Custo do aluguel para micro e pequenas empresas prejudica o resultado final

Desoneração da folha de pagamentos poderia contrabalançar.Para financiar o rombo é importante rever gastos públicos

Políticas Públicas

Dar condições para que as micro e pequenas empresas desenvolvam-se, deve ser parte de qualquer política desenvolvimentista que tenha como objetivo final o incremento da qualidade de vida do ser humano. Se a concentração de renda privilegia uma porção menor dos agentes econômicos, uma política de sustentação e desenvolvimento das micro e pequenas empresas democratizará o crescimento econômico levando seus resultados à parcela dos agentes de produção responsável por absorção expressiva dos empregos. Estudiosos costumam afirmar que é limitado o alcance de políticas públicas que não atinge o segmento das micro e pequenas empresas como multiplicadoras do desenvolvimento local.

Micro e pequenas

Empresas deveriam estar na pauta dos benefícios de desoneração da folha de pagamentos. Parece óbvio e é mesmo. Esse segmento é o que mais emprega em todo o país. Mais de 52% da população brasileira economicamente ativa estão formalmente empregadas nas empresas de menor dimensão. Escolher a quem beneficiar é assinar a sentença de morte dos excluídos. Para cobrir o rombo, é importante rever gastos públicos.

Desoneração

As empresas de menor dimensão precisam de incentivo para girar produtos e serviços. Embora as taxas de juros devam continuar seu processo descendente, ainda vai levar um tempinho até que as empresas de menor dimensão possam se beneficiar. Ora, se são as maiores empregadoras, porque não desonerar a folha de pagamentos desse segmento? O reflexo é imediato.

Aluguel

Com a ascensão das classes sociais “C” e “D”, projeta-se um mercado robusto que pode ser atendido por empresas de qualquer dimensão. As classes “C” e “D” são responsáveis por mais de 60% do consumo interno. A questão primordial refere-se aos óbices encontrados pelas empresas de menor dimensão, dentre eles, a questão do aluguel do imóvel ocupado por essas empresas, caros e que reduzem por demais o lucro. As empresas de menor dimensão lutam para sobreviver.

Sugestão

Governo Federal deveria estudar a possibilidade de financiar a compra do imóvel pelo empreendedor das empresas menores. Quem sabe, desonerando a folha de pagamentos e criando um programa semelhante ao Minha Casa Minha Vida. Movimentaria um grande mercado e potencializaria a capacidade de investimento dessas empresas. “Minha Empresa Sem Aluguel” calaria com força no coração do empreendedor de empresa de menor dimensão.

Investimentos

Dar condições para que as micro e pequenas empresas se fortaleçam é projetar a capacidade de investimentos do segmento que mais emprega no país. De cada 100 empresas existentes no Brasil, 98 são de micro e pequeno porte. Precisamos elevar nossa capacidade de investimentos, hoje na casa dos 18% do PIB. Na América Latina, países como Peru, Chile e Colômbia têm conseguido aumentar suas taxas de investimento para níveis próximos a 25% do PIB. É o investimento que faz a economia dar saltos.

Gestão

É fundamental que qualquer política pública direcionada para as empresas de porte menor inclua um amplo programa de gestão que pode ser desenvolvido pelo SEBRAE e pelo sistema das universidades. A criação de recursos é necessária, mas integrada com conteúdo de gestão. Vida longa para as micro e pequenas empresas depende de recursos e gestão. 

Coisas nossas

Rosane Lima/ND

Coisas nossas

Ronaldo e seu Adúlcio são coisas nossas

Pescados Oliveira – Tradição familiar

Os bisavós de Ronaldo e Rodrigo vieram dos Açores e se estabeleceram no Pântano do Sul. A tradição de lidar com o pescado passou de pai para filho desde então. Há quase três décadas no Mercado Público de Florianópolis a família se desdobra para atender a freguesia. Seu Oliveira, o pai, continua de olho nos negócios tocados pelos filhos e dá uma força como conselheiro. Nos dias de pouco movimento, vendem duzentos quilos de pescado. Na Semana Santa, seis toneladas.

A família Oliveira atribui muito do sucesso do negócio ao magnetismo que o Mercado Público exerce na população local. “Aos sábados, é uma festa. Aqui vem o político, o pedinte, o empresário, o turista e o povo local. Nosso maior prazer é receber o elogio de quem comprou e aprovou. É como o artista que adora receber aplausos”, conclui Ronaldo. Destaca ainda a filosofia familiar de que só se deve comprar a camisa quando se tiver dinheiro para adquirir a vista. “Nunca pedimos dinheiro emprestado” afirma.

Pescados Oliveira, Seu Adúlcio, Ronaldo e Rodrigo são nossas coisas, são coisas nossas.