Guilherme Fiuza

Jornalista e escritor que iniciou a carreira em 1987, no "Jornal do Brasil". Entre outras redações, trabalhou também em "O Globo", do qual é hoje articulista. Escreve também sobre política para a revista "Época" e para a "Gazeta do Povo".


A forma mais segura de se analisar um governo é avaliar a equipe e os resultados

Tanto Ilan Goldfajn quanto Roberto Campos Neto, que já presidiram o Banco Central do Brasil, são representantes inquestionáveis de boas equipes

A escolha de Roberto Campos Neto como “Central Banker of the Year” é uma notícia na contramão. O prêmio outorgado pelo grupo “Financial Times” e respeitado pela comunidade financeira internacional destacou a política brasileira de crédito durante a pandemia.

Campos Neto foi eleito o presidente de um banco central do Ano em 2020 – Foto: Enildo Amaral/Banco Central/DivulgaçãoCampos Neto foi eleito o presidente de um banco central do Ano em 2020 – Foto: Enildo Amaral/Banco Central/Divulgação

Campos Neto foi considerado o melhor presidente de banco central em 2020 (Global / Américas) não só pela gestão monetária, como pela resposta às demandas específicas geradas pela crise sanitária. É uma notícia na contramão porque o governo brasileiro é tratado por boa parte da imprensa, no contexto da pandemia, como réu.

O texto da revista britânica “The Banker”, que publica o prêmio, destaca a resposta do Banco Central brasileiro aos desafios inesperados trazidos pela onda do coronavírus:

“A autoridade monetária respondeu à crise adotando medidas sem precedentes e efetivas para garantir que a liquidez não desaparecesse do sistema financeiro, e adotou ações específicas para que empresas, especialmente as de pequeno porte, pudessem continuar a operar”.

Certamente este é um reconhecimento que se estende a toda a equipe econômica e sua ação coordenada com o Banco Central, dada a multiplicidade de instrumentos de socorro colocados em operação – o que significou, como destaca a revista, uma melhora expressiva nas projeções de retração da economia brasileira inicialmente apontadas pelo FMI.

Estimativas que já foram de 9,1% de queda do PIB foram revistas pelo Fundo Monetário para 5,8% de queda – sendo que existem análises com prognóstico em torno de 4,5% de recuo.

Uma situação interessante a observar é que dois anos atrás outro brasileiro venceu o “Central Banker of the Year”. Ilan Golfajn foi presidente do Banco Central no governo Michel Temer – período também bastante conturbado da política brasileira.

Para boa parte da imprensa – mais ou menos a mesma de agora – o governo Temer era o Mal, a guinada reacionária, a desgraça das cartilhas politicamente corretas. Mas a realidade não tem compromisso com panfletos.

O período de Temer iniciou uma agenda liberal de reconstrução do país – e essa agenda não era exatamente de Temer, muito menos dos fisiológicos do MDB: era a agenda dos brasileiros que trabalham e não querem ser reféns de populistas açucarados.

Ou seja: a forma mais segura de se analisar um governo é avaliar a equipe montada e os resultados dela. Tanto Ilan Goldfajn quanto Roberto Campos Neto são representantes inquestionáveis de boas equipes e seus resultados estão aí, com reconhecimento internacional.

Só com gente dessa categoria o Brasil pode superar o desastre administrativo da década 2005-2015. O resto é conversa de bar.