Veja quais as profissões mais promissoras do mundo pós-Covid-19

Profissionais de tecnologia e logística devem ganhar mais oportunidades no mercado de trabalho pós-pandemia, aponta pesquisa feita pelo Senai

Profissionais de tecnologia e logística, como especialistas em impressão 3D, orientadores para trabalho remoto ou administradores de conectividade, devem ganhar mais oportunidade no mercado de trabalho do mundo pós-Covid-19.

Isso é o que aponta projeção feita pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que é especialista no acompanhamento do mercado de trabalho. O resultado da pesquisa foi publicado nesta segunda-feira (21).

Senai apontou 25 profissões “impactadas por tendências no mundo pós-Covid-19” – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

No total, o Senai apontou 25 profissões “impactadas por tendências no mundo pós-Covid-19”. Dessas, 13 foram consideradas como “novas ocupações” e 12 como “ocupações já existentes”, que devem ter a demanda aumentada nos próximos anos.

O diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, avalia que a pandemia do novo coronavírus intensificou o processo de atualização tecnológica, o que deve antecipar para 2021 o que iria acontecer apenas daqui a cinco ou 10 anos.

“O novo comportamento das pessoas e das empresas também vai exigir maior especialização de profissionais em algumas áreas, criando novas ocupações”, explica. A seguir, veja a lista com as profissões do futuro, segundo o Senai:

Novas ocupações no mundo pós-Covid-19

  • Analista de soluções de alta conectividade
  • Administrador de conectividade
  • Especialista em logística 4.0
  • Desenvolvedor de softwares para simulação de processos industriais
  • Especialista em realidade virtual e aumentada
  • Desenvolvedor de aulas para educação a distância e online
  • Orientador para trabalho remoto
  • Profissional com especialização em normas e legislações nacionais e internacionais
  • Especialista em gestão da informação
  • Especialista em análise de grandes volumes de informações (big data)
  • Especialista em internet das coisas (IoT)
  • Especialista em impressão 3D
  • Especialista em ciber segurança

Dessa maneira, a previsão do Senai é o surgimento de novos campos de atuação, especializado em ferramentas de informática e rotinas do teletrabalho, com a disseminação do home office ou da educação a distância, por exemplo.

A previsão também é que as empresas apostem mais em tecnologias da Indústria 4.0, como automação e digitalização, caso persista a necessidade do distanciamento social, e em internet das coisas (IoT), big data e inteligência artificial.

Esse cenário, segundo a projeção, deve abrir oportunidades para novos profissionais, como o analista em soluções de alta conectividade, o especialista em análise de grandes volumes de informações (big data) e o especialista em IoT.

Deve ampliar também oportunidades de empregos para ocupações existentes, como os técnicos em sistemas de transmissões e em mecatrônica, além de eletricistas. Veja, a seguir, outras 12 profissões, que já existem, mas que devem ganhar espaço:

Ocupações existentes que devem ganhar espaço após a pandemia

  • Técnico em telecomunicações
  • Técnico em sistemas de transmissões
  • Técnico em sistemas de comutação
  • Técnico em mecatrônica e automação industrial
  • Técnico em eletroeletrônica, eletrônica
  • Eletricistas
  • Técnico em logística
  • Controlador e programador de produção
  • Técnico desenvolvedor de sistemas
  • Programador multimídia
  • Técnico em jogos digitais
  • Técnico em redes de computadores

Curso técnico

Das 25 profissões analisadas, nenhuma delas exige necessariamente um diploma de nível superior – duas, como eletricistas e controladores e programadores de produção, inclusive, não exigem nem mesmo um curso técnico.

A gestora de recursos humanos Caroline Cabral Valente, da RHconecta+, avalia que a não necessidade de um diploma universitário para conquistar espaço no mercado de trabalho tem se tornado uma tendência e vai ganhar mais espaço ainda.

Ela cita como exemplo as empresas norte-americanas Google e Apple, que deixaram de exigir diplomas de ensino superior no processo de contratação, apesar de figurarem entre entre as 10 empresas mais valiosas do mundo.

“A Apple e o Google já baniram, há um tempo, o diploma do ensino superior como pré-requisito para entrar na empresa. A gente tem visto a valorização da competência. O ensino superior é uma linguagem mais acadêmica”, diz.

“É uma mudança, uma revolução. Agora, a empresa valoriza a experiência, o saber fazer, a flexibilidade, a qualidade do serviço. Analisa se o profissional é capaz de improvisar, de se adaptar. E no ensino técnico, se aprende muito isso”, completa.

Caroline explica também que a não necessidade de um curso universitário acaba por abrir espaço a pessoas com renda menores. “Primeiro, pelo custo do curso técnico, que acaba sendo menor do que o de uma faculdade”, afirma.

“Segundo, pelo tempo, pois o curso técnico dura um ou dois anos, no máximo, pois o objetivo é inserir a pessoa no mercado de trabalho”, aponta. Uma graduação, por sua vez, termina em até cinco anos, a depender da disciplina.
Como foi feita a pesquisa

As previsões são feitas com base no Modelo Senai de Prospectiva, que permite identificar quais serão as tecnologias usadas no ambiente de trabalho e as mudanças na estrutura organizacional das empresas em um horizonte de cinco a 15 anos.

O trabalho é feito a partir da aplicação de um painel com cerca de 20 especialistas – representantes de empresas e de universidades por setor estudado. Em seguida, as informações são enviadas aos Comitês Técnicos Setoriais.

“O objetivo é desenvolver competências que se destacarão no futuro devido ao processo de evolução tecnológica e organizacional nos diversos setores industriais brasileiros”, explica a entidade, vinculada à CNI (Confederação Nacional da Indústria).

“O método é utilizado para embasar as decisões do SENAI sobre a oferta de cursos e seus currículos e já foi transferido a instituições de mais de 20 países na América do Sul e no Caribe”, complementa.

Ainda segundo o Senai, a metodologia foi apontada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) como exemplo de experiência bem-sucedida na identificação da formação profissional alinhada às necessidades futuras das empresas.

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