SC terá a maior redução na conta de luz do Brasil; veja prazos e detalhes

Fim da bandeira tarifária escassez hídrica foi antecipada pelo governo federal em duas semanas

A conta de luz em Santa Catarina terá a maior redução do Brasil após o fim da bandeira tarifária escassez hídrica e a aplicação da bandeira verde (sem cobrança adicional), a partir do dia 16 de abril. O anúncio foi realizado pelo governo federal nesta quarta-feira (6).

Conta de luz ficará mais barata em Santa Catarina a partir de 16 de abril – Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil/ Divulgação/ NDConta de luz ficará mais barata em Santa Catarina a partir de 16 de abril – Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil/ Divulgação/ ND

Assim, com a eliminação da taxa adicional a conta de luz do consumidor residencial terá uma redução média de 20% no país. No Estado, porém, a redução é ainda maior, de 21,07%.

Já para o consumidor rural a redução será de 23,26%; para a indústria será de 24%. Segundo a Celesc, Santa Catarina tem hoje a tarifa mais baixa do país.

“Por exemplo, se a gente medir dia 20 a energia de uma residência, e ela tiver que pagar no dia 30, já vai pegar cinco dias dessa nova bandeira, reduzindo a conta de energia. À medida que isso for avançando, nos próximos 30 a 40 dias, os consumidores vão sentir essa redução de, em média, 20%”, explica o presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins.

Entenda o aumento

A bandeira escassez hídrica é a mais cara do sistema e foi uma medida do Governo Federal aplicada para enfrentar a falta de chuvas no país, que reduziu drasticamente o volume de água nos reservatórios das usinas.

Ela incide nas contas de luz desde setembro de 2021, na tentativa de cobrir os custos adicionais com geração de energia elétrica, e adicionou R$ 14,20 às contas de energia para cada 100 mWh consumidos (exceto para as famílias inscritas na Tarifa Social).

Segundo Cleicio Poleto Martins, a crise hídrica de 2021 foi a maior dos últimos 90 anos. Além disso, “70% da energia elétrica gerada no país é proveniente de fonte hidráulica, ou seja, a cada 10 lâmpadas que nós temos acesas, sete lâmpadas são abastecidas por uma fonte hidráulica”, completa.

O governo federal afirma que o nível de chuvas nos últimos meses e a adoção de medidas emergenciais permitiram reduzir o acionamento das usinas termelétricas, mais caras e poluentes que as hidrelétricas. Com a redução de custos, o fim da bandeira escassez hídrica foi antecipado em duas semanas.

Fontes alternativas

Por conta da escassez hídrica o país usou energia proveniente de usinas termelétricas, que utiliza a queima de combustíveis fósseis, e são usualmente mais caras do que fontes hidráulicas. “A expectativa é que nós tenhamos um ano muito melhor, hidraulicamente falando, uma vez que os reservatórios do Brasil já estão com cerca de 70% da capacidade de armazenamento”, afirma o presidente.

Os investimentos em energia renováveis, como usinas eólicas e solares, diminuem a pressão sobre as usinas hidrelétricas, o que pode eliminar a dependência hídrica a médio e a longo prazo.

“As usinas eólicas e solares, junto com a hidráulica, são o grande carro chefe do país. Paralelamente a isso, temos incentivos para a instalação de usinas térmicas, especialmente a movida a gás, para que fiquem como reserva em momento de escassez”, completa.

Inadimplência se mantém estável

Mesmo com a alta da tarifa em setembro, a inadimplência se estabilizou após a criação de um comitê de parcelamento, diz Martins.

“De lá para cá a gente já realizou parcelamento de R$ 500 milhões, cerca de R$ 175 milhões parcelados para as indústrias. Foram cerca de 1.500 indústrias que parcelaram conosco. Mais de 95% das empresas que parcelaram conosco estão em dia. Além disso, mais de R$ 182 mil famílias também parcelaram as suas contas, em torno de R$ 325 milhões”, explica o presidente.

“Um resultado significativo, tanto para nós que estamos recebendo parcelado quanto para a população que conseguiu ficar em dia com a empresa”, completa.

Acompanhe a entrevista exclusiva do presidente da Celesc, Clecio Poletto Martins, no Balanço Geral desta quinta-feira (7).

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