Com preços em alta, consumidor de SC busca cortes menos nobres de carne bovina

Reportagem do ND+ conversou com donos de açougues e clientes de Florianópolis para entender como a situação impacta na bolso de ambos

A pequena baixa no preço da carne vermelha, 0,31% segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), não teve grandes efeitos na compra e venda do alimento em Florianópolis.

Preço da carne bovina sofre seguidas altas – Foto: Leo Munhoz/NDPreço da carne bovina sofre seguidas altas – Foto: Leo Munhoz/ND

A reportagem do ND+ foi às ruas da Capital para conversar com donos de açougues e clientes dos estabelecimentos para verificar o que ambos têm achado dos preços e se a procura pelo produto aumentou ou diminuiu nas últimas semanas.

O proprietário do Açougue Kretzer, no Mercado Público, Thiago Kretzer, afirma que o preço da maioria dos cortes segue alto.

“Temos consciência que está caro. Não temos como vender produto de baixa qualidade e escutar reclamação depois. É difícil competir com supermercado, por exemplo, onde o preço é um pouco mais baixo”, relata.

No local, os cortes mais procurados acabam sendo as chamadas carnes de segunda. “Os clientes procuram mais a paleta, acém e a fraldinha que têm preços mais baratos”.

No açougue, o preço da paleta e do acém está R$ 35,95 o quilo. Já a fraldinha sai por R$ 36,90. Carnes “mais nobres”, como a picanha (R$ 85,90) e filé mignon (R$ 75,90) sofrem pouca procura.

A solução dos clientes foi partir para a carne suína. “Acaba sendo mais barato para o cliente. A carne de porco, o preço do pernil e da paleta está por R$ 15,90”, explica Thiago.

Pandemia muda hábitos do consumidor

Segundo o proprietário, a pandemia mudou hábitos do consumidor. Com a alta no preço da carne bovina, clientes vão ao açougue menos vezes e compram em menor quantidade.

“Antigamente, antes da pandemia, o pessoal comprava para sobrar. Da pandemia para cá, estão comprando ‘contadinha'”, afirma o dono.

Proprietário do local, Thiago Kretzer vê movimento menor em outubro – Foto: Leo Munhoz/NDProprietário do local, Thiago Kretzer vê movimento menor em outubro – Foto: Leo Munhoz/ND

Sobre o movimento de clientes, Thiago afirma que o mês de outubro foi “bem parado”, havendo uma redução de aproximadamente 40% na demanda de clientes diários. “Nos outros meses até estava bom, hoje está complicado”, lamenta.

A situação é a mesma no Açougue Bons Amigos, no Saco dos Limões. Segundo o açougueiro Flávio Gomes, o movimento segue “mais baixo que o normal”.

“Clientes reclamam dos preços, isso explica muito o volume menor de pessoas que temos atendido ultimamente”, afirma o profissional.

“As pessoas têm procurado carnes de segunda a no máximo R$ 29,98 o quilo e levado em menos quantidade”, completa.

Alta impacta no bolso de clientes

“Está caro [carne bovina], mas temos que comprar”, afirma a laboratorista Simone Silva, de 49 anos, enquanto parava para comprar um quilo de músculo traseiro moído no açougue.

Dona Simone compra um quilo de carne no açougue – Foto: Leo Munhoz/NDDona Simone compra um quilo de carne no açougue – Foto: Leo Munhoz/ND

A dona de casa Fabíola Barbosa, de 55 anos, foi mais uma a parar no local. “O preço da carne aumentou bastante. Eu e meu marido comemos carne apenas uma vez na semana, então ainda foi possível manter”, explica enquanto comprava alcatra e patinho bovino.

Para o casal Rosângela Silva e Daniel Souza, a carne bovina subiu de preço “assim como todos os outros produtos”.

“Em tudo que a gente compra dá para sentir um leve aumento. Acabamos comprando [carne bovina] apenas uma vez por mês. Viemos mais vezes apenas em caso de necessidade”, conta Daniel.

Brasil tem menor consumo de carne vermelha em 26 anos

Com alta de 30,7% em 12 meses, o consumo da carne vermelha diminuirá em quase 14% em 2021, se comparado a 2019, antes da pandemia. Os dados são do IBGE.

Açougue vê número de clientes diminuir no mês de outubro – Foto: Leo Munhoz/NDAçougue vê número de clientes diminuir no mês de outubro – Foto: Leo Munhoz/ND

É o menor nível registrado para consumo de carne bovina no Brasil em 26 anos, aponta a série histórica da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), com início em 1996.

Outro dado recente é de uma pesquisa do Datafolha, que aponta que 85% dos entrevistados diminuíram o consumo de algum alimento em 2021. Destes, 67% reduziram a carne vermelha. Outros 35% citaram o arroz e feijão, base da alimentação do brasileiro.

Substitutos

A opção mais comum para substituir a carne vermelha é o frango, que  acumula alta semelhante à da proteína bovina nos últimos 12 meses. Os saltos ocorrem compra tanto na da peça inteira (+28,7%) quanto em pedaços (+31,3%).

Outra fonte alternativa de proteína são os ovos que ficaram 17,9% mais caros no último ano. Os pescados, por sua vez, têm uma variação de 7,2% no período e também aparecem como uma boa opção para o bolso.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Economia SC

Loading...