Bloqueio de rodovias pode prejudicar abastecimento do gás de cozinha em SC?

Reportagem do ND+ consultou o presidente executivo do Sinregás/SC (Sindicato dos Revendores de Gás), Jorge Magalhães de Oliveira, sobre o tema; confira

A possível falta de abastecimento ou encarecimento do GLP, o popular gás de cozinha, voltou a pauta em Santa Catarina diante do bloqueios realizados por grupos de caminhoneiros em vários pontos do Estado.

Gás de cozinha pode faltar em SC? Especialista responde – Foto: Marcelo Casall/Agência BrasilGás de cozinha pode faltar em SC? Especialista responde – Foto: Marcelo Casall/Agência Brasil

Em 2018, durante a greve da categoria, o desabastecimento do produto prejudicou todas as regiões do Estado. Para entender se problema voltará a acontecer nesse ano, a reportagem do ND+ procurou o presidente executivo do Sinregás/SC (Sindicato dos Revendores de Gás), Jorge Magalhães de Oliveira.

Na opinião do mandatário, caso haja a continuidade do bloqueio, que iniciou nesta terça-feira (7), nos próximos dias, a tendência é que a situação prejudique o setor. “O mercado está abastecido, porém, a partir do terceiro ou quarto dia deve começar a ter algumas dificuldades”, explica.

“O GLP é um produto armazenado em pequenas quantidades, até pelas normas exigidas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). As nossas carretas hoje estão paradas em Itajaí e Araquari. Elas normalmente sobem de manhã e voltam a tarde. Como não conseguiram chegar a Araucária (PR), se não chegarem hoje para carregar amanhã, amanhã já começa a ter problema com a falta nos revendedores, não no mercado”, pontua o presidente.

De acordo com o sindicato, o GLP de Santa Catarina vem somente das cidades de Araucária (PR) e Canoas (RS), uma vez que não há GLP produzido em Santa Catarina.

“Essa semana não devemos ter nenhum problema de abastecimento. Caso persistir a paralisação e os caminhões não cheguem nas bases, no fim de semana ou na segunda-feira (13) o mercado pode sentir”, afirma Oliveira.

“Sintonia” com a Fetrancesc

O presidente ainda reforça que o sindicato está em “sintonia” com a Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina) e acompanhando as movimentações da paralisações desde esta terça-feira.

A federação, inclusive, publicou uma nota nesta quarta-feira, alertando que valoriza o direito à livre manifestação, porém, que os bloqueios em rodovias “impedem o tráfego de caminhões, os quais são responsáveis pela garantia do abastecimento, sobretudo em relação aos insumos básicos, a exemplo de alimentos, medicamentos, combustíveis e suprimentos para hospitais”.

>> Veja a nota na íntegra

O que fazer diante da situação?

Para Oliveira, não há muito o que o sindicato fazer diante da situação, uma vez que fica “impotente” em relação as paralisações e cobra uma posição dos órgãos de segurança pública.

“Quem poderia tomar decisões seriam os órgãos de segurança pública. O que nos deixa um pouco mais tranquilos é perceber que essas paralisações são um pouco mais pontuais do que foram em 2018, onde houve uma liderança e causou um problema sério”, explica o presidente.

“Hoje são grupos de pessoas, as transportadoras estão contras. A própria Fetrancesc não apoia”, completa.

Justiça veta bloqueios

A Justiça Federal publicou duas decisões contra os bloqueios realizados por grupos de caminhoneiros em Santa Catarina. As obstruções iniciaram nesta terça-feira, e os manifestantes reivindicam a destituição dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Bloqueio na saída da distribuidora da Petrobras impossibilita a saída de caminhões par abastecimento de postos da região – Foto: Gabriela Milanezi/NDTVBloqueio na saída da distribuidora da Petrobras impossibilita a saída de caminhões par abastecimento de postos da região – Foto: Gabriela Milanezi/NDTV

A primeira decisão determina o fim de bloqueios nos trechos da BR-101 entre Paulo Lopes e a divisa com o Grande do Sul, região que vai do km 244 + 680 até o km 465 +100. Já a segunda impõe a permissão para a passagem dos caminhões da BRF na BR-116. Ambas devem ser garantidas pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Os despachos foram publicados na noite desta quarta-feira. A primeira ação é de autoria da CCS (Concessionária Catarinense de Rodovias), que administra todo o trecho contemplado na ação. A empresa pede liberação do trecho que administra, aponta vandalismo no pedágio de Araranguá e anexou vídeos dos atos.

Já a segunda ação foi impetrada pela BRF, que reclama os bloqueios realizados para a passagem dos seus caminhões em trecho da BR-116 no município de Mafra.  O juiz federal Joseano Maciel Cordeiro, responsável por esta decisão, sustenta que as manifestações podem ser realizadas, mas dentro dos limites constitucionais.

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