Cooperativas saíram de 2% para 14% dos ativos do sistema financeiro brasileiro em 10 anos

Informação foi apresentada pelo economista Ricardo Amorim durante palestra na comemoração dos 28 anos da Unicred, em Florianópolis

A Unicred, uma das maiores cooperativas do Brasil, que começou com 30 mil dólares e hoje administra R$ 2,5 bilhões em ativos, celebrou 28 anos nesta terça-feira (26), em cerimônia no CentroSul de Florianópolis.

Comemoração dos 28 anos da Unicred foi no CentroSul, com apresentações musicais e palestra sobre economia, com Ricardo Amorim. – Foto: Leo Munhoz/NDComemoração dos 28 anos da Unicred foi no CentroSul, com apresentações musicais e palestra sobre economia, com Ricardo Amorim. – Foto: Leo Munhoz/ND

O evento teve apresentação de músicos da Camerata Florianópolis, do Coral da Unicred e palestra do economista Ricardo Amorim.

“Há 10 anos, as cooperativas representavam 2% do total de ativos do sistema financeiro brasileiro e hoje estão beirando 14%. Isso vai continuar, porque os bancos estrangeiros saíram do Brasil”, disse Ricardo Amorim.

O presidente da Unicred, Dr. Carlos Gilberto Crippa, destacou que, nos seus 28 anos, a cooperativa cresceu muito. Uma das maiores do país, foi criada em Florianópolis.

Carlos Gilberto Crippa preside a Unicred, uma das mais importantes cooperativas do BrasilO presidente Carlos Gilberto Crippa retomou a história da Unicred em discurso no evento. – Foto: Leo Munhoz/ND

“Começamos com 28 médicos e hoje somos 22 mil cooperados. Estamos no Paraná, com agências em Foz do Iguaçu e Medianeira. E, em 28 de outubro, inauguramos em São Paulo”, comentou Crippa.

Sobre os benefícios aos cooperados, Crippa disse que são os mesmos da rede bancária, com cartão de crédito, cheque especial e empréstimos. Mas o diferencial é o custo mais barato.

“Trabalhamos para o cooperado, que é o dono da cooperativa. Ele ganha de duas formas: custo mais barato nos produtos e, no final do exercício, as sobras não vão para acionistas, mas para o cooperado”, enfatiza o presidente, que está na Unicred desde 1995 e à frente da gestão há três anos.

No fim do mandato, destaca a expansão como seu principal legado e pensa em reeleição para intensificar o ProArte Unicred, com trabalhos sociais ligados à cultura.

Falando sobre o atual cenário econômico, Crippa disse que, sob o olhar do banco tradicional, os juros elevados trazem resultado melhor para o sistema, mas na Unicred, o foco é no cooperado.

“Quanto mais segura for a economia e forte a ação do governo para segurar inflação e juros, a cooperativa ganha. Uma economia sólida permite que você abra uma linha de crédito com mais segurança”, destacou Crippa.

Na visão dele, o país vive o rescaldo da pandemia. Apesar disso, é um otimista: “Tenho confiança no governo e nos resultados mostrados. Acho que esse desconforto que estamos vivendo e o receio de uma inflação alta e juros a perder de vista são momentâneos”, afirmou.

Luz no fim do túnel

Na abertura de sua palestra, o economista Ricardo Amorim parabenizou a Unicred pelos 28 anos: “Mais da metade das empresas abertas no Brasil não chegam ao primeiro ano. Vocês têm muitos motivos para comemorar”, disse.

Ricardo Amorim palestrou na festa dos 28 anos da Unicred, uma das mais importantes cooperativas do BrasilO economista Ricardo Amorim falou sobre o desempenho da economia brasileira e sobre cenários otimistas no setor produtivo. – Foto: Leo Munhoz/ND

A contribuição de Amorim focou no desempenho da economia brasileira no pós-pandemia, olhando para frente. “Podemos ter próximos meses bons, mas estão pintando algumas nuvens para 2022”, comentou.

Entre os exemplos, ele citou a eleição presidencial, que costuma gerar instabilidade. Amorim também falou sobre o crescimento do cooperativismo e das fintechs para o crédito no Brasil.

“A participação dos bancos está diminuindo. As fintechs e cooperativas estão ganhando importância e isso vai continuar”, defendeu. Segundo ele, a mudança ocorreu na última década e, embora os bancos tradicionais estejam perdendo espaço, não vão desaparecer.

Para o economista, o crédito será ainda mais importante na retomada econômica. “Não existe recuperação econômica sem expansão de crédito. Ele permite, no final das contas, a antecipação do consumo, fazendo a economia crescer no presente”, ressaltou o economista.

Sobre a luz no fim do túnel para a economia brasileira, Amorim acredita que será com trovoadas. “O que eu diria é: aproveitar os próximos meses, que serão bons, porque, talvez, o ano que vem não seja tão tranquilo assim”.

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