Empreendimentos sustentáveis: brechós virtuais focam em consumo da moda consciente

Closet Verde e o Breshó, em Florianópolis, possuíam uma coisa em comum: a preocupação com o destino que peças de roupas já usadas teriam no futuro, enquanto realizavam seus empreendimentos pessoais

O termo “moda consciente” vem crescendo com certo fulgor nos últimos anos, principalmente entre aqueles que lutam pela preservação do meio ambiente e se preocupam com os impactos que a origem e a produção de roupas pode gerar na sociedade.

Brechó online tem como principal pilar a moda consciente – Foto: Sthefany Martins/Divulgação/NDBrechó online tem como principal pilar a moda consciente – Foto: Sthefany Martins/Divulgação/ND

Trocando miúdos, a moda consciente se aplica quando uma pessoa busca por roupas e acessórios que não possuem um rápido descarte e não necessitam ser renovadas constantemente, como feito pelas lojas de fast fashion.

Foi a partir deste conceito que o brechó “Closet Verde”, em Florianópolis, fundou os seus principais pilares. Para a idealizadora do brechó online, Sthefany Martins, “desde o início minha preocupação era de que a pessoa que comprasse no meu brechó, ela se interessasse mais ainda em consumir nesse ramo por conta da experiência que ela teve comigo”.

Sthefany Martins deu início ao brechó em meados de outubro de 2020. No mês seguinte, o brechó começaria a fazer suas primeiras vendas, se mantendo até hoje – Foto: Sthefany Martins/Divulgação/NDSthefany Martins deu início ao brechó em meados de outubro de 2020. No mês seguinte, o brechó começaria a fazer suas primeiras vendas, se mantendo até hoje – Foto: Sthefany Martins/Divulgação/ND

A experiência de comprar em brechós também é uma das grande motivações que levou com que Sthefany desse continuidade para o seu empreendimento.

“A origem de todas as peças do Closet são trabalhadas na experiência do cliente”, conta.

“Quando você vai em uma loja de fast fashion, você escolhe sua peça, passa no caixa, faz a compra, a atendente somente coloca a compra em uma sacola de plástico, e acabou. Esse é o ciclo. No Closet é totalmente diferente”, explica.

“É uma atenção e um cuidado que demandou um investimento no início, com uma embalagem que fosse mais sustentável, um mimo que desenvolvesse a vontade do cliente de começar a usar moda sustentável”, finaliza Martins.

Desenvolvimento sustentável

Para Sthefany, além de promover a moda sustentável enquanto faz a curadoria das peças que irão para o brechó, é também importante produzir postagens nas redes sociais que tratem do desenvolvimento sustentável e de questões relacionadas com a conscientização verde.

Na compra, Sthefany utiliza papéis eco friendly para embalar as roupas que serão enviadas às clientes – Foto: Sthefany Martins/Divulgação/NDNa compra, Sthefany utiliza papéis eco friendly para embalar as roupas que serão enviadas às clientes – Foto: Sthefany Martins/Divulgação/ND
Tags com mudinhas de plantas são enviadas junto às compras – Foto: Sthefany Martins/Divulgação/NDTags com mudinhas de plantas são enviadas junto às compras – Foto: Sthefany Martins/Divulgação/ND

Foi assim que a menina, de apenas 20 anos, investiu na produção de ecopads, “que são discos de crochê que substituem os discos de algodão descartáveis, que geram menos lixo”, como ela mesma conta.

A idealização de ecobags, “que substituem sacolas plásticas”, também é promovida pelo Closet Verde.

Na embalagem das compras, Sthefany também adiciona uma tag de papel semente, que viram mudas de plantas para as clientes reciclarem em seus jardins pessoais.

Empreendimento virtual

O Closet Verde funciona como um brechó virtual desde novembro de 2020. “Ele nasceu em um período muito conturbado, que foi o da pandemia. Mas ela também abriu possibilidades para o comércio online”, reitera Sthefany.

“Na questão de desenvolvimento pessoal, as pessoas estão vulneráveis, não querendo sair de casa, então elas vão procurar meios mais seguros de consumir o que normalmente consomem”, continua. “O espaço online me dá possibilidades que o espaço físico geralmente não dá”, acredita.

“Hoje, o espaço online é o mais vantajoso pois permite que eu entregue tudo o que eu entrego sem as dores de cabeça que os espaços físicos têm, como o pagamento de contas, por exemplo”, diz Sthefany.

Ela salienta também que o retorno com o brechó online é muito maior do que os investimentos que precisa colocar em cima de seu negócio.

