Com alta do combustível, o litro da gasolina pode chegar a R$ 7 em SC?

Paralisação dos caminhoneiros nesta semana implicou em uma verdadeira corrida de motoristas aos postos de combustíveis do Estado

Basta um anúncio de que o preço da gasolina vai subir ou paralisações, como a de caminhoneiros que aconteceram durante esta semana em Santa Catarina, para acontecer uma verdadeira corrida de motoristas aos postos de combustíveis.

Motoristas amanheceram fazendo fila em postos de combustíveis nesta semana – Foto: Moisés Stuker/NDTVMotoristas amanheceram fazendo fila em postos de combustíveis nesta semana – Foto: Moisés Stuker/NDTV

Assim que o frentista começa a abastecer e quase na mesma velocidade que o combustível entra no tanque, no entanto, vem a preocupação: ‘será que o preço da gasolina vai subir na próxima vez?’.

Em meio à alta do produto em todo o país, com preços até mesmo ultrapassando incríveis R$ 7 o litro em alguns locais, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), os condutores encontraram preços “salgados” nas bombas no Estado.

O valor inclusive, foi alvo de fiscalização, como na Grande Florianópolis, onde ao menos dois estabelecimentos foram autuados nesta sexta-feira (10).

De acordo com a ANP, o preço médio da gasolina comum em Santa Catarina é de R$ 5,739. O valor foi registrado em pesquisa entre 29 de agosto e 4 de setembro. O valor mais alto foi encontrado na cidade de Concórdia, na região Oeste, com R$ 6,149.

As perguntas que ficam são: Santa Catarina tem previsão para chegar ao preço de R$ 7 no litro da gasolina? Até que ponto a paralisação afetou os valores?

A reportagem do ND+ procurou o Sindipetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina) para responder os questionamentos.

De acordo com a gerente geral do sindicato, Pâmela Alessandra Bento da Cunha, não é possível fazer uma projeção de aumento de preço no momento, uma vez que há muitas variáveis que mudam o preço do produto.

“Isso [preço] varia muito, depende da Petrobras ou das usinas e a base de cálculo do preço de pauta, tudo já afeta o valor. O etanol anidro, por exemplo, tem aumentado toda semana. Fica difícil saber como serão os próximos meses”, explica a gerente.

Nova tabela do Preço Médio

O Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) publicou nesta sexta-feira (10) no Diário Oficial da União a nova tabela do PMPF (preço médio ponderado ao consumidor final) de combustíveis em todo o país. Os valores entram em vigor a partir da próxima quinta-feira (16).

O documento traz o preço de 11 produtos nas 27 unidades da federação. Santa Catarina, por exemplo, apresenta R$ 5,5300 como o preço da gasolina comum. A média nacional do preço da gasolina deve ficar em R$ 5,966/litro.

Tabela do Confaz mostra o preço médio ponderado ao consumidor final – Foto: Reprodução/NDTabela do Confaz mostra o preço médio ponderado ao consumidor final – Foto: Reprodução/ND

A nova tabela com o preço médio ponderado ao consumidor final de combustíveis, serve para estabelecer uma base de cálculo para cobrança do ICMS nos estados.

A tabela não fixa os preços a serem cobrados dos combustíveis. Ela serve para atualizar o valor de venda e estabelecer uma base de cálculo para que a cobrança do ICMS seja a mais próxima possível do preço nos postos.

Outros fatores podem influenciar o que é cobrado na bomba, como preço internacional do petróleo, câmbio, custo do frete, margens de lucro da refinaria, distribuidora e postos de gasolina, entre outros.

“Vilão” da inflação

Uma pesquisa divulgada pela ANP na última semana, registrou que a gasolina marcou a quinta semana consecutiva de alta. O diesel e o etanol também ficaram mais caros.

O combustível virou um dos “vilões” da inflação, responsável por afetar duramente o orçamento das famílias, já prejudicadas pela alta dos alimentos e da energia elétrica.

Segundo especialistas, o real desvalorizado é um dos motivos para o aumento do preço dos combustíveis. Os preços de venda dos combustíveis seguem o valor do petróleo no mercado internacional e a variação cambial.

Ou seja, havendo uma cotação mais elevada da commodity ou uma desvalorização do real têm potencial para contribuir com uma alta de preços no Brasil.

A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou agosto com alta de 0,87%, ante um avanço de 0,96% em julho, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (9).

O resultado é o maior para o mês desde 2000. O indicador acumula altas de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses. Em agosto do ano passado, a variação mensal foi de 0,24%.

A gasolina subiu 2,80% e teve o maior impacto individual no IPCA do mês passado. Etanol (4,50%), gás veicular (2,06%) e óleo diesel (1,79%) também ficaram mais caros.

“O preço da gasolina é influenciado pelos reajustes aplicados nas refinarias de acordo com a política de preços da Petrobras. O dólar, os preços no mercado internacional e o encarecimento dos biocombustíveis são fatores que influenciam os custos, o que acaba sendo repassado ao consumidor final. No ano, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol 40,75% e o diesel 28,02%”, concluiu o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

* Com informações da Agência Brasil e Estadão

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