Pandemia trouxe oportunidade de expansão para empresária de Chapecó

Com a ajuda do Programa SC Mais Renda empresarial, Miriam, proprietária da Pasteca, conseguiu não apenas manter as portas abertas, mas também ampliou as atividades e planeja abrir outras lojas no país

Miriam não apenas manteve as portas abertas, como ampliou as atividades e planeja abrir outras lojas no país. – Foto: Reprodução/NDTVMiriam não apenas manteve as portas abertas, como ampliou as atividades e planeja abrir outras lojas no país. – Foto: Reprodução/NDTV

Um dos cinco irmãos de uma família que tem o empreendedorismo no DNA, Miriam Teresinha Felippi Eireli sempre sonhou em ter o próprio negócio. “Essa vocação já vem da minha mãe, que há 50, 60 anos atrás colhia frutas como figo, uva e vinha vender aqui na cidade, em Chapecó. Somos em quatro irmãs e um irmão e todos têm ou já tiveram uma empresa”, conta ela.

A oportunidade veio há 29 anos, no dia 20 de setembro de 1993. “Eu passava em frente à pastelaria Pasteca, na época o local já tinha esse nome, todos os dias, e sempre ficava encantada com o negócio. “Até que um certo dia uma tia da minha mãe me informou que o estabelecimento estava à venda. Rapidamente consegui o recurso emprestado de um colega de trabalho, eu atuava em um frigorífico na época. Minha vontade de empreender era tamanha que fiquei sabendo da venda no dia 18 e no dia 20 assumi a pastelaria”, explica.

Desde que o sonho se tornou realidade, diz Miriam, os negócios cresceram e tudo ia muito bem, com planos de ampliação das atividades até que, em março de 2020, a pandemia de Covid-19 chegou e surpreendeu a todos, empresários, empregados e toda a sociedade.

“Quando a pandemia começou havíamos recentemente mudado o local da pastelaria, havíamos inclusive reunido a nossa loja física e o serviço de delivery e havíamos acabado de chegar no local em que estamos hoje. Era um momento de grandes perspectivas, estávamos com boas vendas e então, de uma hora para a outra, vimos nosso faturamento despencar 70% apenas primeiro mês, devido ao susto, pois todo mundo se fechou em casa para se proteger do coronavírus”, lembra.

O delivery, então uma das atividades já consolidadas da empresa e bem-sucedidas da empresa, foi a saída para manter o negócio em pé.

Vendas da pastelaria cairam 70% no primeiro mês de pandemia, altenativa foi recorrer ao delivery – Foto: Reprodução/NDTVVendas da pastelaria cairam 70% no primeiro mês de pandemia, altenativa foi recorrer ao delivery – Foto: Reprodução/NDTV

O estabelecimento se manteve de portas abertas devido às vendas online, mas o momento difícil e a necessidade de se reinventar e impulsionar as vendas levou Miriam a desbravar uma nova fatia de mercado. “Decidimos, então, começar a vender o que temos de melhor, a nossa massa, para supermercados e outras lojas. Foi então que o programa SC Mais Renda fez toda a diferença para alavancar essa nova atividade e nos possibilitou esse recomeço, pois oferece o recurso a juro zero e com carência de 12 meses”, afirma.

A empresária diz que conseguiu o financiamento por meio do Sicoob (Sistema de Cooperativas Financeiras do Brasil) em Santa Catarina, da qual já participa há anos. No momento, o empreendimento investe em maquinário para garantir uma boa produção.

“As perspectivas são as melhores possíveis, tanto em relação à loja física, como o delivery e a possibilidade das massas, que já tem aceitação grande no mercado, tanto do consumidor quando dos intermediários, padarias, casas de chá e as próprias pastelarias que já existem, pois queremos levar nossos produtores para eles poderem deixar essa atividade de ter que fazer a massa e focar nas vendas, no negócio em si. A intenção é, inclusive, ampliarmos a Pasteca para outras localidades do país”, planeja Miriam.

