Cancelamento da Festa do Morango de Rancho Queimado não afeta produção nem turismo

Município da Grande Florianópolis ostenta o título de Capital do Morango de Santa Catarina. Festa será interrompida pela primeira vez em 28 anos

Em Rancho Queimado, a 60 quilômetros de Florianópolis, o setor do turismo vive, desde maio, um movimento diferente do que tem ocorrido em outras cidades com atrativos turísticos em Santa Catarina. O município com menos de 2,9 mil habitantes percebeu um aumento de 30% no fluxo de turistas que fugiam do risco de contágio por Covid-19 nas grandes cidades. O atrativo mais visitado na cidade foi o Alto do Boa Vista a partir de onde se tem uma bela paisagem para apreciar o pôr do sol.

Nesse local, segundo Gilson Schmitz, secretário de Turismo e Cultura de Rancho Queimado, as visitas aumentaram em 60% e foi necessário a intervenção da prefeitura para que não houvesse aglomerações. “O turismo despontou na pandemia. As pessoas têm procurado atrativos ao ar livre e o Boa Vista é um ponto de contemplação, além disso a cidade é tranquila e oferece a sensação de segurança”, comentou Schmitz.

Alto do Boa Vista foi o local mais procurado em Rancho Queimado durante a pandemia – Foto: Katiane Regina/Divulgação/NDAlto do Boa Vista foi o local mais procurado em Rancho Queimado durante a pandemia – Foto: Katiane Regina/Divulgação/ND

Além do cenário rural, o turismo na cidade respira e vive a produção de morangos. Restaurantes, hotéis, cafés coloniais e as propriedades que produzem a fruta símbolo do munícipio trabalham para manter com Rancho Queimado o título de Capital do Morango de Santa Catarina.

No entanto, o evento mais tradicional da cidade e aguardado por cada um dos rancho-queimadenses foi cancelado por conta da pandemia de Covid-19. Será a primeira vez em 28 anos que a Festa do Morango não será realizada. “A festa teve seus altos e baixos mas nunca deixou de acontecer em quase 30 anos. Foi muito difícil para nós tomar essa decisão, mas foi o correto”, disse Rozemere Hilleshein Erhardt, membro da Associação Comunitária do Distrito de Taquaras, realizadora do festejo.

Segundo Rozemere, tradicionalmente os preparos para a festa começam em julho quando são divididas as tarefas. Cerca de 90 pessoas, entre membros da diretoria da associação e voluntários da comunidade, participam da organização. “Até das brigas que a gente tinha na organização eu sinto falta. Ver tudo parado dói”, disse.

Os maiores afetados pelo cancelamento da festa serão os artesãos que vendem seus produtos durante o final de semana dedicado a festejar a fruta que faz parte da vida de todos da cidade. “Quem vende os doces, geleias, licores e artesanatos vai ficar sem o 14º salário, mas a venda da produção não é afetada de jeito nenhum”, afirmou Rozemere.

Arthur, filho de Rozemere, na lavoura de morangos da família – Foto: Divulgação/NDArthur, filho de Rozemere, na lavoura de morangos da família – Foto: Divulgação/ND

Trabalho em família

No distrito de Taquaras, a cerca de 10 quilômetros do Centro de Rancho Queimado, está a maior parte das propriedades que cultivam morango. São lavouras cultivadas há décadas por famílias inteiras. A família de Rozemere Hilleshein Erhardt, por exemplo, tem um plantio de três mil pés de morango onde, além dela, trabalham o marido Alexsandro Erhardt e o filho adolescente do casal.

Quando é dia de colheita, Rose, como é conhecida, levanta cedo e leva o filho Arthur, de cinco anos, ainda sonolento para a lavoura. “O trabalho não para, mas já estamos acostumados”, afirmou. Rose também trabalha no processo de embalagem de bandejas de morangos em uma propriedade que fornece para redes de supermercados. Por sua vez, o marido dela trabalha na lavoura do tio Aroldo Hamm. “O morango faz parte da vida de todos nós daqui”, disse Rozemere.

Venda garantida

O secretário de Agricultura de Rancho Queimado, Sóstenes Schütz, afirmou que de forma alguma a pandemia impactou negativamente a lavoura e a comercialização de morangos no município. Ao contrário. “Um produtor me disse que nunca vendeu tanto morango como nesse ano. O único momento que o comércio parou foi lá no começo, naquelas semanas do primeiro decreto do governo (em março)”, disse. Segundo Sóstenes, a prefeitura providenciou, naquela época, duas câmaras frias para que os produtores armazenassem as frutas que não foram vendidas.

Na safra do ano passado, as 150 famílias que se dedicam ao morango foram responsáveis pela produção de 1,250 mil toneladas da fruta nos 50 hectares de lavoura. Atualmente, 60% da produção é em estufa e 40% no chão, o método tradicional.

O morango de Rancho Queimado é distribuído em todo o Estado e, de acordo com Sóstenes, o maior concorrente da fruta local é o estado de Minas Gerais. A expectativa é que a safra deste ano chegue a 1,3 mil toneladas. O período da alta produção ocorre agora, entre a primavera e o verão, quando é realizada a Festa do Morango.

Morangos de Rancho Queimado são distribuídos para todo o estado de Santa Catarina – Foto: Divulgação/Epagri/NDMorangos de Rancho Queimado são distribuídos para todo o estado de Santa Catarina – Foto: Divulgação/Epagri/ND

O que fazer em Rancho Queimado

Quem é frequentador da Festa do Morango pode matar a saudade da cidade e das delícias produzidas com a fruta ao visitar os atrativos rurais, como restaurantes, cafés coloniais, pousadas e propriedades onde se pode colher a fruta e pagar ao final do passeio pela lavoura.

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