Santa Catarina cresce, a sociedade evolui e a BR-101 continua a mesma

Desde a duplicação do trecho Norte, a população se multiplicou e os problemas voltaram para uma rodovia sem alternativas

A <span style="font-weight: 400;">frota de veículos no entorno da BR-101 ultrapassa 2,6 milhões de veículos</span> &#8211; Foto: José Somensi Fotografia/NDA frota de veículos no entorno da BR-101 ultrapassa 2,6 milhões de veículos – Foto: José Somensi Fotografia/ND

O Brasil era muito diferente quando a agora BR-101 começou a ser construída, trecho após trecho. Entre 1950 e 1970 a construção iniciou e se desenvolveu em um país completamente diferente, com uma população significativamente menor, sem o fluxo de transporte incessante e com milhares de contêineres e caminhões a menos rodando pela rodovia transportando a subsistência dos brasileiros e da economia do país.

Em Santa Catarina, a duplicação do trecho Norte aconteceu no início dos anos 2000, quando a população catarinense era de pouco mais de 5,3 milhões de pessoas. À época, a obra entregue aliviou o fluxo e tirou da população da região, dos turistas e dos trabalhadores que rodam pelo trecho, o desconforto das filas e da pouca estrutura. No entanto, o que parecia ser uma solução a longo prazo não durou tanto tempo assim.

Imagine quanta coisa aconteceu nos últimos 20 anos. O Brasil elegeu três presidentes diferentes e teve quatro. O país passou por um processo de impeachment, viu a seleção brasileira ser goleada por 7 a 1 jogando uma Copa do Mundo em casa, sediou os Jogos Olímpicos e, recentemente, viu a Argentina comemorar o título da Copa América no Maracanã. O mundo perdeu Diego Armando Maradona, Kobe Bryant, o papa João Paulo II.

<span style="font-weight: 400;">A BR-101 no Trecho Norte está enquadrada entre os piores níveis de capacidade segundo o Highway Capacity Manual</span> &#8211; Foto: José Somensi Fotografia/NDA BR-101 no Trecho Norte está enquadrada entre os piores níveis de capacidade segundo o Highway Capacity Manual – Foto: José Somensi Fotografia/ND

Muita coisa aconteceu em duas décadas, e enquanto tudo acontecia, a população aumentou, a frota de veículos multiplicou e o movimento nas rodovias e portos seguiu a todo vapor, fazendo girar e movimentar a economia. Hoje, a população catarinense, que era de pouco mais de 5 milhões, já superou os 7,2 milhões e o estado vê uma frota de veículos no entorno da BR-101 de mais de 2,6 milhões de veículos, sem contar o salto na movimentação de turistas por temporada que, saiu de 7,4 milhões em 2010 para 8,2 milhões em 2017, com uma estimativa de chegar a 13,8 milhões em 2029.

A duplicação da rodovia atraiu investimentos, empreendimentos comerciais e grandes indústrias, seduzidos pela facilidade de transporte, logística e fácil acesso aos portos e a outras regiões do país. No entanto, o investimento e os projetos de melhoria na estrutura não acompanharam essa velocidade de crescimento do entorno. 

De acordo com o estudo de capacidade viária HCM (Highway Capacity Manual), que analisa o comportamento do sistema viário para prever os efeitos causados pelas mudanças de demanda e, ainda de oferta do sistema de transportes, a BR-101 no Trecho Norte está enquadrada no nível “E” em quase todos os segmentos e, em alguns, atinge o nível “F”, o pior nível de capacidade. O HCM é a principal referência bibliográfica para estudos de capacidade viária do mundo e uma das mais importantes ferramentas disponíveis na engenharia de tráfego porque, além de apontar os níveis de serviço do sistema viário e os indicadores de desempenho, permite avaliar alternativas por meio de ferramentas importantes de análise de desempenho para chegar a um equilíbrio entre a oferta viária e a demanda de tráfego da região.

Entre os fatores analisados estão velocidade, atraso e tempo de viagem, liberdade de manobras na rodovia, interrupções no tráfego, conforto, conveniência e restrição da fluidez do tráfego.

O Trecho Norte teve níveis de serviço baixos e a BR-101 é uma rodovia de alto fluxo, portanto, o que acontece no Norte pode comprometer o Trecho Sul que foi recentemente concessionado e tem previsão de investimentos e melhorias de aproximadamente R$ 7,37 bilhões.

<span style="font-weight: 400;">A BR-101 sofre pela falta de investimentos</span> &#8211; Foto: José Somensi Fotografia/NDA BR-101 sofre pela falta de investimentos – Foto: José Somensi Fotografia/ND

Porém, apesar do aumento do fluxo, do tráfego, da utilização da rodovia para escoamento e transporte da produção catarinense, além da multiplicação no número de turistas, as adequações, melhorias e alternativas para desafogar o trânsito, potencializar a mobilidade e melhorar o bem-estar e a segurança de quem utiliza diariamente a BR-101 não saem do papel, isso quando chegam a ser colocados no papel.

Medidas “simples” podem aumentar a velocidade média, reduzir o número e o custo de acidentes, o custo operacional gerando conforto, segurança, economia direta, além de potencializar e girar a economia. Mas, para isso, é necessário que os projetos sejam, de fato, pensados colocando a BR-101 como prioridade. Enquanto Santa Catarina cresce ao redor da rodovia, ela se torna heroína e vilã, cortando o país ao mesmo tempo em que “impede” o desenvolvimento social e econômico por um único motivo: falta de investimento.

Investimento consciente com ações assertivas, é esse o foco da campanha “BR-101 do futuro, SC não pode parar”, organizada pela FIESC e pelo Grupo ND, e que tem como objetivo garantir a segurança e a eficiência na rodovia que é a artéria econômica e social de Santa Catarina.

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BR-101 – SC não pode parar

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