Pandemia impõe reeducação financeira

Controlar os gastos e planejar o futuro é o remédio para quem busca uma vida financeiramente saudável

Casal fazendo as contas, para controlar os gastos. – Foto: iStockphoto/ND.Casal fazendo as contas, para controlar os gastos. – Foto: iStockphoto/ND.

A fórmula é simples. E a solução não é segredo para ninguém. Não se pode gastar mais do que se ganha, repetem incansavelmente os especialistas. Mas a maioria dos brasileiros tem dificuldade de colocar isso em prática. Quem já andava na “corda bamba” perdeu de vez o controle das finanças com os reflexos econômicos da pandemia. Crise? Oportunidade? Aprendizado? Crescimento? Depende de como você vai reagir a tudo isso!

O cenário é preocupante. Postos de trabalho foram extintos e muitos funcionários tiveram redução da jornada de trabalho e do salário. Estudos da Fundação Getúlio Vargas apontam queda de 20% na renda dos brasileiros durante a pandemia. Na opinião do contador Éder Júnior, organizar as contas é justamente o primeiro passo para começar 2021 com o pé direito. Segundo ele, respaldados por um bom planejamento, é possível, sim, esperar que o próximo ano tenha melhores resultados financeiros.

Eu acredito que a pandemia serviu para que muita gente aprendesse, da pior forma, a importância da educação financeira. As incertezas geradas por ela, a perda de emprego ou diminuição da renda durante este período obrigou muitas pessoas a diminuírem seus gastos. Além disso, muita gente percebeu a importância de se ter uma reserva de emergência para momentos como esse”, completa Éder.

Para quem não está conseguindo honrar todos os compromissos, a orientação é renegociar. Busque readequar o valor das prestações a sua nova realidade, e você ainda pode conseguir uma boa redução no valor total de um eventual financiamento, já que os juros caíram. Para Heron Alves Pereira, supervisor comercial do Sicoob SC/RS, a primeira dica é ver quanto você está gastando com juros. “Agora a gente está numa fase da economia que a taxa de juros está muito baixa, a menor da história. E a gente também tem isenção de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Este imposto é grande parte do custo das operações de crédito. Se a pessoa renegociar nesse momento, ela tem a chance de pagar menos juros. ”

<span lang="pt">Mulher renegociando contas, readequando o valor das prestações a sua nova realidade. &#8211; Foto: </span>iStockphoto/ND.Mulher renegociando contas, readequando o valor das prestações a sua nova realidade. – Foto: iStockphoto/ND.

Heron destaca que, no começo de 2019, a taxa média de juros de operações de financiamento de veículo e crédito pessoal era de 3%, agora é de 1% ao mês. “É uma redução significativa. Vale a pena revisitar o que você contratou há um tempo pra tentar diminuir o valor das parcelas”, enfatiza ele.

E com a portabilidade de crédito, você também pode transferir a dívida de uma instituição financeira para outra que ofereça condições melhores. Só antes disso, alerta Heron, procure saber quanto você tem de dívida. Veja qual é o valor dos seus gastos fixos. E qual a parcela cabe no seu bolso.

Não comprometa mais que 30% em parcelas

Não adianta renegociar a dívida e não ter um cálculo de quanto se pode pagar mensalmente.  Para Heron Pereira, quem ganha de um a três salários mínimos não pode assumir uma parcela que comprometa um terço do que ganha. Nesta situação, qualquer imprevisto vai inviabilizar o pagamento do empréstimo. Já quem tem uma fonte de renda maior, aí sim, a parcela pode ser equivalente até 30% da renda mensal. “É preciso entender se, de fato, você pode assumir aquele compromisso. E não pensar só a curto prazo, mas lá na frente, ” orienta o supervisor.

Cartão de Crédito – aliado ou vilão? 

Casal pensando sobre usar ou não o cartão de crédito. &#8211; Foto: iStockphoto/NDCasal pensando sobre usar ou não o cartão de crédito. – Foto: iStockphoto/ND

Bem usado, ele é um excelente instrumento. Você compra hoje e pode pagar daqui um mês. Isso lhe dá um fôlego financeiro e seus gastos já ficam registrados automaticamente. Agora, para aqueles que deixam de pagar a fatura, e ainda passam a utilizar um segundo ou terceiro cartão, a situação pode fugir do controle. A taxa de juros do cartão está sempre nas alturas e a sua dívida pode quintuplicar em um ano.

A primeira dica para tornar o cartão de crédito um aliado do seu orçamento é assumir o controle das suas contas. Aproveite que o próprio cartão já facilita essa tarefa e comece a acompanhar com mais frequência as suas despesas. Monitorando com mais atenção os seus gastos, você pode planejar-se melhor e ter uma vida financeira mais saudável.

Mulher acompanhando as suas despesas &#8211; Foto: iStockphoto/NDMulher acompanhando as suas despesas – Foto: iStockphoto/ND

Para facilitar o controle de limites e gastos, o ideal é concentrar suas despesas em apenas um cartão. E a economista Marcela Kawauti, do SPC-Brasil, alerta que usar o limite do cartão sempre que o salário acaba é perigoso “porque você compra além do que pode pagar”.

Estabeleça valores adequados para a sua realidade e gatilhos que impeçam você de dar “um passo maior que a perna”, gastar além do que pode. Com controle e consciência, o cartão lhe garante ótimas vantagens. Pode até lhe render uma viagem sem desembolsar nada, só com os pontos acumulados com o uso do cartão.

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