Após Bolsonaro criticar China, Vale diz que disputa não é boa

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse nesta terça-feira (16) que um embate entre Brasil e China “não é bom para ninguém”.

Ele afirmou esperar que o presidente eleito perceba a importância do relacionamento entre os dois países.

Principal cliente da Vale, a China tem sido alvo de questionamentos do candidato Jair Bolsonaro (PSL).

“A expectativa é que o eleito receba informações a respeito do estado das relações e da complementaridade das relações entre China e Brasil”, disse Schvartsman, em entrevista após um evento no Rio.

Ele foi questionado sobre a posição de Bolsonaro.

Em sua última declaração sobre o tema, na semana passada, o capitão reformado do Exército criticou a forte presença de empresas chinesas na geração de energia no país.

“A China não está comprando no Brasil, ela está comprando o Brasil”, afirmou ele, em entrevista à TV Band.

“Não é bom para ninguém esse tipo de disputa. E, se não é bom para ninguém, não é bom para a Vale”, afirmou Schvartsman. “A Vale vai continuar tendo relacionamento coma China, temos uma dependência mútua.”

Na segunda-feira (15), a Vale anunciou recorde em sua produção de minério de ferro. O resultado acompanha o crescimento da demanda do mercado chinês.

No terceiro trimestre deste ano, a mineradora produziu 104,9 milhões de toneladas, 10,3% mais do que no mesmo período do ano anterior.

Schvartsman disse que a Vale não conversou com os candidatos à Presidência da República. “Quando for eleito, vamos conversar”, disse..

“Vamos nos colocar à disposição, o conhecimento e a informação que a gente tem dessa relação, que a gente tem de Brasil-China, que é muito importante”, afirmou o executivo.

Ainda sobre a produção de minério de ferro, Schvartsman descreveu o atual cenário como excepcional.

Para ele, a empresa está em uma posição mais favorável do que suas grandes concorrentes da Austrália. Segundo o executivo, as minas dos concorrentes são mais antigas e já começam a apresentar declínio.

Enquanto a produção e as vendas de minério de ferro da Vale foram recordes no terceiro trimestre, a concorrente Rio Tinto registrou recuo de 5% nos embarques no período.

A empresa foi prejudicada por manutenção planejada e pausas por questões de segurança.

O presidente da Vale destacou também que a demanda da China por minérios de melhor qualidade e menos poluentes, por causa da luta do gigante asiático contra poluição, tem beneficiado a companhia.

Isso tem impacto na produção de sua mina S11D, inaugurada no fim de 2016, e abocanhou a maior parte do mercado, com prêmios maiores.

Segundo o executivo, o prêmio do minério com mais qualidade sobre o de menor qualidade chega até US$ 56 (R$ 207,61) por tonelada.

Nesse cenário, Schvartsman destacou que a Vale está bem posicionada para atender seu principal cliente, a China.

Sobre os preços do minério de ferro, o presidente da Vale disse acreditar que deverão se manter no atual patamar para o próximo ano.

O executivo informou ainda que, no início de 2020, a mineradora Samarco, em Mariana (MG), poderá retomar sua produção, com um terço da capacidade.

A Vale é dona de metade da joint venture com a australiana BHP Billiton. Elas controlam a Samarco.

A Samarco interrompeu as operações no fim de 2015, após uma de suas barragens entrar romper.

No acidente, 19 pessoas morreram. O desastre deixou centenas de desabrigados e poluiu o rio Doce até o Espírito Santo.

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