Do online para o escritório

Para Josy Pasettia, fundadora do Breshó, na Capital catarinense, tudo também começou no modelo de vendas online, em 2018. Assim como Sthefany, ela precisava de um emprego que gerasse dinheiro para conseguir seu sustento.

No início, garimpava suas próprias peças de roupas e de amigas próximas, e assim vendia aos poucos o que conseguia.

Josy começou a empreender ainda em 2018, com foco na indústria da moda e seu alto custo ambiental e humano – Foto: Internet/Divulgação/NDJosy começou a empreender ainda em 2018, com foco na indústria da moda e seu alto custo ambiental e humano – Foto: Internet/Divulgação/ND

Foi somente em 2020, após muita dificuldade, que o Breshó de fato vingou, juntamente com o lockdown.

Pela internet, Josy conseguiu desenvolver, com a ajuda de técnicas de marketing, a sua fiel clientela.

“Magicamente eu passei a vender muito, como nunca tinha vendido antes”, relata Josy.

“Ajustei o perfil de produto ao momento que todo mundo estava vivendo: tinha muita calça de moletom, suéter, roupas mais confortáveis para ficar em casa. A minha própria casa ficou pequena para ter um estoque, gerir pedidos e dividir o escritório com meu namorado”, conta Josy.

No escritório, cada peça recebia o devido tratamento para ser repassada às compradoras – Foto: Internet/Reprodução/NDNo escritório, cada peça recebia o devido tratamento para ser repassada às compradoras – Foto: Internet/Reprodução/ND

“Em maio de 2020 dei o grande passo de decidir alugar um escritório e transformar o Breshó em algo maior”. Assim, a ideia de abrir um escritório, em que pudesse promover a sua marca, começou a tomar forma.

Panorama desfavorável

“Quando crescemos os problemas e custos crescem muito”, conta Josy. O boom das vendas que ela teve quando trabalhava virtualmente não continuou uma vez que foi ao escritório.

Com o aumento do valor do aluguel, das comidas e despesas domésticas no geral, ela percebeu que precisava vender em um maior volume para receber cada vez menos.

Apesar de seguir batendo recordes de venda, o empreendimento de Josy foi tomando conta de sua saúde mental – Foto: Internet/Reprodução/NDApesar de seguir batendo recordes de venda, o empreendimento de Josy foi tomando conta de sua saúde mental – Foto: Internet/Reprodução/ND

“É difícil manter o ritmo sendo sozinha. Garimpar peças também ficou mais difícil porque além do preço aumentar, como citei, a disputa por elas também cresceu em decorrência do aumento de brechós online”, conta a comerciante.

Dessa forma, ela precisou queimar seu estoque e se despedir de suas clientes do Breshó. “Percebi que a tendência são os grandes brechós de certa forma engolirem os pequenos tendo acesso às melhores peças e tendo mais visibilidade”, finaliza.

Já Sthefany não pretende transformar o Closet em um espaço físico, mas sim, talvez, desenvolver um espaço para a sua gestão do brechó, “pois tem toda a questão do estoque, embalagem das peças, e no momento eu possuo um espaço bem limitado na minha casa”, diz.

Empreendendo

Para Bianca Gonçalves, criadora da Blume WebStudio, “existem inúmeros fatores que influenciam no sucesso ou não de um negócio”. “Falando especificamente do nicho de brechós, o produto ofertado geralmente é de nível exclusivo, único, e aqui está o ouro”, explica.

“Utilizando adequadamente os gatilhos de escassez e exclusividade, conseguimos reter atenção de muitas pessoas interessadas no produto”, comenta Bianca.

Para as vendas online, como as dos brechós, atingir seu público pode ser fácil, seguindo alguns passos:

  • Definir a persona: unir as características do seu cliente ideal para saber qual é a linguagem adequada que você deve usar come eles, o nível de conhecimento em seu nicho e a divulgação de sua marca;
  • Canais de venda: estar na internet é uma necessidade, por isso, quanto maior o número de canais virtuais você estiver, maior audiência terá, bem como mais vendas;
  • Ter o próprio site: não se pode depender apenas de plataformas como as redes sociais por conta de suas instabilidades. Dessa forma, ter um site próprio te dá segurança, credibilidade e mais possibilidades de crescimento;
  • Planejamento: a maior e melhor dica para o desenvolvimento estratégico, financeiro, de marketing, conteúdo, e de metas do seu negócio, seja por em ação um bom planejamento, traçando erros e acertos para dar continuidade em suas ações.

É assim que, conforme explica Bianca, um brechó online pode sair do papel e ir para o mundo virtual, conquistando, dia após dia, o seu espaço na internet.

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