e qualidade de vida por não ter um bom relacionamento com o dinheiro”, aponta Roberto Navarro.

Esse relacionamento conturbado, continua Navarro, resulta em situações indesejáveis. “Muito dinheiro não vai mudar a tua vida, ele vai impactar aquilo que você já é. Se você é uma pessoa devedora, com mais dinheiro você vai dever mais. Porque o problema não está em ganhar pouco, está em saber administrar o dinheiro. A verdade é que toda a educação financeira é dentro de nós”.

Dê nome ao dinheiro

Para começar agora a economizar e ter um bom relacionamento com o dinheiro, Roberto Navarro sugere que o dinheiro receba nome. Ao especificar o destino de cada cifra, é possível visualizar e entender os gastos e os possíveis investimentos. “Eu tenho que dar nome ao dinheiro. Esse é para a prestação da casa, esse é para a farmácia, para a escola das crianças. Cada dinheiro é um propósito. Muitas vezes as pessoas gastam o dinheiro do supermercado em baladas e isso traz grandes complicações financeiras”, ensina.

Planejamento dá lucro

Roberto indica a elaboração de uma planilha de gastos que pode ser feita no papel, sem muita sofisticação. O importante é definir metas e a primeira é “se pagar”. “A prioridade é você se pagar em primeiro lugar. É você pegar o primeiro dinheiro e pagar para você, colocar numa reserva emergencial para não passar problemas no futuro”, afirma.

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