Covid-19: CDL quer lockdown em Joinville

Em ofício enviado à Prefeitura, entidade também sugere outras medidas para diminuir a disseminação do vírus; cidade está com 96% das UTIs lotadas na rede pública e privada

A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Joinville enviou neste domingo (7) um ofício à Prefeitura sugerindo o lockdown total de atividades até o dia 14 de março. O pedido inclui o fechamento de comércios, indústrias e serviços, excluindo apenas as atividades consideradas como essenciais.

Sugestão é que comércio fique fechado por até sete dias em Joinville  – Foto: Raquel Schiavini Schwarz/NDSugestão é que comércio fique fechado por até sete dias em Joinville  – Foto: Raquel Schiavini Schwarz/ND

Segundo a entidade, a medida deve ser tomada já que as atuais estratégias não tem sido suficientes para diminuir a circulação do coronavírus. O documento foi assinado pelo atual presidente da entidade, José Manoel Ramos.

Ele cita que atividades como indústrias também devem ser fechadas, justificando que outros setores também contribuem para a disseminação da Covid-19.

“Não é justificável e nem útil o pequeno comércio permanecer fechado, quando outros setores estão de portas abertas. A indústria permanece em plena atividade, com uso de banheiros coletivos, refeitórios, compartilhamento de peças, ferramentas e máquinas pelos funcionários. Evidentemente, o comércio é aliado e não vilão na pandemia”, diz um dos trechos.

Além disso, ele também afirma que os supermercados deveriam funcionar apenas para a venda de alimentos (essencial) e sem a comercialização de eletrodomésticos, vestuário, eletrônicos, etc. (não essencial) durante o horário em que o comércio de não essenciais não poderá abrir na pandemia.

A entidade também sugere no documento, depois do prazo do lockdown, a aplicação do toque de recolher e a restrição de ocupação em estabelecimentos até o dia 28 de março.

“Caso entenda Vossa Excelência que qualquer das medidas acima isoladamente não venha a atender o objetivo de frear o avanço do coronavírus, sugerimos a adoção das mesmas em sequência, iniciando-se com o lockdown total até dia 14 de março, e prosseguindo com a medida de toque de recolher e restrição de ocupação até o dia 28, sempre sujeitas a revisão conforme o andamento”, fala.

Com 96% dos leitos ocupados – 142 de um total de 148 – nos hospitais públicos e privados, a Prefeitura de Joinville estrutura novas medidas restritivas para o enfrentamento da pandemia.

Neste domingo, o prefeito Adriano Silva realizou uma reunião emergencial com o Gabinete de Crise para discutir as ações, que devem ser anunciadas ainda nesta segunda-feira (8).

Veja o documento da CDL na íntegra:

“AO EXMO. SENHOR PREFEITO MUNICIPAL

ADRIANO BORNSCHEIN SILVA

Ref.: Agravamento da crise de covid-19

Exmo. Sr. Prefeito Adriano,

Tendo em vista as notícias de que as medidas até aqui tomadas não foram suficientes para controlar a disseminação do coronavírus, e ante ao questionamento que a sociedade como um todo se faz, da necessidade de aumentar as restrições a exemplo de outras cidades e estados, a CDL Joinville sugere lockdown total de atividades até domingo (14), incluindo comércio, indústria e serviço, sem exceções, além daquelas previstas como absolutamente essenciais – relacionadas à alimentação, à saúde e à higiene da população – não permitindo que qualquer outra atividade funcione durante esse período de 7 (sete) dias. Significa dizer que supermercados podem vender alimentos (essencial), mas não podem comercializar eletrodomésticos, vestuário, eletrônicos, etc. (não essencial) durante o horário em que o comércio de não essenciais não poderá abrir.

Tal medida é impositiva para evitar que as normas de isolamento social possam ser burladas, de modo injusto para o comércio segmentado, por meio da venda de produtos de toda e qualquer natureza por estabelecimentos que têm a autorização para abrir apenas em razão da comercialização de produtos essenciais.

O lockdown só para o comércio não é capaz de frear o avanço da pandemia, pois foi o setor que mais se adaptou e contribuiu para evitar a propagação do vírus, trabalhando com máscara, álcool gel e demais medidas de higiene e distanciamento. O pequeno comércio tem sido o mais cobrado pelas autoridades e alvo fácil de medidas restritivas, quando é notório que a contaminação ocorre em outros ambientes que geram aglomeração de pessoas, como festas e eventos particulares.

Não é justificável e nem útil o pequeno comércio permanecer fechado, quando outros setores estão de portas abertas. A indústria permanece em plena atividade, com uso de banheiros coletivos, refeitórios, compartilhamento de peças, ferramentas e máquinas pelos funcionários. Evidentemente, o comércio é aliado e não vilão na pandemia.

Não entendendo como alternativa o lockdown total antes sugerido, e vez que o lockdown parcial, além de injusto com o varejo, não se mostrou efetivo por si só até o momento, de maneira alternativa e como medida importante, sugerimos ainda a adoção para as próximas duas semanas (até 21/03), o toque de recolher das 20h até às 6h, mantendo a limitação de ocupação de 25% para o comércio, restaurantes, indústria, transporte coletivo, dentre outros.

Finalmente, caso entenda Vossa Excelência que qualquer das medidas acima isoladamente não venha a atender o objetivo de frear o avanço do coronavírus, sugerimos a adoção das mesmas em sequência, iniciando-se com o lockdown total até dia 14/03, e prosseguindo com a medida de toque de recolher e restrição de ocupação até o dia 28/03, sempre sujeitas a revisão conforme o andamento.

Agradecemos antecipadamente a vossa atenção, na certeza de que medidas justas e eficazes serão tomadas para um decréscimo no avanço das contaminações por covid-19.

Cordialmente,

José Manoel Ramos
Presidente CDL Joinville”

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