Entenda os impactos do aumento no preço do combustível em SC

Reajuste no valor da gasolina, do diesel e do gás de cozinha (GLP) reflete em diversos setores que dependem desses combustíveis

O reajuste no preço dos combustíveis anunciado pela Petrobras traz um impacto significativo na vida de milhares de brasileiros. Isso porque o aumento no valor da gasolina, do diesel e do gás de cozinha (GLP) reflete em diversos setores que dependem desses combustíveis.

Reajuste no preço da gasolina já é sentido nos postos da Capital catarinense – Foto: Bruna Stroisch/NDReajuste no preço da gasolina já é sentido nos postos da Capital catarinense – Foto: Bruna Stroisch/ND

O preço médio de venda da gasolina nas refinarias da Petrobras passará a ser de R$ 2,25 por litro, refletindo aumento médio de R$ 0,17 por litro, equivalente a 8,2%.

O preço médio de venda do diesel passará a ser de R$ 2,24 por litro, refletindo aumento médio de R$ 0,13 por litro (5,6%).

Já o gás de cozinha vai custar, para as distribuidoras, R$ 2,91 por quilo, (equivalente a R$ 37,79 por botijão de 13kg), salto de R$ 0,14 por kg, um aumento de 5%.

A correção dos preços passou a valer a partir desta terça-feira (9), segundo a Petrobras. Os novos preços tendem a ser repassados para o consumidor.

Reação em cadeia

De acordo com Bruna Soto Cardoso dos Santos, economista da Esag/Udesc (Centro de Ciências da Administração e Sócio Econômicas da Universidade do Estado de Santa Catarina), o reajuste nos combustíveis reflete em tudo que depende dos transportes. Esse aumento de preço acaba gerando uma reação em cadeia.

O primeiro baque no bolso do consumidor será sentido nas bombas dos postos de combustíveis e, em seguida, a tendência é de que outros setores comecem a repassar esse reajuste.

“Os setores que dependem do transporte vão compensar esse reajuste nos produtos. O aumento do preço da gasolina impacta no setor de hortifrúti, por exemplo, que precisa fazer o transporte dos produtos da zona rural para a cidade. Consequentemente, o preço dos alimentos acaba subindo também”, explica a economista.

Primeiro baque no bolso do consumidor é sentido nas bombas de gasolina, mas aumento dos combustíveis tem reflexos em tudo que depende do transporte – Foto: Freepik/DivulgaçãoPrimeiro baque no bolso do consumidor é sentido nas bombas de gasolina, mas aumento dos combustíveis tem reflexos em tudo que depende do transporte – Foto: Freepik/Divulgação

Preocupação do setor de transportes

O presidente da Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina), Ari Rabaiolli, diz que o órgão acompanha com preocupação a alta no preço dos combustíveis.

“Isso tem trazido prejuízos ao setor porque as empresas não conseguem passar de imediato o reajuste aos embarcadores. Além disso, impacta a sociedade que tem que reorganizar o orçamento mensal”, diz Rabaiolli.

Segundo ele, a Fetrancesc tem reivindicado ao governo federal, Petrobras e ao Ministério de Minas e Energia, a mudança no reajuste do preço dos combustíveis.

“Sugerimos a criação de um fundo de estabilização do preço que amorteceria a volatilidade natural do mercado de petróleo. Com isso, poderíamos ter esses reajustes com uma diferença maior de tempo. Facilitaria a administração desse aumento e o repasse aos embarcadores. Também teríamos uma estabilidade maior no orçamento”, argumenta.

Impacto na inflação

A Petrobras promove o sétimo aumento seguido – o terceiro somente em 2021 – no valor da gasolina. Já o preço do diesel emplaca uma sequência de seis altas consecutivas.

Segundo a estatal, os preços acompanham a cotação dos produtos no mercado internacional e a taxa de câmbio. Os preços praticados pela Petrobras estão relacionados ao valor do litro do combustível na refinaria.

De lá, os combustíveis ainda passam pelas distribuidoras, para, depois, chegar aos postos. Há ainda uma série de impostos e outros custos adicionados nesse percurso. Os aumentos da Petrobras podem ser repassados integralmente ou não para o consumidor nessa cadeia.

Ainda assim, o aumento de 8,2% na bomba já teria um impacto significativo no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de inflação medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Isso porque a gasolina tem um peso grande no índice. O IPCA considera o preço da gasolina nos postos.

Economistas calculam que um aumento de 8,2% da gasolina nos postos de combustível acrescentaria 0,4 pontos percentuais à inflação.

ICMS da gasolina em SC é o menor do país

Um dos impostos que incide sobre o preço da gasolina é o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

De acordo com a Secretaria de Estado da Fazenda, o ICMS da gasolina em Santa Catarina é de 25%, menor percentual do país. Já o ICMS do diesel é de 12%, também o menor percentual nacional.

O valor do ICMS dos combustíveis é definido pelo PMPF (Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final), atualizado pela Diretoria de Administração Tributária da Secretaria de Estado da Fazenda.

O cálculo é feito semanalmente, a partir da média de preços nos postos de combustíveis de todo o Estado.

Confira o ICMS da gasolina e do diesel

Tabela mostra o ICMS sobre a gasolina e o diesel. Referência fevereiro/2021 – Foto: SEF/Divulgação/NDTabela mostra o ICMS sobre a gasolina e o diesel. Referência fevereiro/2021 – Foto: SEF/Divulgação/ND

“Outros reajustes virão”

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (8) que outros reajustes relacionados ao preço dos combustíveis ocorrerão nas próximas semanas.

Durante entrevista à TV Bandeirantes, o chefe do Executivo federal comentou que existe uma “previsão” de que o preço do barril de petróleo irá aumentar no mercado internacional, o que, segundo explicou Bolsonaro, terá impacto direto na Petrobras.

“Há uma previsão de um aumento do petróleo lá fora, aumentar em 10 dólares nas próximas semanas o preço do barril de petróleo lá fora, e isso vem quase que automaticamente para a Petrobras. A Petrobras tá diluindo esse aumento. Então, outros reajustes virão. E o que nós queremos é a previsibilidade”, declarou o presidente.

*Com informações do Metrópoles

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