Brasil cobra explicações da China sobre indícios de Covid-19 em carne de frango

SC é destaque na exportação e qualidade nos frangos e no último mês e Estado faturou US$ 122,5 milhões com as exportações do produto, um aumento de 16,4% em relação a junho

As autoridades chinesas anunciaram nesta quinta-feira (13) que detectaram indícios da Covid-19 nas embalagens de um carregamento de pedaços de frango congelados exportados pelo Brasil, o maior produtor mundial, ao país asiático. O lote analisado é de um frigorífico de Xaxim (SC).

Surpresas, as autoridades brasileiras cobram explicações sobre o caso, e entidades do setor emitiram notas atestando a qualidade da carne produzida e vendida em Santa Catarina, o grande mercado aviário do país e questionam a possibilidade de tal transmissão, da forma como foi apresentada pelos chineses.

“A ABPA reitera que não há evidências científicas de que a carne seja transmissora do vírus”, ressalta a Associação Brasileira de Proteína Animal

China diz que frango importado do Brasil testou Covid-19; Brasil pede explicações – Foto: Reprodução/ND

A Associação Catarinense de Avicultura também saiu em defesa dos produtores locais. Nesta mesma linha, as evidências científicas demonstram que inexiste a possibilidade de contaminação em produtos de origem alimentícia, em especial nas proteínas animais, necessitando assim um esclarecimento das autoridades competentes quanto às alegações trazidas”.

Entenda o caso

O vírus teria sido detectado durante um controle de rotina dos congelados brasileiros, de acordo com comunicado da prefeitura de Shenzhen, cidade próxima de Hong Kong. Os testes realizados em 11 e 12 de agosto confirmaram a presença de traços da doença nas embalagens dos cortes de frango.

A prefeitura da cidade chinesa informou que o lote (SIF601 LT: 7720051522) pertence a um frigorífico de Xaxim, cidade localizada no Oeste de Santa Catarina. 

O Escritório de Prevenção e Controle de Epidemiologia de Shenzhen informou que testes para o vírus foram feitos em pessoas que possivelmente tiveram contato com esse lote, bem como em produtos relacionados, mas todos os resultados retornaram negativos. 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma ser extremamente baixo o risco de alguém se contaminar com o novo coronavírus pela ingestão de alimentos ou mesmo pelo contato com embalagens contaminadas. 

SC é destaque na exportação e qualidade 

No último mês, Santa Catarina faturou US$ 122,5 milhões com as exportações do produto, um aumento de 16,4% em relação a junho. Os números são do Ministério da Economia e analisados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola.

“O agronegócio é uma das grandes forças de nossa economia. Com o crescimento das exportações mostramos a força dessa cadeia produtiva tão importante para Santa Catarina, mesmo em um período de tantos desafios”, destacou o governador Carlos Moisés no mês passado.

O bom resultado de julho se deve ao aumento expressivo nos embarques para a Holanda, que se tornou o maior comprador no último mês com US$ 21,2 milhões – 139,2% a mais do que em junho e 48,5% a mais do que em julho de 2019.

No mês passado, os maiores compradores da carne de frango produzida em Santa Catarina foram Holanda, Japão, China e Arábia Saudita.

“A avicultura é um dos grandes destaques do agronegócio catarinense. Nossos produtos chegam a mais de 130 países e o setor gera empregos e renda ao longo de toda cadeia produtiva. Encerramos o mês de julho com boas notícias nas exportações e com a expectativa de crescimento na demanda interna”, ressaltou na oportunidade o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Ricardo de Gouvêa.

Ministério da Agricultura acompanha o caso 

Em comunicado publicado, nesta quinta-feira, no site oficial, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) afirmou que tomou conhecimento do caso ainda na noite de quarta-feira (12), contudo, ainda aguarda informações.

“Ainda na noite de ontem, após notícia veiculada na imprensa da província chinesa, o MAPA acionou imediatamente a Adidância Agrícola em Pequim, que consultou a Administração Geral de Aduanas da China – GACC buscando as informações oficiais que esclareçam as circunstâncias da suposta contaminação. Até o momento, o MAPA não foi notificado oficialmente pelas autoridades chinesas sobre a ocorrência”, informou o comunicado. 

Em nota oficial, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) informou que o setor produtivo está analisando as informações de possível detecção de traços de vírus em embalagem de produtos de origem brasileira. 

