Empresários de turismo e eventos preveem crescimento com a retomada das atividades em SC

Impulsionados pelo auxílio das linhas de crédito e avanço na vacinação , os dois setores, duramente atingidos pela pandemia de Covid-19, contornam a crise e têm expectativa de incremento nos negócios

Em 2019, a economia brasileira e a catarinense avançavam a passos largos. O PIB (Produto Interno Bruto) fechou o ano com 1,1% de crescimento em relação a 2018 no país. Santa Catarina alcançou um PIB de R$ 323,26 bilhões em 2019, o sexto maior valor no Brasil. A variação em volume foi de 3,8%, representando o terceiro maior crescimento entre todos os Estados.

Em março de 2020,  a pandemia de Covid-19 pegou a todos de surpresa. Com a ameaça e os riscos de exposição ao coronavírus, a economia, que crescia de forma significativa no Estado, parou – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDEm março de 2020,  a pandemia de Covid-19 pegou a todos de surpresa. Com a ameaça e os riscos de exposição ao coronavírus, a economia, que crescia de forma significativa no Estado, parou – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

Com praias de tirar o fôlego, paisagens exuberantes e as mais variadas opções para os diferentes setores turísticos, como o de aventura, religioso, de eventos, corporativo, entre outros, a expectativa era de um salto no desenvolvimento econômico crescente nos anos seguintes.

Em março de 2020, no entanto, a pandemia de Covid-19 pegou a todos de surpresa. Com a ameaça e os riscos de exposição ao coronavírus, tudo parou. Os eventos foram paralisados por decreto estadual, o turismo também. Repentinamente, os planos, tão seguros quanto a atividade era considerada pelos visitantes no Estado, viraram incertezas e prejuízos enormes a serem contornados.

Os desafios impostos pela chegada do novo vírus mudaram, então, as relações pessoais, profissionais e transformaram os negócios em todos os segmentos econômicos nacionais e mundiais. Nos micro e pequenos negócios, esse impacto foi sentido de forma ainda mais acentuada, especialmente para quem dependia justamente dos encontros, reuniões presenciais para atuar.

“Foi um período muito difícil, principalmente no início da pandemia, quando houve o lockdown. Os hotéis foram muito afetados, porque ao contrário das lojas, do comércio, que tiveram uma saída e viram um salto gigantesco no ecommerce, a hotelaria necessita que o hóspede esteja dentro da nossa casa. Então, muitas vezes, chegou a ser desesperador. Nós, empresários do setor, conversávamos por grupos e nos encontrávamos sem reação, sem saber pra onde correr. Mais tarde as coisas se acalmaram e alguns segmentos tiveram uma reação mais rápida, como os hotéis fazenda, por exemplo, que foram muito procurados como um refúgio, como ambientes de isolamento. Depois os hotéis de praia também tiveram um retorno nesse sentido e proporcionar um alivio, principalmente para as crianças, que não aguentavam mais ficar em casa. Quem enfrentou e ainda enfrenta mais dificuldades é o turismo de negócios”, explica Rui Schürmann, diretor presidente da ABIH-SC (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina).

Setor hoteleiro foi um dos mais afetados pela pandemia e agora espera recuperar perdas na temporada, explica Rui Schürmann, diretor presidente da ABIH-SC (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina) – Foto: Reprodução/NDTVSetor hoteleiro foi um dos mais afetados pela pandemia e agora espera recuperar perdas na temporada, explica Rui Schürmann, diretor presidente da ABIH-SC (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina) – Foto: Reprodução/NDTV

Schürmann ressalta que alguns hotéis chegaram a demitir 80% do seu quadro. “Isso é muito triste, pois muitos estabelecimentos têm uma relação muito forte, de 20, 30 anos com seus funcionários, são praticamente da família”, afirma.

O dirigente conta que, aos poucos, com o avanço na vacinação, as atividades passaram a ser retomadas e que o momento agora é de esperança e muita expectativa para os próximos meses.

