Volta dos shows em Joinville: veja expectativa dos empresários

Donos de casas de shows falam sobre expectativa de retomada do setor e criticam algumas exigências

Após o anúncio de retomadas de shows e feiras em algumas cidades, como Florianópolis, a reportagem do Portal ND+ conversou com alguns empresários envolvidos com eventos em Joinville e região para saber como está a expectativa do setor.

showShows ainda estão proibidos em Joinville, que está classificada como gravíssimo no mapa de risco. – Foto: Pixabay/Divulgação ND

Diferente da Capital, no entanto, Joinville está em situação gravíssima no mapa de risco, o que impõe cautela aos órgãos de saúde e aos próprios empresários, que estão, sim, otimistas para a retomada, mas avaliando o cenário com cuidado.

“O quadro não está muito claro ainda. Estamos com o pé no chão, pois a cada dia surgem novas notícias, como o caso da variante Delta. Mas claro que, com a vacinação avançando, temos esperança de uma retomada em breve”, comenta Rafael Ferreira, sócio de uma casa de shows no Norte da cidade.

A expectativa de Rafael e de outros empresários é pela volta dos grandes eventos e shows já para dezembro deste ano porque se acredita que a população adulta já esteja vacinada em Joinville.

“Vamos acompanhar os próximos passos. Recebemos notícias que São Paulo e Florianópolis vão liberar, mas não sabemos, ao certo, como isso vai acontecer, quais serão as exigências….”, acrescenta Rafael Ferreira.

Segundo ele, desde o início da pandemia mais de cem eventos foram adiados e alguns cancelados. O prejuízo passa de R$ 1 milhão.

“Temos um custo fixo com estrutura, segurança. Alguns eventos, inclusive, já tinham sido pagos e serão entregues pós pandemia. Agora, vamos correr atrás para deixar tudo em dia”, explica o sócio da casa de eventos.

O empresário faz questão de deixar claro que entende e respeita o momento de pandemia, mas acredita que o setor de eventos foi o grande prejudicado.

“Gostaríamos que, se possível, tanto a Secretaria Municipal de Saúde quanto o Estado enxergassem a dificuldade do setor de eventos e tentassem, de alguma forma, agilizar essa retomada, tirar os impasses, como limitação de pessoas por mesa, por exemplo”, diz.

Para ele, não faz sentido fazer certas exigências ao setor de gastronomia e eventos quando os “ônibus circulam lotados, os shoppings estão lotados…”

“Acabamos sendo, de alguma forma, discriminados. Por isso, se os órgãos públicos pudessem enxergarem o setor com um pouco mais de carinho seria muito bom para todo mundo”, finaliza

Na esperança de dias melhores, a partir de março do ano que vem a casa já tem uma agenda de shows nacionais programados.

Prejuízos e indignação

Outro empresário de Joinville, que também já amargou prejuízos que ultrapassam R$ 1 milhão, está indignado com a situação.

Diego Marcos de Oliveira, dono de uma casa de eventos, conta que fechou as portas no início da pandemia e só reabriu em agosto do ano passado adaptando o espaço para trabalhar como bar e restaurante.

“Infelizmente, até se adaptar demora um pouco. Fomos fechados e notificados três vezes. Em fevereiro de 2021, com a revogação do decreto que permitia casas noturnas trabalharem como bares e restaurantes, ficamos mais três meses fechados”, comenta Diego.

Para o empresário, mesmo seguindo normas e decretos, existe uma perseguição com sua casa.

“Temos família para sustentar, pessoas dependem desse trabalho, somos uma empresa e o poder público não enxerga dessa forma. Está muito ruim de trabalhar, estamos quase desistindo”, esbraveja Diego Marcos de Oliveira.

Sobre o futuro, o empresário diz que está ansioso e à espera de respostas tendo em vista que outras regiões do Estado já estão liberando shows.

eventos sociais, como casamentos, mesa postaEventos como casamentos, bodas e aniversários, estão liberados desde que respeitados regramentos sanitários, como distanciamento. – Foto: Pixabay/Reprodução/ND

Sem venda de ingressos

Karina Camargo Boaretto Lopes, sócia-administradora de outra grande casa de shows, em Araquari, está com o pé no freio.

