Pesquisa revela impacto da pandemia no mercado de trabalho catarinense

Entre os entrevistados 37,27% perdeu o emprego, 6,64% teve que fechar seu negócio e 10,33% perderam o emprego, mas já conseguiu outro

A pandemia do novo coronavírus provocou impactos na vida dos catarinenses. Entre eles estão os prejuízos causados à economia, que sofreu com medidas restritivas que proibiram o funcionamento de uma série de atividades.

Pesquisa revela impacto da pandemia Covid-19 no mercado de trabalho catarinense – Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Uma pesquisa realizada pela ADVB/SC (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil em Santa Catarina) e pela ESAG Júnior, ouviu 404 pessoas para apontar os impactos da pandemia no mercado de trabalho catarinense.

Cerca de 55% dos entrevistados sofreu impactos com a pandemia que assolou o mundo. Da amostragem, 73,5% é do sexo feminino e 93,2% possui entre 20 e 50 anos, sendo a maioria entre 31 e 40 anos (39,46%).

Quando indagada sobre o grau de escolaridade, 31,97% dos pesquisados respondeu que possui o ensino superior incompleto, 23,81% ensino superior completo e a mesma porcentagem (23,81) ensino médio completo. Apenas 9,52% dos pesquisados possui pós-graduação completa.

Os dados foram coletados na Grande Florianópolis pelas alunas Bruna Siebert Faber e Raquel Corradi, do curso de Administração da Esag e integrantes da Esag Júnior. Toda a pesquisa foi orientada pelo professor e coordenador da Esag Júnior, José Luís Fonseca da Silva, e pelo professor da Esag e conselheiro da ADVB/SC, Octavio René Lebarbenchon Neto.

“A pesquisa seguiu quatro linhas: analisar de uma maneira geral os entrevistados, entender quais fecharam seus negócios, quais perderam o emprego por conta da pandemia e quais perderam, mas já estão inseridos no mercado de trabalho novamente”, ressalta Lebarbenchon.

Resultados revelam dificuldades para reinserção

Na análise geral da pesquisa, identificou-se que 37,27% dos entrevistados perderam o emprego, 6,64% tiveram que fechar seu negócio por conta da pandemia e 10,33% perderam o emprego, mas já conseguiram outro.

Ao serem questionados sobre quais as dificuldades para reinserção no mercado do trabalho, 37,4% citaram que o mercado está com vagas com remuneração inferior ao que ganhavam, 14,29% que falta capital para continuar empreendendo e 6,43% ser necessário agregar valor no currículo.

Os entrevistados relataram também que as principais habilidades que os ajudariam neste momento seriam nas áreas de marketing digital (20,41%), inglês intermediário (31,97%) conhecimento em vendas (17,69%) e em finanças (15,65%).

Metade dos entrevistados que fechou o seu negócio, pretende procurar emprego

Na primeira trilha, sobre o fechamento dos negócios trilha, 6,64% dos pesquisados revelaram que tiveram que fechar suas empresas. Destes, 55,6% tinham até 5 anos de atuação e cerca de 50% pretende procurar um emprego.

“Nesta trilha, o que chamou atenção foi que 100% dos entrevistados está encontrando dificuldades em se inserir novamente no mercado e, dos entrevistados, quase 50% está em busca de habilidades na área de marketing e vendas”, relata José Luís Fonseca, professor da Esag e coordenador da Esag Júnior.

A segunda trilha da pesquisa foi com quem perdeu o emprego. Essa era a situação momentânea da maioria dos entrevistados (37,27%). Destes, cerca de 80% estava na empresa a no máximo 2 anos e 66,35% já está buscando uma nova colocação. A maioria (40%) citou estar em busca de cursos de inglês, de vendas e de finanças.

Na terceira trilha, os pesquisados perderam o emprego, mas já estão empregados novamente e correspondem a 10,33% dos respondentes. Deste universo, 64% citou estar satisfeito com a vaga que está ocupando atualmente e 75% apontou não estar satisfeito nem com a remuneração nem com o cargo que está ocupando.

“Essa informação demonstra que a satisfação é em relação ao fato de estarem empregados e conseguindo manter financeiramente suas famílias”, destaca o coordenador da Esag Júnior.

Na trilha 3 da pesquisa, mais de 30% dos entrevistados citou que gostaria de desenvolver habilidades na área de marketing digital.

Associação quer ofertar qualificações e oportunidades

A pesquisa faz parte de uma ação das duas entidades para identificar o perfil dos catarinenses que perderam o emprego ou fecharam os seus negócios de forma permanente em decorrência da pandemia e, com os dados em mãos, ofertar qualificações e oportunidades direcionadas.

“Com a captação das informações foi possível verificar qual era a ocupação e formação dos entrevistados que perderam a sua fonte de renda neste momento e contribuir para a reinserção dos mesmos no mercado”, relata Topázio Silveira Neto.

“A ação é extremamente relevante para o momento e faz parte do projeto intitulado Retomada ADVB, que visa propor soluções que contribuam com os profissionais, as empresas e o mercado no geral, no que tange às áreas de marketing e vendas”, acrescenta Angela Gonçalves, presidente da ADVB de Santa Catarina.

“Ao entendermos o mercado, conseguimos desenvolver cursos de capacitação mais assertivos e, com as empresas parceiras da entidade, disponibilizar vagas para quem perdeu seu trabalho e sua renda neste momento complexo que estamos vivendo”, fala Angela, acrescentando que as qualificações serão oferecidas gratuitamente.

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