Após salto, dólar perde fôlego e fecha em baixa, a R$ 4,14

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Apesar do salto pela manhã, o dólar mudou de direção e fechou em baixa nesta quarta-feira (5), conforme a pressão externa a países emergentes deu sinais de arrefecimento. O cenário eleitoral doméstico ainda exige, no entanto, cautela de investidores.

O dólar comercial abriu em alta e foi a R$ 4,186, mas terminou o pregão em queda de 0,26%, cotado a R$ 4,144.

“O que vimos foi algum movimento de realização de quem estava vendido no patamar de R$ 4,17”, diz Mauriciano Cavalcante, gerente de câmbio da Ourominas.

Entre os emergentes, o dia foi misto. Das 24 principais divisas, 13 perderam para o dólar. Mas o real acompanhou o movimento de recuperação da lira turca (+1,58%) e do peso argentino (+0,99%).

“Os emergentes recuperaram hoje parte das perdas de ontem, compensando possíveis exageros”, disse o Banco Fator em relatório.

O rand sul-africano, no entanto, liderou as quedas (-0,61%). A África do Sul entrou em recessão no segundo trimestre pela primeira vez desde 2009, após a agência de estatísticas do país informar que a economia contraiu 0,7% no período.

O dólar chegou a ganhar força ao longo do dia por temores de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pudesse intensificar a guerra comercial com a China.

Os mercados acompanhavam ainda, segundo o banco Fator, duas importantes negociações internacionais: “Na América, Estados Unidos e Canadá voltaram a conversar sobre o Nafta e, na Europa, os governos britânico e alemão abriram mão de exigências do ‘brexit’, facilitando um acordo entre o Reino Unido e a União Europeia.”

Os principais mercados acionários da Europa fecharam em baixa. Em Frankfurt, o índice DAX caiu 1,39%, enquanto em Londres a baixa do FTSE 100 foi de 1%.

Em Wall Street o viés também foi negativo. O Dow Jones, principal de Nova York, fechou praticamente estável (+0,09%). O S&P 500 recuou 0,28%, e o índice de tecnologia Nasdaq, caiu 1,19%

Apesar da maior aversão a risco no exterior, a Bolsa brasileira conseguiu se estabilizar em alta, com um noticiário político local mais tranquilo.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, subiu 0,51%, a 75.092 pontos.

O movimento foi impulsionado pela disparada da Suzano (+7,4%), após a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) rejeitar pedidos para interromper o prazo de convocação de um assembleia de acionistas da Fibria para avaliar, entre outras propostas, a fusão entre as companhias.

Apesar do dia mais vazio em termos de notícias, o cenário eleitoral segue no radar dos investidores.

Eles aguardam a divulgação das primeiras pesquisas eleitorais após o início da propaganda eleitoral na TV, que começou no dia 31 de agosto.

A expectativa é por algum impacto para alavancar a candidatura do tucano Geraldo Alckmin (PSDB), candidato preferido pelo mercado por ser visto como um nome mais reformista, mas que tem patinado nas pesquisas.

Os primeiros dados, porém, foram atrasados pela decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de excluir o ex-presidente Lula da corrida eleitoral.

As pesquisas registradas por Ibope e Datafolha traziam Lula como candidato do PT, mas foram retiradas para adequação.

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