“Não fizemos a remarcação dos shows com venda de ingressos, tendo em vista que o cenário ainda é delicado e não há liberação efetiva por parte dos órgãos governamentais”, avalia.

Segundo ela, como já houve no passado uma possibilidade de reabertura e depois houve um recuo é prematuro remarcar shows agora, até para não gerar insegurança ao público.

“Não quero gerar expectativa no público sem ter certeza.”

Inclusive, um show internacional que estava agendado para abril do ano passado ainda não foi remarcado.

“Houve o início das vendas, mas, com a pandemia, suspendemos. Assim que houver a liberação pelos órgãos, vamos divulgar a nova data”, avisa a empresária. 

Para ela, sem dúvida, o setor de eventos foi o mais afetado pela crise e os prejuízos são incontáveis. Mas Karina está otimista com a possibilidade de retomada nos próximos meses.

“Acreditamos na retomada do setor, e esperamos em breve entregar muito entretenimento. Por enquanto, estamos realizando apenas eventos sociais, respeitando as limitações de capacidade e demais determinações vigentes. Defendemos que nessa retomada os protocolos sanitários devem ser seguidos e entendemos que é possível realizar eventos seguros”, atesta a empresária.

Promoção de eventos

E não são apenas as casas que contabilizam prejuízos por causa da pandemia. Promotores de eventos também. Jean Ricken é empresário, tem uma casa de eventos, mas também organiza festas. Quando sua casa não comporta o número de pessoas, ele aluga outros espaços.

“Joinville está complicado de trabalhar. Desde o início da pandemia, já são oito meses fechados. Só conseguimos abrir como bar e restaurante, mas há uma restrição de número de pessoas por mesa. Só podem quatro pessoas o que, na opinião de Jean, não faz sentido.

“Se forem cinco pessoas, aí pega Covid. Se forem quatro pessoas, não. Isso não faz sentido”, critica o empresário.

Ele tem 15 funcionários cujas famílias dependem diretamente dos salários. “O faturamento caiu muito e as contas não param de chegar. Temos gastos fixos como aluguel e manutenção da estrutura”, diz, lembrando que não conseguiu fechar nenhum evento justamente pela insegurança do momento.

Jean também lembra que, para a realização de um show nacional, por exemplo, muitos profissionais são envolvidos, além dos funcionários diretos. Por isso, o impacto ao setor é maior do que se imagina.

A esperança, no entanto, ainda é seu meio para continuar. Jean acredita que, com a vacinação, até o fim do ano grandes eventos e shows devem estar liberados.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Cultura e Turismo de Joinville se posicionou favorável à retomada de eventos, desde que as medidas sanitárias sejam seguidas.

“Somos favoráveis à retomada dos eventos desde que atendam à risca os regramentos sanitários. Este ano, a cidade foi contemplada com o selo de excelência e segurança sanitária em turismo, o Safe Travels, reconhecendo locais e empreendimentos turísticos que estão empenhados em garantir a segurança, protocolos globais de higiene e saúde, principalmente relacionados à Covid-19”, lembrou Guilherme Gassenferth, secretário de Cultura e Turismo de Joinville.

Vacinação

vacinação em JoinvilleVacinação está acelerada em Joinville – Foto: Carlos Júnior/Divulgação ND

Joinville já aplicou o total de 323.678 primeiras doses e 133.127 segundas doses ou doses únicas. Considerando toda a população acima de 18 anos, representa 74% de primeira dose e 30% da segunda dose ou dose única.

Nesta quarta-feira (18/8), a Secretaria da Saúde de Joinville confirmou 104.799 no total de casos positivos de Covid-19 desde o início da pandemia. Os recuperados agora somam 101.669 e, dos confirmados, 220 estão internados, 1.210 em isolamento domiciliar e 1.700 perderam a vida.

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