Guerra na Ucrânia provoca encarecimento da matéria prima para 71% das indústrias de SC

Apenas 24,3% dos industriais catarinenses acreditam que a normalização da oferta de insumos e matérias-primas acontecerá em 2023

A Guerra entre Rússia e Ucrânia já provocou aumento dos custos com insumos e matérias-primas em 70,7% das empresas industriais e da construção de Santa Catarina.

Encarecimento da matéria-prima afeta 71% das empresas industriais de Santa Catarina – Foto: Renan Medeiros/Secom/Divulgação/NDEncarecimento da matéria-prima afeta 71% das empresas industriais de Santa Catarina – Foto: Renan Medeiros/Secom/Divulgação/ND

De acordo com a Sondagem Especial realizada pelo Observatório Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) e pela CNI (Confederação  Nacional da Indústria), 52,1% das empresas sentiram aumento acima do esperado no preço dos insumos importados.

A Rússia é considerada uma das principais fornecedoras mundiais de diversas commodities industriais e vem sofrendo com sanções econômicas que acabam contribuindo para o encarecimento das importações.

“Esse quadro afeta diretamente a produção industrial catarinense, que é dependente de insumos industriais do restante do país e do exterior”, alerta o Observatório Fiesc.

Por conta disso, as 38,6% das empresas catarinenses declararam que estão analisando as estratégias de aquisição de matérias-primas no Brasil e 30% procuram novos fornecedores no exterior.

Expectativa de normalização

Ainda conforme a Sondagem Especial, apenas 24,3% dos industriais catarinenses acreditam que a normalização da oferta de insumos e matérias-primas acontecerá em 2023. Por outro lado, 21,4% dos consultados acreditam que ocorrerá no 3º trimestre de 2022.

O encarecimento dos preços dos insumos representam o maior impacto para 65,8% dos entrevistados. Em seguida, 50% relataram aumento no custo de energia (diesel, óleo combustível, gás, carvão).

Outros 39,5% relataram dificuldade logística no transporte, por exempli, falta de navios/contêineres ou aumento do preço dos fretes.

Ainda de acordo com o Observatório Fiesc, a queda na produção industrial, em virtude da constante pressão no preço dos insumos e matérias-primas, está sendo percebida em outros estados brasileiros mais industrializados.

Além disso, a desaceleração da economia chinesa e o aperto monetário mundial também contribuem para as dificuldades no setor industrial.

Ucrânia perde 25% das terra aráveis durante guerra

A Ucrânia perdeu 25% de suas terra aráveis por conta da ocupação russa de algumas regiões do Sul e no Leste, apesar de não representar “uma ameaça para a segurança alimentar” do país, disse o ministério da Agricultura na última segunda-feira (13).

Invasões iniciaram em fevereiro deste ano – Foto: Anatolii Stepanov/AFP/NDInvasões iniciaram em fevereiro deste ano – Foto: Anatolii Stepanov/AFP/ND

“A estrutura dos cultivos plantadas este ano é mais do que suficiente para garantir o consumo” da população ucraniana, disse o vice-ministro da Agricultura, Taras Vysotskiy, em entrevista coletiva.

De acordo com informações da AFP, o ministro alegou que “o consumo também diminuiu devido aos deslocamentos maciços [da população] e às migrações externas” para fora do país.

Apesar da perda significativa de terras nas mãos dos russos, “a atual estrutura de terras cultivadas (…) não representa uma ameaça à segurança alimentar da Ucrânia”, disse Vysotskiy à imprensa.

“Os agricultores ucranianos conseguiram se preparar relativamente bem para o plantio antes do início da guerra”, acrescentou.

“Até fevereiro, a Ucrânia já havia importado cerca de 70% dos fertilizantes necessários, 60% dos produtos fitossanitários e cerca de um terço do combustível necessário” para o plantio, disse.

No entanto, a ocupação russa de várias regiões ucranianas e o bloqueio de grãos de Moscou no Mar Negro forçaram os agricultores ucranianos “a mudar o que e quanto plantar”, acrescentou.

Antes da guerra, a Ucrânia tinha mais de 30 milhões de hectares de terra arável, de acordo com o World Data Center-Ukraine, uma ONG internacional.

*Com informações da AFP

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