Novo lar é prático, conectado e acolhedor

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Consumidores querem imóveis que ofereçam funcionalidade e bem-estar enquanto que setor busca soluções tecnológicas para entregar simplicidade e segurança na hora da venda

Diante de uma tela – seja de televisão, celular ou com um óculos de realidade virtual -, o cliente visita as mais diversas opções de imóveis, sem tirar os pés de onde está.

Recebe imagens inclusive de drones e conta com a geolocalização para saber detalhes precisos da oferta. Os ambientes, cada vez mais inteligentes e conectados.

Considerando a média, locatário com imóvel na Capital tem retorno superior a 4% ao ano- Foto: Getty Images/NDConsiderando a média, locatário com imóvel na Capital tem retorno superior a 4% ao ano- Foto: Getty Images/ND

A busca é por casas ou apartamentos que possam aliar conectividade e conforto, tanto para estudar e trabalhar, quanto para descansar. Definida a escolha, todos os trâmites burocráticos são resolvidos por meio digital.

De forma prática e segura, a tecnologia revoluciona o mercado imobiliário do futuro.

A pandemia do coronavírus é um marco nesse processo de desenvolvimento.

O período introduziu novas necessidades ao consumidor e acelerou o incremento da inovação em todos os processos de negociação.

Além disso, as circunstâncias econômicas antecipam, pelo menos no curto prazo, uma oportunidade para comprar ou vender e uma dificuldade para alugar.

Se hoje já é possível comprar ou vender um imóvel de forma totalmente digital, a tendência sinaliza que a implementação de novas tecnologias torne as negociações ainda mais práticas e seguras.

“O corretor consegue fazer vídeo-chamadas, mostrar imagens de drones, indicar a localização completa. Com a realidade aumentada, você pode fazer a visitação de onde você estiver. É possível comprar um imóvel sem sair de casa. Até as assinaturas podem ser digitais”, explicou a corretora Shaianne Graeff.

Fazer mais e melhor pelo cliente é o objetivo de quem vende. “Todos esses processos foram decorrentes de movimentos que já estavam em andamento, mas aceleraram após a pandemia. Podemos esperar ainda mais avanços para os próximos anos, que vão facilitar ainda mais o processo de compra”, antecipou o presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), Luiz França.

“É um ótimo momento para fazer a compra de imóveis. Tanto pelo bem-estar, que a pandemia nos mostrou ser tão importante, quanto por ser um bom investimento.”
Luiz França

Perfil de quem investe em imóveis se torna cada vez mais diversificado

O contexto sócio-econômico e as implicações da pandemia do coronavírus sinalizam que comprar um imóvel é uma tendência de investimento. “Terra nunca se perde”, lembra Luiz França, da Abrainc.

“As pessoas que investiam em outras fontes migraram para o ramo imobiliário, por ser algo com menor risco”, disse o gestor comercial e sócio da Basseto Group, William Dornelles, citando opções como studios de um dormitório.

A constatação é confirmada pela diretora do Secovi-SC (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais de Santa Catarina), Viviane Mondardo. “Os investidores perceberam a oportunidade de encontrar bons imóveis com valores atrativos”, disse.

O perfil dos investidores está mais amplo e diversificado. “Jovens a partir dos 25 anos passaram a buscar imóveis para investimento. Pessoas com mais de 60 anos, que antes buscavam se mudar para locais menores, procuram ficar em casas e passaram a investir em imóveis para os herdeiros”, disse a corretora Shaianne Graeff.

Novos hábitos pós-pandemia exigem conceitos diferentes de moradia

Quem opera no mercado de imóveis entende que o coronavírus trouxe uma ruptura que deve continuar pós-pandemia.

“Mudou muito o conceito. Estávamos buscando casas pequenas, quase no conceito chinês. E agora, visando um longo prazo, as pessoas buscam locais maiores e com opções de lazer”, disse a corretora Shaianne Graeff.

“Hoje temos vários empreendimentos com mini-mercados dentro do edifício, para facilitar o abastecimento sem ter que sair de casa”, acrescentou, ao citar diferenciais.

Muitas rotinas vieram para ficar. “É fundamental atender as demandas de trabalho e escola, com internet rápida e uma boa iluminação”, disse Luiz França. Ao mesmo tempo, as famílias buscam espaços que sirvam de refúgio para descansar.

“As varandas gourmet, por exemplo, foram grandes diferenciais neste período, se transformaram em escritório e também em área de lazer. Essa estrutura serviu para enfrentar a nova realidade”, acrescentou.

Taxas de juros abaixo da média histórica estimulam compra e venda
O momento, com taxa de juros baixas em relação a anos anteriores, favorece a tendência de investimento em imóveis.

“A taxa Selic está em um patamar baixo, em 7,25%, principalmente quando avaliamos o histórico brasileiro, em que a Selic quase sempre esteve acima de dois dígitos. A taxa de juros real continua negativa. Esse cenário configura um excelente momento para investimento em imóveis”, afirmou Luiz França.

Principal indicador para a construção civil, o CUB (Custo Unitário Básico) disparou durante a pandemia. Conforme o Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), entre julho de 2020 e julho de 2021, o aumento foi de 18,01%. No mesmo período entre os anos de 2017 e 2020, o máximo de variação foi de 6,13%.

A alta é justificada pela falta de matéria prima, como aço e ferro. “No início da pandemia, as usinas pararam totalmente. Então, quem tinha a matéria estocada, vendeu por um preço muito alto. E isso demora para estabilizar”, disse William Dornelles, da Basseto Group.

Mesmo diante da alta do CUB, é possível cravar que o mercado para compra e venda continuará aquecido nos próximos anos.

“Estamos vivendo um bom momento para compra de imóveis, tanto pelas taxas de juros que continuam baixas, quanto pelas condições inéditas de financiamento.”

Viviane Mondardo

Alta na “inflação do aluguel” desafia inquilinos e proprietários

Depois do forte impacto provocado pela pandemia do coronavírus, a expectativa é que o mercado de alugueis venha a se recuperar em longo prazo. Mas, quando o olhar se volta aos próximos meses, a tendência ainda é de retração.

“Houve muitas desocupações em função do trabalho em home-office e das escolas fechadas. Muitas pessoas buscaram bairros ou cidades mais afastadas, por não precisarem estar nos grandes centros. Outros recorreram a opções mais baratas”, disse Viviane Mondardo, do Secovi-SC. Diante da recuperação econômica, a tendência é de um novo cenário.

“Alguns bairros com a economia se consolidando têm aumento na locação. Outros, dependem de fatores, como da retomada do ensino presencial da Universidade Federal de Santa Catarina, no caso da Trindade, por exemplo”, disse Viviane.

Um fator a ser observado para os próximos anos diz respeito à variação do IGP-M, a chamada “inflação do aluguel”, que é medida pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Geralmente, os contratos são reajustados de acordo com esse valor, que disparou. Conforme o professor de Economia da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), José Osvaldo Coninck, a elevação de preços das commodities e da energia, além da desvalorização do real, foram fatores para esse aumento.

Em Florianópolis, o preço médio do aluguel é R$ 27,55/m². Isso representa um retorno de 4,19% ao ano para o dono do imóvel, conforme o especialista em mercado imobiliário e professor da FGV, Pedro Cunha.

“Existe uma forte tendência de aumento dos alugueis, em função do IGP-M. Quem conseguir negociar, ok. Mas, o dono do imóvel não tem obrigação de ceder uma cláusula contratual. O inquilino rescindindo o contrato, pode ter que arcar com multas. Então, ‘se correr o bicho pega e se ficar o bicho come’”, disse Cunha.