Gigantes do varejo derrubam barreiras entre o digital e o presencial

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O físico e o virtual estão cada vez mais próximos e lojistas estão atentos a esse movimento do mercado

O varejo é a venda direta ao comprador em pequenas quantidades. É o contato direto entre o vendedor e o consumidor final, sem intermediários. Surpreendidos pela pandemia e os riscos trazidos por ela, os lojistas reviram seus conceitos e adaptaram-se à nova realidade com a ampliação dos canais on-line e, agora, diante da retomada presencial, trabalham o meio virtual em favor das vendas físicas.

Alguns setores chegaram a ter crescimento nas vendas.

A cena do casal fazendo compras numa cama em corredor de shopping que ilustra essa edição está cada vez mais perto da realidade. – Foto: Ilustração/Pablo Mayer/NDA cena do casal fazendo compras numa cama em corredor de shopping que ilustra essa edição está cada vez mais perto da realidade. – Foto: Ilustração/Pablo Mayer/ND

O diretor da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Florianópolis e gestor de Compras das Lojas Koerich, Eduardo Koerich, observa que as vendas cresceram durante a quarentena, impulsionadas pelo meio virtual.

“O setor de móveis e eletrodomésticos foi um dos que cresceu mesmo na

pandemia. Porque as pessoas que ficaram mais em casa acabaram equipando seu lar, principalmente com equipamentos para home office, como celulares, notebook, escrivaninha”, diz.

Koerich destaca que a pandemia provocou um aceleramento nos processos on-line da loja, e essa é uma área que deve ganhar mais investimentos no futuro.

“Nós estamos buscando expandir nosso negócio, e focando bastante no nosso canal on-line. É algo que já estava em desenvolvimento antes da pandemia e tivemos que dar uma acelerada”.

“Muitos clientes nunca haviam comprado pela internet e a pandemia exigiu isso deles. Até em outros segmentos, como supermercados. Antes, as vendas eram cerca de 70% em lojas físicas e 30% em virtuais. Quando começou a pandemia chegou a ficar 50% para cada. A partir de agora, começa a aumentar um pouco mais a participação do offline, com as pessoas saindo mais para as ruas e circulando pelo comércio. Mas eu acredito que esse número estabilize em 60% para loja física e 40% virtual”, calcula Koerich.

Atraindo o consumidor

De acordo com o gestor de compras, mesmo com todo o crescimento do canal virtual, o momento vai exigir atenção muito especial para as lojas físicas, que devem trazer uma diferença para continuar competitiva no mercado.

“A gente vai continuar investindo e ampliando as lojas físicas, mas cada vez mais estamos procurando dar uma experiência diferente para o consumidor nesses espaços. Elas nunca vão deixar de existir, mas têm que agregar alguma coisa que faça o cliente querer ir na loja física, porque se não for diferente, ele vai comprar só no on-line. Então, vamos ter que nos engajar mais em treinamentos das pessoas, na qualificação do mostruário, porque o consumidor gosta de ir na loja, ver o produto de perto, conversar com o vendedor.”

Economista aponta divisões nos impactos da pandemia entre os setores do varejo

O economista Guilherme Alano, mestre em Finanças Comportamentais pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), pontua que o impacto da crise sanitária da Covid-19 nas vendas do varejo foi enorme em alguns segmentos, mas outros sofreram menos.

“O que amenizou as perdas, bastante, foram os auxílios emergenciais, que despejaram bilhões de reais diretamente na conta de milhões de famílias e parte desse auxílio virou consumo. Também é importante lembrar que houve uma mudança grande no perfil de consumo. Alguns setores passaram imunes à pandemia, outros sofreram muito.”

O economista frisa, ainda, que a relação entre as lojas e o cliente passa a ser mais importante do que nunca. “Um pós-venda de um produto, trocando rapidamente, caso venha com algum defeito, por exemplo, será um ponto cada vez mais observado pelo consumidor.”