Morar em Balneário Camboriú exigiria salário 457% maior que o mínimo

Pesquisa nacional aponta que salário mínimo no Brasil deveria ser de R$ 6,7 mil para suprir as necessidades dos moradores

Uma pesquisa do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) demonstrou que, para viver no Brasil e considerando gastos com moradia, alimentação, lazer e outras necessidades básicas, seria necessário um salário mínimo de R$ 6.754,33. O valor é 457% maior que os atuais R$ 1.212.

Mais caro: morar em Balneário Camboriú exige salário de mais de R$ 6 mil – Foto: Arquivo/Bruno Golembiewski/NDMais caro: morar em Balneário Camboriú exige salário de mais de R$ 6 mil – Foto: Arquivo/Bruno Golembiewski/ND

O estudo considera o preço de produtos da cesta básica referente ao mês de abril, em uma média nacional.

Em Balneário Camboriú, cidade com um dos valores mais altos da gasolina e do metro quadrado mais caro do Brasil, o valor pode ficar ainda maior, considerando gastos como alimentação, transporte, energia e lazer, além do aluguel.

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A gerente de marketing Daniele de Sousa mora em Balneário Camboriú há dois anos. Ela conta que a cidade sempre foi mais cara, mas que oferecia mais comodidade em serviços “na porta de casa”.

No entanto, devido ao aumento dos preços, as compras no mercado passaram a ser feitas após uma pesquisa comparativa, não no mercado mais próximo de casa. “Os valores estão absurdos! Do leite, de um mercado para o outro, já consegui fazer a comparação de R$ 2,50 de diferença de valor”, comenta.

“Isso no fim do mês acaba pesando bastante. A gasolina em Balneário Camboriú está mais cara também, tem postos de gasolina com o valor de R$ 7,16 já”, afirma.

A inflação tem afetado não apenas as despesas essenciais, mas também os momentos de lazer. “Antes a gente jantava e almoçava fora aos finais de semana duas, três vezes. Agora reduzimos para apenas uma vez”, afirma. Não foi apenas a frequência que mudou: “também os locais mudaram bastante, pesquisamos muito antes de ir e procuramos locais com descontos”.

Para o advogado tributarista Thiago Alves, diretor do IBGPT (Instituto Brasileiro de Gestão e Planejamento Tributário), que tem sede em Balneário Camboriú, é possível “sobreviver” com um salário de R$ 3 mil (o que já é mais que o dobro do salário mínimo). No entanto, viver bem demandaria uma renda mensal de, pelo menos, R$ 6 mil. “Sem exageros”, reforça.

“Balneário Camboriú é um paradigma: tem o luxo dos apartamentos, mas a maioria da população que mora aqui de verdade é assalariada, são os trabalhadores da construção civil, dos hotéis, dos restaurantes, das lojas”, afirma o advogado.

Por isso, para o advogado, Balneário Camboriú consegue oferecer locais mais em conta e outros mais luxuosos. “É possível almoçar por R$ 20 num buffet ou gastar R$ 400 numa refeição”, comenta.

Mas todo o mercado de luxo que projetou Balneário Camboriú para o mundo afeta também a tributação que é paga por empresários, moradores e visitantes.

Alves compara o valor do ISS (Imposto Sobre Serviços), tributação paga por empresários. Em Balneário Camboriú, a alíquota do imposto pode chegar a 5%, mais que o dobro do valor praticado na vizinha Camboriú, que é de 2%.

Não é apenas o ISS, mas o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis), que são impostos recolhidos pelo município, além dos outros vários recolhidos pelo Estado e pela União.

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