“Tivemos que tomar medidas mais fortes no início, para poder retomar as atividades depois. Quem não demitiu, não tomou providências rapidamente, ficou esperando a economia se recuperar em dois, três meses, fechou as portas, quebrou. Agora, felizmente, com o avanço na vacinação, o quadro é outro, há uma tranquilidade, com as UTIs (unidades de terapia intensiva) e equipes de saúde mais liberadas, e a expectativa é de uma forte temporada. Teremos um ótimo verão pela frente. Os feriados, que tiveram uma forte ocupação, já foram uma amostra, o último foi muito bom”, comenta.

Preparação para a temporada

No Hotel Faial, de Florianópolis, 2020 também foi um período de muitas dificuldades e o ano de 2021 foi um período de superações e expectativas positivas para o futuro. Adriano Palma Silva, CEO do Hotel Faial, conta que o empreendimento tinha 72 funcionários em março de 2020. “Com o fechamento das atividades, logo no início da pandemia, fizemos várias demissões e chegamos a ficar com dez trabalhadores. Chegamos a retomar as contratações, mas então tivemos um lockdown e paralisamos tudo novamente. Agora vivemos um período de esperança com essa nova procura registrada para a temporada, que deverá ser histórica na cidade”, explica.

Hotel Faial, em Florianópolis, se preparou para uma temporada acima da média nesse verão – Foto: Reprodução/NDTVHotel Faial, em Florianópolis, se preparou para uma temporada acima da média nesse verão – Foto: Reprodução/NDTV

Silva reforça que o hotel está preparado para a temporada desse ano. “A equipe está completa para o verão, estamos preparados para uma temporada como foi a de 2019, que foi muito boa, para cima. A procura está cerca de 30 a 40% maior que antes, então, com o alto percentual de vacinação na Capital, por exemplo, a previsão é de que tenhamos um verão acima da média”, afirma.

Retomada no setor de entretenimento

Outro segmento duramente atingido pela pandemia foi o de entretenimento.  Logo no primeiro mês de pandemia, em abril de 2020, uma pesquisa realizada pelo Sebrae, em parceria com a Abeoc (Associação Brasileira de Empresas de Eventos) e a Ubrafe (União dos Promotores de Feiras), mostrou que 98% das empresas de eventos foram impactadas pelas restrições sociais e sanitárias. O faturamento de algumas delas, aponta o levantamento, diminuiu em até 100% em relação a abril de 2019.

Grande parte destas empresas ainda não se recuperou ou fechou as portas. Quem conseguiu manter as operações teve que se reiventar, diz Romeu Pompilio, vice-presidente da Anpe (Associação dos Produtores de Entretenimento).

“O primeiro setor que parou foi o entretenimento. Fizemos vários apelos para o governo pedindo para que a atividade retornasse de maneira segura e as coisas foram ocorrendo gradativamente. Mas o fato é que, com o lockdown, tivemos que parar, isso aumentou o desemprego, o empresário ficou na incerteza, sem saber quando as atividades seriam retomadas. Infelizmente, hoje, quase 40% dos empreendedores que tinham bares e casas noturnas não vão retornar porque quebraram. Isso impacta num dano muito grande para o empresário e toda a cadeia no Estado”, avalia.

Profissionais e empresários do setor de eventos também estão otimistas com retorno das atividades – Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Secom/ Divulgação/NDProfissionais e empresários do setor de eventos também estão otimistas com retorno das atividades – Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Secom/ Divulgação/ND

O avanço na vacinação, no entanto, mudou todo esse quadro e as perspectivas são de incremento na área, especialmente a partir de janeiro, antecipa Pompilio.

“Agora enxergamos um cenário muito melhor já em janeiro. Com a maioria da população em Florianópolis e no Estado já completamente imunizada, acreditamos que essa é a hora do setor ter as atividades liberadas e retomarmos o crescimento. Agora vivemos uma euforia por parte dos empresários, que estão planejando eventos de fim de ano, Carnaval, que querem voltar a trabalhar, isso aquece o setor e a economia do município, do estado e do país. Por isso, fazemos um apelo para que todos se vacinem e tomem as doses de reforço, para que o cenário melhore para todos, cada vez mais”, finaliza o dirigente.

Crédito para impulsionar as micro e pequenas empresas

Muitos dos empresários destes segmentos atingidos em cheio pela pandemia encontraram uma saída para se manter de portas abertas nas linhas de crédito. Em Santa Catarina, desde julho agosto deste ano, o programa SC Mais Renda Empresarial oferece operações de crédito para micro e pequenos empreendedores e MEIS (microempreendedores individuais).