Veja a nota da ABPA na íntegra:

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informa que o setor produtivo está analisando as informações de possível detecção de TRAÇOS DE VÍRUS em EMBALAGEM de produto de origem brasileira, feita por autoridades municipais de Shenzen, na China.

Ainda não está claro em que momento houve a eventual contaminação da embalagem, e se ocorreu durante o processo de transporte de exportação. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil está em contato para esclarecimentos com o GACC (autoridade sanitária oficial da China), que fará a análise final da situação.

A ABPA reitera que não há evidências científicas de que a carne seja transmissora do vírus, conforme ressaltam a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Ao mesmo tempo, o setor exportador brasileiro reafirma que todas as medidas para proteção dos trabalhadores e a garantia da inocuidade dos produtos foram adotadas e aprimoradas ao longo dos últimos meses, desde o início da pandemia global.

A ACAV  (Associação Catarinense de Avicultura) destacou em nota que “as autoridades brasileiras estão em contato com as autoridades chinesas na obtenção de informações precisas”. Também salientou que “o processo produtivo brasileiro, reconhecido internacionalmente”. 

Veja a nota da ACAV na íntegra:

A Associação Catarinense de Avicultura – ACAV representando o setor agroindustrial de produção de aves, tendo por referência a notícia acerca da alegação de detecção de traços de vírus em embalagem de produto oriundo do mercado nacional remetido à China, vem por meio da presente informar que as autoridades brasileiras estão em contato com as autoridades chinesas na obtenção de informações precisas, reiterando, contudo, que o Brasil é um país de excelência na produção de proteína animal no mundo, seja pelo aspecto de sanidade, seja pela segurança dos processos produtivos, auditados reiteradamente por mais de 150 países para os quais o produto é exportado.

O processo produtivo brasileiro, reconhecido internacionalmente, sempre levou em consideração o respeito às pessoas, aos animais e ao uso intensivo de técnicas e tecnologias que levam excelência em qualidade e segurança do alimento colocando assim o Estado de Santa Catarina e o Brasil no topo da cadeia de produção e exportação de aves.

Nesta mesma linha, as evidências científicas demonstram que inexiste a possibilidade de contaminação em produtos de origem alimentícia, em especial nas proteínas animais, necessitando assim um esclarecimento das autoridades competentes quanto às alegações trazidas. A OMS – Organização Mundial da Saúde reportou recentemente a impossibilidade de contaminação de produtos alimentícios por COVID, o que dá a segurança necessária para reafirmarmos a qualidade do produto brasileiro.

O produto catarinense ao longo de mais de 40 anos de parceria e investimentos em pesquisa, sanidade e nutrição que envolvem o poder público e a iniciativa privada constantemente habilita o Estado de Santa Catarina em afirmar que o produto catarinense é seguro e de qualidade.

Acumulado do ano 

A carne de frango é o principal produto da pauta de exportações de Santa Catarina. De janeiro a julho deste ano, o estado embarcou 578,4 mil toneladas do produto, faturando aproximadamente US$ 916,4 milhões. 

Santa Catarina é reconhecida internacionalmente pela qualidade do seu agronegócio e o cuidado com a sanidade animal e vegetal. É o único estado brasileiro reconhecido pela OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) como área livre de febre aftosa sem vacinação e área livre de peste suína clássica. 

Na área vegetal, o estado é livre de Cydia pomonella, considerada o pior inseto praga da fruticultura, e também do Moko da Bananeira. As ações de defesa agropecuária são executadas pela Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), com o apoio do Icasa (Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária).

Rígidos controles 

A série da NDTV ‘Agro, a força da economia catarinense’ mostra como o setor do agronegócio se preparou e segue se adaptando a esse momento de pandemia no País.

As agroindústrias do Estado, que já cumprem medidas rigorosas, reforçaram esses cuidados no dia a dia. Os funcionários têm uma nova rotina, são obrigados a respeitar o distanciamento social e receberam novos equipamentos de segurança individual para evitar a contaminação.

Pandemia 

A China, onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez no fim de 2019, controlou em grande medida a epidemia, segundo os dados oficiais. Nesta quinta-feira, o país anunciou um balanço diário de 19 contágios. A última morte provocada pelo vírus aconteceu em maio.

O Brasil é o segundo país do mundo mais afetado pela Covid-19, atrás dos Estados Unidos, com mais de 104 mil mortes e 3,16 milhões de casos.

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