Nova gasolina: entenda mudanças que começam a valer a partir desta segunda

Objetivo é que a nova gasolina tenha menor consumo que a atual e dificulte tentativas de adulteração do produto

A partir desta segunda-feira (3) a gasolina automotiva produzida no Brasil precisará ser adequada às especificações da resolução publicada em janeiro pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Novas especificações vão aprimorar a qualidade da gasolina brasileira melhorando a autonomia dos veículos – Foto: Gabriel Lain/Arquivo/ND

O objetivo é que a nova gasolina tenha menor consumo que a atual e dificulte tentativas de adulteração do produto e que se aproxime do padrão de combustível comercializado na Europa e nos Estados Unidos. No entanto, ela deve chegar às bombas com um preço um pouco mais salgado.

Segundo a ANP, as novas especificações vão aprimorar a qualidade da gasolina brasileira proporcionando assim maior eficiência energética, além de melhorar a autonomia dos veículos por causa da diminuição de consumo. As especificações ainda viabilizam a introdução de tecnologias motores mais eficientes com menores níveis de consumo e emissões atmosféricas.

Até então não havia um padrão estabelecido para a densidade, ou massa específica, o que é fundamental para que o motor tenha bom funcionamento – quanto menor a densidade, maior o consumo.

Na Resolução nº 807/2020, a ANP estabeleceu um valor mínimo de massa específica, de 715,0 kg/m3, o que significa mais energia e menos consumo. Entretanto, as porcentagens de etanol anidro na gasolina vão permanecer os mesmos, sendo 27% na comum e aditivada, e 25% na premium.

A exigência da densidade mínima promete dificultar a adulteração da gasolina atráves de solventes, uma vez que a maioria dos produtos utilizados para adulterar o combustível tem densidade inferior.

Para o motorista estar seguro de que a exigência está sendo cumprida, é só mergulhar um densímetro calibrado entre 700 e 750 gramas por litro na gasolina. Se o valor indicado estiver abaixo de 715, é sinal de que o combustível foi adulterado. Todos os postos deverão disponibilizar o medidor para testar a densidade da gasolina, a pedido do consumidor.

A ANP determinou ainda a adoção de um valor mínimo para a temperatura de destilação em 50% (T50) para a gasolina A, de 77 ºC. Por meio de nota a agência explicou que “os parâmetros de destilação afetam questões como desempenho do motor, dirigibilidade e aquecimento do motor”.

O terceiro ponto da nova especificação é a fixação de limites para a octanagem RON (Research Octane Number) que já está presente em especificações da gasolina em outros países.

A ANP explicou que “A fixação de tal parâmetro mostra-se necessária devido às novas tecnologias de motores e resultará em uma gasolina com maior desempenho para o veículo”. No Brasil, a agência informou que a octanagem MON (Motor Octane Number) e o índice antidetonante (IAD), média entre MON e RON era especificada.

“O valor mínimo de octanagem RON, para a gasolina comum, será 92, a partir de 3 de agosto de 2020, e 93, a partir de 1º de janeiro de 2022. Já para a gasolina premium, será de 97, já a partir de 3 de agosto próximo”, disse a ANP.

Dessa forma, a mudança vai atender a requisitos atuais de consumo de combustível dos veículos e de níveis de emissões mais rigorosos ao consederar o cenário futuro das fases L-7 e L-8 do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve – Ibama) e do Programa Rota 2030 – Mobilidade e Logística (Governo Federal).

A resolução da ANP determina as obrigações quanto ao controle da qualidade a serem atendidas pelos agentes econômicos.

Prazo

Segundo informou a agência, o prazo visa permitir o escoamento de produtos comercializados ainda sem atender as características da nova gasolina. As distribuidoras terão dois meses para se adequar e as revendedoras, três meses.

A Petrobras, maior produtora de gasolina no Brasil, informou, no final de junho, que está preparada para o abastecimento do mercado já com as novas regras.

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