Criado justamente para atender empresários afetados pela pandemia de Covid-19, o programa oferece linhas de crédito para os micro e pequenos empresários de até R$ 100 mil com juros subsidiados integralmente pelo Governo do Estado para aqueles que estiverem adimplentes, com carência de até 12 meses e 36 meses para amortização.

Para os MEIs, o valor para financiamento é de até R$ 10 mil, tendo 6 meses de carência e 12 meses de amortização. Os empréstimos são viabilizados pelo BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) e pelo Badesc – Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina -, com o apoio de cooperativas de crédito conveniadas.

Marcelo Haendchen Dutra, vice-presidente e diretor de Acompanhamento e Recuperação de Crédito do BRDE destaca que a iniciativa é inédita no Estado Foto: Reprodução/NDTVMarcelo Haendchen Dutra, vice-presidente e diretor de Acompanhamento e Recuperação de Crédito do BRDE destaca que a iniciativa é inédita no Estado Foto: Reprodução/NDTV

Segundo Marcelo Haendchen Dutra, vice-presidente e diretor de Acompanhamento e Recuperação de Crédito do BRDE, a iniciativa é inédita no Estado.

“O programa concede um grande diferencial de o empresário poder receber um recurso, num período difícil, quando talvez nem faturamento ele tivesse, e poder pagar mais adiante. O micro e pequeno empreendedor vai ficar um ano praticamente sem efetuar pagamentos e somente depois deste período ele vai devolver esse montante, ao longo dos três anos subsequentes, no exato valor que ele pegou emprestado. Na prática é juro zero! Este subsídio concedido pelo Governo do Estado, através da sensibilidade do governador Carlos Moisés, é uma conquista importante para os setores mais atingidos pela pandemia.”, explica.

Mais de R$ 200 milhões financiados

O diretor financeiro do BRDE, Eduardo Pinho Moreira, acrescenta que a iniciativa foi idealizada como um plano de governo. “Esse programa tem um grande alcance social. Santa Catarina, assim como o mundo todo, também sofreu as consequências da Covid-19, isso trouxe uma instabilidade econômica e financeira para essas micro e pequenas empresas e para os microempreendedores individuais. E o governo de Santa Catarina, sensível a essa questão, buscou junto aos seus parceiros, O BRDE e o Badesc, a condição de atendermos esses empresários e essas pessoas atingidas fortemente”, ressalta.

Até o momento, de acordo com Pinho Moreira, já foram financiados mais de R$ 200 milhões e firmados mais de 3.560 contratos para micro e pequenos empresários e MEIs. “Por isso registramos uma procura imensa pela iniciativa, por meio das cooperativas de crédito parceiras, mais de 70% do território catarinense foi atendido por esse grande programa social de geração de empregos”, reforça.

O diretor financeiro do BRDE, Eduardo Pinho Moreira, ressalta o grande alcance social da iniciativa e diz que a ação  foi idealizada como um plano de governo -Foto: Reprodução/NDTVO diretor financeiro do BRDE, Eduardo Pinho Moreira, ressalta o grande alcance social da iniciativa e diz que a ação  foi idealizada como um plano de governo -Foto: Reprodução/NDTV

Podem solicitar o empréstimo MPEs, até o dia 31 de dezembro deste ano, MPEs com faturamento bruto de até R$ 4,8 milhões por ano e é necessário que a atividade principal ou secundária seja nos setores de turismo, bares, restaurantes, eventos, educação, transportes, salões de beleza e estética, comércio varejista e atacadista, atividades de contabilidade, artigos de vestuário e confecções de vestuário.

Além do pagamento das parcelas em dia para ter direito aos juros subsidiados, os micro e pequenos empreendedores beneficiados devem manter quadro de funcionários compatível com a realização da sua atividade econômica, mantendo, no mínimo, o mesmo quadro de funcionários pelo período da carência concedida.

Além da geração de renda e desenvolvimento dos negócios, desde o início do programa, o SC Mais Renda Empresarial ajudou a manter mais de 12,5 mil empregos em diversos setores da economia do Estado.

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BRDE – SC mais renda empresarial

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