Como o catarinense está enfrentando o fantasma da inflação?

Com a diminuição do poder de compra, a população está comprando menos e pagando mais em produtos e serviços. Inflação cresceu quase 10% nos últimos 12 meses no Brasil

A economia de Santa Catarina vem crescendo e gerando empregos. O PIB (Produto Interno Bruto) é o sexto maior do país: cresceu 9,1% de julho de 2020 a junho de 2021. A taxa de desemprego é a menor do Brasil: 5,8%. Mas é só ir num supermercado para constatar que a vida não está tão fácil como refletem os números.

Florianópolis possui uma das cestas básicas mais caras do país e os alimentos acumulam altas mensais nos preços. – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom/Divulgação/NDFlorianópolis possui uma das cestas básicas mais caras do país e os alimentos acumulam altas mensais nos preços. – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom/Divulgação/ND

Reclamações sobre o preço das carnes, das frutas e legumes e até de almoçar fora de casa são recorrentes. É o efeito da inflação, um fenômeno que acontece sempre que existe mais demanda do que produtos para entregar.

Vamos supor que 10 pessoas querem comprar uma geladeira, mas a indústria só está conseguindo fabricar oito por falta de peças que são importadas, por exemplo. Significa que duas pessoas não vão poder comprar. Essa escassez do produto, causada muitas vezes por fatores externos, provoca o aumento no preço, gerando, assim, a inflação.

A inflação diminui o poder de compra da moeda nacional, levando ao aumento do preço de produtos e serviços. – Foto: Arte/NDA inflação diminui o poder de compra da moeda nacional, levando ao aumento do preço de produtos e serviços. – Foto: Arte/ND

O mercado financeiro elevou de novo a projeção da inflação para este ano, de 8% para 8,45%, de acordo com o último boletim Focus do Banco Central.

O principal termômetro dessa alta da inflação são os alimentos. “O valor da cesta básica é um indicador importante do custo de vida das pessoas”, aponta o economista do Dieese, José Álvaro Cardoso.

Em agosto, Florianópolis teve a segunda cesta básica mais cara do Brasil pelo segundo mês consecutivo, custando R$ 659. Uma variação de 24,24% nos últimos 12 meses. A carne, por exemplo, tem sido um dos produtos mais caros e que as pessoas mais reclamam.

O gerente executivo do Sindicarne/SC, Jorge Luiz de Lima, explica que existe toda uma cadeia produtiva nesse meio que foi afetada pela crise, “desde a saída da fábrica ao valor do frete, pela alta dos combustíveis. No setor de aves e suínos, nós tivemos 34% a mais no custo de produção”, afirma.

Com o aumento do valor da carne, o consumo do produto caiu no país inteiro. – Foto: Cristiano Estrela/Secom/Divulgação/NDCom o aumento do valor da carne, o consumo do produto caiu no país inteiro. – Foto: Cristiano Estrela/Secom/Divulgação/ND

Mas, então, o que pode ser feito na prática para diminuir a inflação? Uma das saídas é aumentar a taxa de juros para controlar o consumo. É a famosa Taxa Selic. O Conselho Monetário Nacional já planeja subir os juros, que hoje estão em 6,25% para 8,25% até o fim do ano.

A outra saída, que os próprios empresários podem fazer, é aperfeiçoar cada vez mais a produção, com mais tecnologia, para atender os clientes que não conseguem comprar os produtos que estão mais caros.

Modernizar linha de produção ajuda a reduzir custos

Em Brusque, a diretoria da fábrica de toalhas Atlântica decidiu aposentar as máquinas de tear mais antigas e comprar outros modelos mais rápidos, que produzem mais toalhas em menos tempo.

Isso aumentou a competitividade até para enfrentar a concorrência com os produtos importados da China. “Com mais investimento em tecnologia, nosso faturamento no mês de agosto foi o maior de toda a história da empresa”, diz a diretora da fábrica, Susymeri Oligari.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Economia Brasileira

Loading...