Petrobras lucra quatro vezes mais do que as petrolíferas, diz ministro de Minas e Energia

De acordo com o ministro, a estatal apresentou um lucro de 8,5 bilhões de dólares, no primeiro trimestre deste ano, enquanto a média dos lucros das empresas do setor foi de 2,1 bilhões de dólares

O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, criticou nesta terça-feira (21) o total dos lucros obtido pela Petrobras em comparação com as demais petrolíferas. De acordo com o agente público, a estatal apresentou um lucro de 8,5 bilhões de dólares, no primeiro trimestre deste ano, enquanto a média dos lucros das empresas do setor foi de 2,1 bilhões de dólares.

Segundo o ministro, os governos estão fazendo “sacrifícios” ao reduzir impostos, e a Petrobras – que tem o governo como seu maior acionista – deveria fazer o mesmo.

Ministro volta a defender privatização da empresa – Foto: Billy Boss/Agência Câmara de Notícias/Divulgação/NDMinistro volta a defender privatização da empresa – Foto: Billy Boss/Agência Câmara de Notícias/Divulgação/ND

A fala se deu em audiência pública na Câmara dos Deputados, com o ministro voltando a defender a privatização da empresa, afirmando que aumentaria a competição no setor.

No decorrer da audiência, Sachsida afirmou que as empresas em todo o mundo estão dando atenção aos aspectos sociais e ambientais de suas ações, e que isso deveria ser levado em conta pela Petrobras. Além disso, ele citou a pandemia e o cenário de guerra na Ucrânia, que afetaram os preços mundiais.

Lucros e dividendos

O ministro apresentou dados do primeiro trimestre deste ano que mostravam a Petrobras como responsável por 10% da produção mundial, mas com um lucro de 31%.

O ministro mostrou que, no primeiro trimestre deste ano, a Petrobras foi responsável por 10% da produção mundial e apresentou um lucro de 8,5 bilhões de dólares, enquanto a média dos lucros das empresas do setor foi de 2,1 bilhões de dólares. Em 2021, a empresa teria sido a segunda em distribuição de dividendos.

Mesmo criticando a estatal e de ter trocado o presidente duas vezes só este ano, o ministro afirma que o governo não tem como interferir na gestão dela. “Não é possível interferir nos preços dos combustíveis. Não está no controle do governo e, honestamente, preço é uma decisão da empresa, não do governo. Além disso, nós temos marcos legais que impedem intervenções do governo na administração de uma empresa, mesmo o governo sendo o acionista majoritário”, disse.

Redução do ICMS

O deputado Mauro Benevides Filho (PDT) disse que a redução de impostos estaduais vai trazer prejuízos para a saúde e a educação e que os preços dos combustíveis vão continuar subindo. Ele afirmou que, por informações que recebeu da Petrobras, haverá um novo reajuste de cerca de 10% no final de julho.

Benevides questionou Sachsida sobre o motivo de o governo ter reduzido a sua participação no conselho de administração da Petrobras de sete para seis cadeiras, mas o ministro disse que está verificando essa informação.

Já o deputado Vanderlei Macris (PSDB) sugeriu que o governo criasse um fundo com os dividendos que recebe para reduzir os preços dos combustíveis. Mas, segundo ele, o governo age como se fosse da oposição, criticando e até sugerindo CPI contra a empresa.

Para o deputado Marco Bertaiolli (PSD), o país precisa escolher se a Petrobras deve ser estatal ou privada. “Ora ela é estatal, quando interessa e mantém o seu monopólio. Ora ela é privada, quando interessa na sua distribuição de dividendos. Portanto, ela é uma companhia que tem um pé em cada canoa. Uma companhia que paga dividendos não merece monopólio”, afirmou.

Endividamento

Para o deputado Felipe Francischini (União), a política de preços da Petrobras, que segue os aumentos internacionais, foi importante para reduzir o endividamento da empresa, que é calculado em 160 bilhões de dólares em 2014.

Empresa registrava dívida de 160 bilhões de dólares em 2014  – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/NDEmpresa registrava dívida de 160 bilhões de dólares em 2014  – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/ND

Adolfo Sachsida afirmou que os preços seriam menores se o país tivesse concluído as refinarias que estavam programadas nos governos anteriores. Segundo ele, a capacidade de refino seria 51% maior que a atual.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que o PT saiu do poder há seis anos e desde então nada foi feito para ampliar o refino.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

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