Temporada de pesca da tainha começa neste sábado em SC

Safra promete ser melhor que em 2020 e marcada por paz entre pescadores e surfistas. Expectativa anima os mais de 12 mil envolvidos

Começa neste sábado (1º) a temporada de pesca em Florianópolis. Neste ano como em 2020, a tradicional missa da abertura da safra não será realizada

Esperada por pescadores e por apreciadores da iguaria ícone de Florianópolis, a pesca da tainha começa neste sábado (1º). Como no ano passado, a tradicional missa que acontece no início da safra não será realizada por conta da pandemia, mas a expectativa é que seja um ano positivo no mar.

Temporada de pesca da tainha começa neste sábado em SC. Em 2019 eram esperadas 2,5 mil toneladas de tainhas nas praias catarinenses, mas foram pescadas menos de 1,2 mil toneladas. – Foto: Divulgação/NDTemporada de pesca da tainha começa neste sábado em SC. Em 2019 eram esperadas 2,5 mil toneladas de tainhas nas praias catarinenses, mas foram pescadas menos de 1,2 mil toneladas. – Foto: Divulgação/ND

Segundo o presidente da Fepesc (Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina), Ivo da Silva, as informações que estão vindo do Rio Grande do Sul animam os mais de 12 mil envolvidos de forma direta e indiretamente na pesca.

“Tivemos este contato com o pessoal do Sul e existe indicativos que será melhor que o ano passado. O tempo está bom para pescar e já tem muitos peixes na Lagoa dos Patos e próximo do Uruguai”, contou o presidente da Fepesc.

Vale ressaltar que é necessário seguir as regras sanitárias para evitar o contágio da Covid-19, por exemplo, o uso de máscaras por todos os envolvidos na pesca, além da restrição na quantidade de pessoas que podem permanecer na praia e nos barcos.

Um dia antes do início da temporada, um rancho de pescadores, no bairro Campeche, no Sul da Ilha de Santa Catarina, foi tomado pelo fogo. Além do rancho, duas embarcações e todas as redes de pesca foram destruídas.

“São 50 pescadores que ficaram sem poder pescar amanhã (sábado)”, disse Ricardo Pastrana, subcomandante da Guarda Municipal de Florianópolis.

Segundo Ivo da Silva, a Federação e outros pescadores estão oferecendo materiais, por exemplo, canoas e rede para pesca. Assim como também está sendo providenciado uma barraca para auxiliar na temporada.

“Eu ainda estou em choque, mas preciso reconstruir e manter a tradição da pesca”, desabafou Pedro Aparício Inácio. Ele viu, pela segunda vez, seu rancho de pesca, no Campeche, região Sul da Ilha de Santa Catarina, ser destruído pelo fogo na madrugada desta sexta-feira. Inácio abriu uma vaquinha para arrecadar fundos e ajudar na reconstrução.

Perda sentimental

O Rancho do Aparício conta 50 pescadores que foram prejudicados. A prefeitura de Florianópolis registrou ocorrência para apurar se o incêndio foi criminoso. O Ministério Público também avalia o caso.

O prejuízo é estimado entre R$ 350mil e R$ 400 mil. O fogo transformou em cinzas uma área de 135m². Dentre as perdas estão duas redes avaliadas em R$ 30 mil cada, e duas canoas antigas, que custavam cerca de R$25 mil e R$45 mil, segundo levantamento de Inácio.

Um boletim deve ser aberto para verificar as causas do incêndio – Foto: GMF/Divulgação/NDUm boletim deve ser aberto para verificar as causas do incêndio – Foto: GMF/Divulgação/ND

“Agora, para a perda sentimental, não existe preço. Tinha muito exposição de foto, imagens lindas”, lamenta o proprietário, que trabalha há 50 anos com a pesca. É o segundo incêndio registrado no rancho. O primeiro ocorreu em 2016 e também destruiu toda a estrutura.

Paz na rede e nas ondas

Os conflitos entre pescadores e surfistas nas praias de Florianópolis prometem ser um capítulo do passado. Recentemente, foram realizadas reuniões entre a Polícia Militar, representantes de associações de pescadores, de surfistas e a superintendência de Pesca, Maricultura e Agricultura municipal, para discutir as restrições impostas aos praticantes do esporte náutico durante a safra da tainha em algumas das praias da Capital catarinense.

“Hoje, a gente já tem uma convivência melhor com o surfista. Antes da pesca da tainha, nós estamos chamando os surfistas para uma conversa junto com os órgãos fiscalizadores, para que a coisa funcione”, contou pescador e patrão de rancho no Campeche Claudinei José Lopes.

Além das reuniões, os pescadores e surfistas também têm agora um canal de comunicação pela internet. “As associações de surfe do Campeche, Areias e Morro das Pedras têm um convênio com o grupo de surfe, que a gente informa. Se vai ser liberado pro surfe, é colocado a bandeira verde. Se tá proibido, entra a bandeira vermelha. Isso é orientado para as empresas que trabalham com sites de surfe para informar melhor o surfista”, informou Claudinei.

Ataíde Silva é surfista e pescador. Nativo do Campeche e um dos pioneiros do surfe na praia, ele vive até hoje os dois lados dessa história. “O surfista local, hoje, faz a sua parte bem feita. É importante que as pessoas de fora, o surfista de fora, respeite. Se para cá vieram, sejam bem-vindos, mas que respeitem nossa cultura e nossa tradição. Respeitem o nosso espaço”, ressaltou.

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