Annita Hoepcke, presidente do Instituto Carl Hoepcke, morre em Florianópolis

Filha do ex-governador Aderbal Ramos da Silva, era empresária nos ramos da construção civil, administração de imóveis, hotelaria e consórcios

A fundadora e presidente do ICH (Instituto Carl Hoepcke), Annita Hoepcke da Silva, morreu nesta segunda-feira (22) no Hospital Baía Sul, em Florianópolis.

Filha do ex-governador Aderbal Ramos da Silva e de Ruth Hoepcke da Silva, ela era empresária nos ramos da construção civil, administração de imóveis, hotelaria e consórcios, e dedicou-se nos últimos anos, ao lado da irmã Sílvia Hoepcke da Silva, a comandar o ICH, uma instituição cultural que atua nos campos da pesquisa, museologia, arquivística e biblioteconomia. Viúva de Paulo Dick, deixa três filhos – Aderbal, Patrícia e Guilherme.

Annita era uma mulher encantadora, apoiadora de eventos culturais – Foto: NDMaisAnnita era uma mulher encantadora, apoiadora de eventos culturais – Foto: NDMais

Criado em 2004, o ICH destaca-se no estímulo a pesquisas sobre a colonização germânica no Estado, realiza exposições e eventos e atua como parceiro em atividades de cunho histórico.

No momento, entre outras ações, o Instituto participa do projeto de resgate e difusão do legado do naturalista e botânico Fritz Müller, que foi professor em Blumenau e Florianópolis, colaborador de Charles Darwin e cujo bicentenário de nascimento será comemorado em 2022.

O instituto também faz publicações oferece cursos de alemão online. Aberto ao público e a pesquisadores, o centro cultural Ruth Hoepcke da Silva (nome do prédio) fica na avenida Trompowsky, no Centro da cidade.

Em sua sede, o Instituto também administra um centro de documentação e memória com acervo composto por documentos, fotos, mapas, livros e objetos relacionados à história da família Hoepcke, que manteve, durante várias décadas, empresas com ramificações em outras regiões do Estado – como fábricas de pregos, arame farpado, gelo e rendas, estabelecimentos comerciais, um estaleiro e navios de carga e passageiros, operando a partir do extinto porto da Capital.

Os navios da Cia. Hoepcke fizeram parte da vida da cidade até a década de 1960. Era por meio deles que as famílias mais abastadas da Ilha iam para o Rio de Janeiro, capital da República e cidade que ditava regras na moda, na política e na cultura para o país.

O ICH homenageia o imigrante Carl Franz Albert Hoepcke, que nasceu em 1844 na pequena localidade de Striesa, no estado alemão de Brandemburgo, e veio para Santa Catarina em 1863, com a idade de 19 anos.

A família (ele viajou com os pais e irmãos) fixou-se inicialmente em Blumenau, mas mudou-se para a cidade do Desterro, antigo nome de Florianópolis, três anos depois. A neta de Carl, Ruth Hoepcke, se tornou primeira-dama quando o marido, Aderbal Ramos da Silva, foi eleito governador do Estado, em 1947. “Com ele (Carl), teve início a industrialização de Santa Catarina”, disse a bisneta Annita Hoepcke em entrevista do ND, em 2014.

As lojas de comércio, as fábricas e todas as unidades do conglomerado empresarial, que também incluía operações de importação de máquinas para o nascente parque fabril estadual, foram se diluindo após a morte do pioneiro, em 1924.

As gerações seguintes da família diversificaram os negócios, apostando em segmentos como a revenda de carros e a construção civil. “Muitos prédios ainda estão erguidos em terrenos que foram administrados pelo pioneiro”, afirmou a bisneta.

A fábrica de rendas e bordados, gerenciada por outra bisneta, Sílvia Hoepcke da Silva, é a única remanescente da fase pioneira dos negócios do grupo.

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