Anfavea estuda “novo” normal para setor automotivo pós-coronavírus

Presidente da Anfavea, Luiz Carlos de Moraes, disse que a associação tem promovido fóruns e debates pensando no “novo” normal do setor automotivo pós-coronavírus

Para Anfavea, recuperação do setor automotivo pós-coronavírus será lenta – Foto: Divulgação/ND

Afetado fortemente pela pandemia do coronavírus, o setor automotivo discute novas formas de se reinventar. O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Carlos Moraes, disse em encontro virtual com jornalistas que a associação tem promovido fóruns e debates pensando no “novo” normal do setor automotivo pós-coronavírus.

“É um momento de transformação. Estamos trabalhando com intensidade na estruturação de ações para saída dessa crise”, salientou.

Pesquisas com novos materiais para higienização dos carros, novas formas de prestação de serviço e análise de comportamento do consumidor estão em discussão com as montadoras.

Presidente da Anfavea, Luiz Carlos de Moraes, prevê “um número muito ruim” no fechamento do segundo trimestre – Foto: Anfavea/ND

“Novo normal”

“No setor automotivo, concretamente, teremos mudanças importantíssimas. Como a gente, primeiro, vai olhar o cliente, a partir da questão virtual e da análise de dados, acompanhar e vender de forma virtual, não em todo o processo da venda, mas o cliente está usando muito mais ferramentas para fazer uma escolha mais direcionada”, analisa.

Alternativas como entrega do carro para test-drives na casa do cliente e agendamento de visitas com segurança ao cliente já estão sendo experimentadas.

Produção

Nissan anunciou na segunda-feira, dia 22 de junho, a demissão de 398 funcionários que estavam afastados havia três meses em Resende (RJ) – Foto: Cris Oliveira/ND

No início da semana, a Nissan decidiu fechar um dos turnos de sua fábrica em Resende (RJ). A montadora demitiu 398 trabalhadores antes da retomada da produção nesta quarta-feira, dia 24 de junho.

Questionado se este posicionamento será seguido pelas demais montadoras, o presidente da Anfavea respondeu que “será preciso olhar a demanda num futuro próximo para definir se terá um turno ou dois turnos. Eu vejo com preocupação a questão da demanda. Temos riscos de empregos. E essa foi uma primeira decisão tomada por uma empresa que concluiu reduzir de dois turnos para um turno”.

Estimativa

A projeção da Anfavea para este ano é de queda de 40% nas vendas de veículos no país. A estimativa é que apenas 1,675 milhão de automóveis sejam licenciados em 2020. Somente em Santa Catarina, de janeiro até 22 de junho, houve uma diminuição de 27,8% no licenciamento de novos veículos.

“A gente acha que o segundo trimestre vai fechar com um número muito ruim. Junho está um pouco melhor, mas ainda é difícil quantificar por questões de estatísticas e registros atrasados”, avaliou.

Recuperação lenta

Para o presidente da Anfavea, a recuperação do setor automotivo pós-coronavírus será lenta.

“Minha percepção é que o Brasil vai sair mais pobre desta crise. Obviamente, isto tem impacto no nosso setor. O nosso setor que tem muita paixão, com muita gente que gosta de carros, mas é um fato econômico. A questão do desemprego e o medo dele é a razão que nos leva a imaginar o cenário mais baixo. A gente não vê nenhum motivo para uma recuperação rápida”, afirmou.

Ha 90 dias em casa, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, foi uma vez à fábrica da Mercedes-Benz e uma vez à Anfavea. “Mas estamos trabalhando direto. Esse isolamento trouxe vários problemas para a Anfavea”.

Créditos tributários

 A Anfavea discute com o Ministério da Economia a possibilidade de monetização de R$ 25 bilhões existentes em créditos tributários.

“Brigamos muito pela liquidez, e dialogamos com o ministro da Economia, Paulo Guedes, com o (secretário especial de Produtividade) Carlos da Costa, com o BNDES, e com os bancos”, contou Moraes, complementando: “a estratégia do governo foi priorizar as microempresas”.

Segundo o presidente da Anfavea, a criação da linha FG1 de crédito, que concede aos bancos garantia de até 80% do governo, em caso de calote. “Essa linha ainda não chegou à ponta final”.

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