Aumento nos combustíveis já é realidade nos postos de Joinville

Estabelecimentos começaram a alterar preços do litro da gasolina e do diesel nas bombas nesta terça-feira (9), um dia após Petrobras anunciar reajuste

Com o anúncio da Petrobras na última segunda-feira (8) de reajuste
nos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha vendidos às refinarias, os motoristas de Joinville devem preparar o bolso na hora de abastecer o seu veículo.

Aumento dos combustíveis já é sentido nos postos de Joinville – Foto: Jean Balbinott/DivulgaçãoAumento dos combustíveis já é sentido nos postos de Joinville – Foto: Jean Balbinott/Divulgação

Segundo a Petrobras, a correção dos preços começou a valer a partir desta terça-feira (9). Nos postos de combustíveis da maior cidade do Estado, o aumento começou a ser repassado às bombas ainda na terça e deve continuar nos próximos dias.

Um dos postos que alterou o preço foi o da Rede Zandoná (bandeira Ipiranga), na Rua Ottokar Doerfel, no bairro Atiradores. No local, o litro da gasolina comum teve alta de R$ 0,12, passando de R$ 4,45 para R$ 4,57. Segundo um dos frentistas, o aumento tem gerado protestos dos consumidores. “O pessoal está reclamando bastante e com razão, né?”, comentou.

Quem também pode esperar um gasto maior com combustível são os motoristas com carro movido a diesel. O preço médio de venda deste produto passará a ser de R$ 2,24 por litro na refinaria, refletindo aumento
médio de R$ 0,13 por litro.

“No caso do diesel, o impacto acaba sendo maior porque além de interferir no IPCA diretamente, de forma indireta, ele afeta o nosso orçamento doméstico mais pesadamente. Afinal, todos os alimentos, produtos de higiene pessoal, limpeza, enfim, tudo o que consumimos, terá reflexos nos preços por conta do aumento do frete”, alerta a economista Anemarie Dalchau Muller.

Segundo ela, em um país onde 70% da economia é distribuída por meio rodoviário, qualquer aumento de preços afeta o bolso de todos.

“O impacto é para quem tem carro, classe média principalmente, bem como para quem trabalha com seu automóvel, seja para o transporte de pessoas, seja para quem trabalha com entregas. E, nestes casos, o repasse do aumento para os preços destes serviços é uma realidade”, complementa.

Dificuldades crescem para quem trabalha com transporte

Wiliam Tenório, presidente da Associação de Motoristas por Aplicativos de Joinville, diz que o aumento do combustível vai reduzir o ganho, já que não há possibilidade de repassar a majoração no preço cobrado do cliente.

“Este sobe e desce de preços traz muita insegurança econômica, não conseguimos administrar nosso orçamento”, afirma.

Segundo Tenório, sempre que a Petrobras anuncia uma majoração, o preço dos combustíveis sobe imediatamente nos postos. Já quando é anunciada uma redução, “aí a queda demora dias para chegar”.

De acordo com ele, entre os motoristas que abastecem seus veículos com
R$ 100 de gasolina por dia, ao final da jornada, sobravam entre R$ 30 a R$
35, valor que ficará menor em razão do aumento. E a alta vai chegar ao bolso do cliente também já que menos motoristas vão rodar durante o dia, para evitar o uso do ar-condicionado do carro, na tentativa de reduzir o consumo.

Atualmente, há cerca de 9 mil motoristas de transporte por aplicativo rodando em Joinville. Ele diz que o número só não aumenta porque muitas das pessoas que ingressam na atividade, após ficarem desempregadas, desistem do trabalho após os primeiros aumentos do combustível.

O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Joinville (Sincavir), Fernando Luís da Silva, também reclama do aumento.

“Além dos combustíveis, os preços de outros itens como os pneus também vão acabar subindo”, afirma.  Segundo ele, por causa da forte concorrência dos motoristas de aplicativo, a bandeirada dos táxis não sobe há quatro anos.

“É a única forma que temos para concorrer com eles (motoristas
de aplicativos)”, argumenta.

Segundo ele, uma saída seria o uso do GNV, mas somente 30% dos táxis rodam esse tipo de combustível. As dificuldades para se manter no mercado ajudam a explicar porque o número de motoristas de táxi caiu de quase 310 em 2016, para 220 atualmente na área do Sincavir.

Gasolina e etanol registram aumentos em todas regiões

De acordo com o último Índice de Preços Ticket Log (IPTL), a gasolina
e o etanol apresentaram aumento de 2,56% e 2,36%, respectivamente, em
janeiro, com médias que já ultrapassam o período pré-pandemia em 2020. No fechamento de janeiro, a média nacional nas bombas para a gasolina foi de R$ 4,816, valor que já é maior do que o registrado nos meses de fevereiro e março de 2020, quando o combustível apresentou médias de R$ 4,693 e R$ 4,618.

Com o etanol não foi diferente. Vendido no primeiro mês do ano à
média de R$ 3,779, ele ultrapassa o maior preço registrado para o combustível do ano anterior, que foi de R$ 3,757, no mês de fevereiro.

Em janeiro, a gasolina não registrou baixa no preço médio em nenhum
estado, e a maior alta foi registrada no Amazonas de 4,59%, com o litro comercializado a R$ 4,537, ante os R$ 4,338 de dezembro.

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