Ajuda para os empresários mais afetados na pandemia

Assim como Miriam, mais de 3650 empreendedores, entre MEIS, micro e pequenos empresários de todo o Estado, recorreram ao programa SC Mais Renda Empresarial para garantir os empregos de seus funcionários, a própria sobrevivência durante a pandemia e expandir suas atividades.

A iniciativa do Governo de SC oferece operações de crédito para micro e pequenos empreendedores e MEIS (microempreendedores individuais).

Criado justamente para atender os empresários mais afetados pela pandemia de Covid-19, o programa oferece linhas de crédito para os micro e pequenos empresários de até R$ 100 mil com juros subsidiados integralmente pelo Governo do Estado para aqueles que estiverem adimplentes, com carência de até 12 meses e 36 meses para amortização.

Para os MEIs, o valor para financiamento é de até R$ 10 mil, tendo seis meses de carência e 12 meses de amortização. Os empréstimos são viabilizados pelo BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), com o apoio de cooperativas de crédito conveniadas.

Dados do BRDE apontam que, por meio do programa, até o dia 10 de dezembro deste ano, já foram disponibilizados mais de R$ 208 milhões e atendidas pessoas em mais de 200 municípios catarinenses.

Marcelo Haendchen Dutra, vice-presidente e diretor de Acompanhamento e Recuperação de Crédito do BRDE – Foto: Reprodução/NDTVMarcelo Haendchen Dutra, vice-presidente e diretor de Acompanhamento e Recuperação de Crédito do BRDE – Foto: Reprodução/NDTV

Marcelo Haendchen Dutra, vice-presidente e diretor de Acompanhamento e Recuperação de Crédito do BRDE, destaca que “além de se diferenciar pelo juro zero e prazo para retornar o investimento, a capilaridade do programa, que em menos de três meses já conseguiu atingir dois terços das cidades do Estado. É importante destacar que essa demanda, a origem destes pedidos, veio dos municípios e o banco conseguiu dar vazão e entregar o recurso a quem precisava”, explica.

Manutenção dos postos de trabalho

Dutra ressalta ainda que mais do que fomentar negócios, o objetivo do programa é a manutenção do negócio como condição de emprego nestes micro e pequenos empreendimentos catarinenses. Até o momento, o programa ajudou a manter 12.744 empregos em Santa Catarina. “São comércios e principalmente serviços, onde os principais setores afetados, que foram os segmentos de turismo, eventos, restaurantes, precisavam de uma condição de retomada, para se reerguer. Hoje, em Santa Catarina, são mais de 500 mil pequenos negócios. Os micro e pequenos empreendedores representam hoje mais de 95% das empresas formalizadas e juntos respondem por 35,1% do PIB do Estado. Então quando você consegue, com um programa, atingir os que foram mais abruptamente afetados pela pandemia, está na verdade dando um grande respiro para a economia catarinense”, destaca o vice-presidente.

Eduardo Pinho Moreira, diretor financeiro do BRDE – Foto: Reprodução/NDTVEduardo Pinho Moreira, diretor financeiro do BRDE – Foto: Reprodução/NDTV

O diretor financeiro do BRDE, Eduardo Pinho Moreira, acrescenta que a iniciativa foi idealizada como um plano de governo. “Esse programa tem um grande alcance social. Santa Catarina, assim como o mundo todo, também sofreu as consequências da Covid-19, isso trouxe uma instabilidade econômica e financeira para essas micro e pequenas empresas e para os microempreendedores individuais. E o governo de Santa Catarina, sensível a essa questão, buscou junto aos seus parceiros, O BRDE e o Badesc, a condição de atendermos esses empresários e essas pessoas atingidas fortemente”, afirma.

 Números do SC Mais Renda Empresarial (BRDE)

  •  Mais de 208 milhões disponibilizados;
  •  Até o momento, 3658 empresas beneficiadas;
  •  Até o momento, 206 municípios atendidos;
  •  Mais de 12.700 empregos mantidos.

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BRDE – SC mais renda empresarial

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