Congresso diz que não pode pagar auxílio sem cortar gastos

Presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira disse ser necessário realizar um "ajuste fino" no pagamento do benefício

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), defendeu, nesta terça-feira (23), que o Congresso não pode pagar novas parcelas do auxílio emergencial sem cortar gastos.

O benefício foi criado no ano passado em razão da crise econômica causada pela pandemia da Covid-19. Os depósitos, no entanto, se encerraram em dezembro.

Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira – Foto: Luis Macedo/Câmara dos DeputadosPresidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira – Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

“O Congresso não deve, no meu ponto de vista, fazer nada de querer tentar ferir o teto, por uma causa mais do que justificável como é o auxílio, sem dar nenhum corte de despesa”, disse, em live promovida pelo Valor Econômico.

O governo federal ainda não decidiu sobre o valor do novo auxílio emergencial, mas fala-se em algo em torno de R$ 250. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, no último dia 11, que o benefício poderá durar mais quatros meses.

Lira indicou que quatro meses seria um período “perfeito”.

Ajuste fino

“A gente tem que afinar o discurso por quem paga a conta, né. Nós todos sabemos que ele é necessário agora”, disse.

“Só não pode fazer o blefe e o pagamento do blefe como aconteceu com o auxílio de R$ 600, que foram importantíssimos para a economia do Brasil. Temos agora que ser responsáveis, fazer um ajuste fino, e dar uma perspectiva de inclusão social”, assinalou.

Bolsa Família

O deputado alagoano também comentou sobre a amplificação do programa Bolsa Família, discussão que tomou corpo com o fim do auxílio emergencial.

Ao longo do ano passado, parlamentares e integrantes da equipe econômica do governo federal chegaram a discutir o Renda Brasil (e, depois, o Renda Cidadã), que viria a substituir o Bolsa Família.

Para Lira, o atual sistema do Bolsa Família “aprisiona” os beneficiários.

“Desde o ano passado que a gente defende um sistema inclusivo e permanente, em substituição ou em aprimoramento ao Bolsa Família. Em muitas situações no Brasil, o dinheiro é colocado e fica represado sem cumprir nenhuma função social”, disse.

“Então, um auxílio ou um programa inclusivo, onde a pessoa tem a oportunidade de sair dele, tentar arranjar um emprego formal, e voltar para ele se por acaso for demitido, é o modelo ideal”, afirmou.

“O sistema, hoje, de transferências de renda é um sistema que aprisiona o cidadão que recebe, porque ele não pode se aventurar a ter um emprego formal, senão não volta para o programa. E o cara não vai, ele não arrisca ganhar um salário mínimo para perder R$ 190 que pode ser a subsistência de alimento para a sua família”, prosseguiu.

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