Na Ponta das Canas, pescadores consertam rede de 700m para safra da tainha

A partir de sábado, os pescadores artesanais podem fazer arrastão nas praias de Florianópolis; barcos só podem se lançar ao mar no dia 15, com rede anilhada

Os pescadores nativos de Florianópolis estão nos últimos preparativos para mais uma safra da tainha! Neste sábado, 1º de maio, será liberada a pesca no modelo arrasto de praia. A partir do dia 15, embarcações maiores – também de pescadores artesanais – poderão se lançar ao mar com rede anilhada, até 31 de julho. Finalmente, em 1º de junho, a liberação é para os barcos industriais.

Manoel Oliveira, o Deca, está com 71 anos e pesca desde os 16 – Foto: Leo Munhoz/NDManoel Oliveira, o Deca, está com 71 anos e pesca desde os 16 – Foto: Leo Munhoz/ND

Valdir Secundino Santos, filho e neto de pescador da Ponta das Canas, Norte da Ilha, é dono do barco Vencedor, que será liberado no dia 15. Mas ele não está contente com o limite imposto pela Secretaria de Aquicultura e Pesca do governo federal.

“Estou com 66 anos, mais de 50 de pesca. A gente trazia tudo quanto é tipo de peixe. Ia com duas, três redes para o barco, trazia qualidade e não tinha problema”, conta.

Na tarde de segunda-feira (26), Valdir e mais três nativos consertavam a rede a ser lançada pelo barco Vencedor. Trabalham na manutenção da rede, que tem entre 650 a 700 metros, os pescadores Pablo Santos – filho de Valdir, Adenir da Silva Junior, hoje com 32 anos e pescador desde os 14, e Manoel Oliveira, o Deca, 71, pescando desde os 16. Todos da Ponta das Canas.

Cota menor nesta safra da tainha

Conhecedores dos segredos do mar, Valdir e a tripulação estão insatisfeitos com a diminuição da cota para as 130 embarcações como a dele. Juntas, podem tirar do mar até 780 toneladas nesta safra da tainha.

Tripulação do barco Vencedor fazendo últimos ajustes na rede que pode ir ao mar a partir de 15 de maio – Foto: Leo Munhoz/NDTripulação do barco Vencedor fazendo últimos ajustes na rede que pode ir ao mar a partir de 15 de maio – Foto: Leo Munhoz/ND

“Peixe não está terminando, mas está sendo proibido de trabalhar”, lamenta o pescador que começou na atividade aos oitos anos acompanhando o pai, Secundino Anastácio dos Santos.

Ele trabalhou com grandes embarcações, viajando pelos mares do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro: “Eu também já tive, mas vendi. Estou cansado das leis que estão proibindo a gente de trabalhar”, lamenta.

Uma das principais reclamações de Valdir é que, antes, conseguia pescar todo tipo de peixe com uma só licença. Agora, precisa de uma específica para cada pescado. Seu filho, Pablo, 41 anos, 22 no mar, também questiona as mudanças.

“Pescador artesanal pega o peixe que passa na região e depende muito do clima. No caso da tainha, precisamos de frio e vento sul”. Na visão de Pablo, a cota destinada aos pescadores artesanais é pequena.

Nem todo pescador sabe fazer os reparos na rede de pesca, um dos instrumentos mais importantes na pesca – Foto: Leo Munhoz/NDNem todo pescador sabe fazer os reparos na rede de pesca, um dos instrumentos mais importantes na pesca – Foto: Leo Munhoz/ND

“Se não tiver tainha de 15 de maio a 31 de julho, não podemos pegar nenhum outro tipo de peixe. Vamos viver de quê? Antes, quando não tinha tainha, a gente tentava embarcar corvina para se safar, mas hoje não pode”, ressalta o pescador.

E faz questão de repetir: “Pescador não é contra lei, é contra lei feita sem conhecimento de campo”.

Pablo enfatiza que muitos fatores podem determinar uma safra. “Ano passado foi ano de muito peixe, mas na praia. O peixe encostava no costão, não saia e a canoa de praia pegava. Pegamos 5 toneladas. Uma safra boa tem que ser 20 toneladas ou mais”, calcula.

Manutenção na rede

Esbanjando habilidade na manutenção da rede, Deca se orgulha do ofício, pois diz que nem todo pescador sabe trabalhar nos ajustes na rede.

Adenir da Silva Junior tem 32 anos anos e pesca desde os 14 – Foto: Leo Munhoz/NDAdenir da Silva Junior tem 32 anos anos e pesca desde os 14 – Foto: Leo Munhoz/ND

“Somos pescadores artesanais também, mas para nós começa no dia 15, diferente da pesca de praia, que é com canoa. A nossa é uma embarcação com rede anilhada. Em vez de ficar esperando o peixe, vamos procurar no mar”, explica.

Ele deve ficar mais alguns dias trabalhando na manutenção da rede. Depois que tudo estiver pronto, começam os trabalhos no mar.

Dono da embarcação, Valdir conhece as variáveis, mas tem expectativa de uma boa safra.

“Pescaria depende do clima. A água lá fora está 25°C. Isso é ruim, porque tainha é em corrente marítima. Se a temperatura não estiver propícia, ela não vem. Como a corrente está quente, por enquanto está devagar, mas a expectativa é para muito peixe”.

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