De Galho em Galho

Quando efetuo avaliações de currículos profissionais, um dos pontos que mais chama a atenção é a quantidade de empresas pelo qual o profissional já passou em comparação com o tempo em que ficou em cada uma delas. Muitas vezes, chego a ver profissionais que têm, digamos, 20 anos de idade e nos últimos dois anos passaram por seis ou sete empresas.

Divulgação / ND Online

Gerson Raul Persike

 

Nesse caso, não há tempo de se criar raiz numa Organização, lembrando que a raiz alimenta a planta. Sem a criação de raízes, qualquer vento derruba a árvore; ou seja, na primeira dificuldade, no primeiro “não”, o profissional se revolta e abandona o que poderia, quem sabe, lhe trazer experiência, vivência e boas oportunidades futuras. Não teve paciência, humildade e sabedoria, características que, certamente, são fundamentais para o sucesso profissional. E assim vai, de galho em galho, de empresa em empresa.

Também existe outra situação muito comum nas Empresas; a daquele profissional que não se adaptou num setor e foi transferido para outro. Depois de um tempo, novamente, não teve um desempenho adequado e foi, então, alocado em outra área. Passou-se um período e, adivinhem, foi outra vez direcionado para outro setor da Organização. E assim vai, de galho em galho, de setor em setor. Nesse caso, a empresa não teve o cuidado de efetuar uma boa avaliação das características deste profissional e vai, apenas, transferindo e retardando uma resolução, trazendo prejuízos a todos: À própria Empresa, que não terá um resultado adequado; aos demais colaboradores, que recebem, treinam e, depois, se frustram com o baixo desempenho do colega; ao cliente que, muitas vezes, recebe um produto ou serviço de má qualidade e, também, ao próprio profissional itinerante que não teve um feedback adequado e, por isso, continua perdendo o seu tempo e o tempo dos demais na execução de tarefas as quais não têm competência ou adequação para executar.

Há duas avaliações que devemos comentar:

A primeira refere-se ao profissional que tem muitas passagens por empresas em pouco tempo. É verdade que devemos buscar trabalhar em empresas que possuem proximidade com nossos valores pessoais, mas, também precisamos entender que nunca chegaremos ao ambiente ideal. Precisamos, assim, desenvolver resiliência, flexibilidade e entendimento. Do contrário sempre ficaremos frustrados, resmungões e negativos. Então, avalie a sua postura e verifique até que ponto a responsabilidade é sua pelo excesso de entradas e saídas de empresas em curto espaço de tempo. A autocrítica sincera e verdadeira é fundamental nessa análise.

A segunda tem a ver com o profissional que faz um rodízio de setores na empresa. Também é importante que se conheça as atividades de várias áreas da empresa e quando essa mudança é resultante da boa qualidade de trabalho do profissional, ótimo! O problema está em se querer dar um “jeitinho”; ou seja: O profissional não se adequou num setor e é transferido aleatoriamente para outro, mais para se livrar de um pretenso problema do que se querer buscar uma resolução à situação, com verdade, justiça e honestidade, por mais que isso possa levar à demissão do profissional. É melhor uma demissão justa, com argumentos verdadeiros e serenos, do que a manutenção mentirosa de um profissional não competente à função.

Dito isso, vamos levar essa questão à esfera dos relacionamentos pessoais?

E você, que lê essas despretensiosas linhas, está com um relacionamento pessoal sólido, consistente e positivo? Ou também está pulando de galho em galho? Lembre-se que aqui também vale o argumento de se criar raiz. Um bom relacionamento, para que tenha consistência, precisa de tempo, de cuidado, de atenção duradoura. Não adianta ao homem dizer à esposa ou namorada:

– Ei, já lhe dei um buquê de flores ano passado, não preciso lhe dar outro; afinal, você já sabe que eu te amo!

Desculpa criativa, hein? É, mas, não funciona!

Da mesma forma, a esposa ou namorada, também precisa regar o relacionamento com gotas de carinho e atenção. Afinal, o relacionamento é isso, uma troca, um apoio mútuo recorrente, temperado com verdade e amor.

Também aqui cabe uma observação: Não devemos, claro, ficar de galho em galho nos relacionamentos, mas, ao menos devemos ter o cuidado de ver em que galho estamos. Um galho frágil quebra fácil. Então, se a sua árvore está corroída pelos cupins da indiferença, desrespeito, desatenção e desafeto, procure outra árvore. A floresta é muito grande para ficarmos numa árvore que não dá frutos.

Uma semana de sucesso é o que vamos e merecemos ter.

____________________________________________________________________________

Gostando de nossos textos semanais? Mande sua opinião ou nos contate para ações em sua empresa pelo e-mail: comercial@cmtreinamento.com.br

Acesse nosso site: www.cmtreinamento.com.br

Gerson Raul Persike é um especialista em atendimento, vendas, telesserviços e preparação de lideranças empresariais. Filósofo e formado no Programa de Desenvolvimento de Dirigentes da Fundação Dom Cabral, aplica assessorias nas áreas de gestão de talentos, capacitação de lideranças e formação de equipes motivadas e produtivas. Empresário, é diretor da empresa “Comunicação & Mercado – Treinamentos Empresariais”, escritor, colunista, consultor e palestrante internacional. Efetua, também, cursos, treinamentos, palestras motivacionais, gestão e planejamentos comerciais e de atendimento para Organizações de sucesso no Brasil e exterior.