Deise Meinert: “Nós tivemos um crescimento de 32% no ano passado”

A empresa de marcenaria com mais de duas décadas de trajetória e que há 10 anos decidiu investir em um material de alto valor agregado segue crescendo e vai focar este ano no segmento corporativo

A diretora executiva da catarinense Infinita Surfaces, segunda maior processadora de corian do país, Deise Meinert, 32 anos, nasceu na cidade gaúcha de Camaquã mas, aos três anos de idade, mudou-se com a família para Biguaçu. Foi ali que o pai dela começou a Infinita Surfaces, inicialmente uma marcenaria que cresceu aos poucos até que, em 2002, a empresa passou a exportar móveis para a região da Flórida, nos Estados Unidos. Naquele mesmo ano Deise e os irmãos Giovane, Rodrigo e Daniel formaram sociedade para, junto com o pai deles, fazer a empresa crescer.

O sucesso das vendas nos Estados Unidos fez a empresa parar de atender ao mercado brasileiro e focar totalmente nas exportações. Mas em 2004, com a cotação do dólar desfavorável, eles novamente se voltaram para o mercado interno. Em dois anos os sócios da Infinita Surfaces tinham ganho experiência e conhecido o corian nos Estados Unidos. O material, com alto valor agregado, é muito resistente, não tem porosidade e pode ser utilizado para diferentes funcionalidades. A partir de 2006 a empresa deixou a madeira e passou a trabalhar apenas com o corian. Nos últimos anos a Infinita Surfaces ganhou projeção, abriu duas lojas e passou a ser reconhecida pelo design.

A trajetória da Infinita Surfaces começou em 1991, quando a empresa foi fundada por Jorge Meinert em Biguaçu. “Meu pai, quando jovem, já trabalhava com marcenaria. Ele fazia esse trabalho até que iniciou a empresa. Os filhos foram crescendo e indo para a fábrica junto com o pai”, conta Deise Meinert. Caçula da família de quatro irmãos, Deise fez curso técnico de Edificações no Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina) da Avenida Mauro Ramos, no Centro de Florianópolis. 

Quando tinha de 15 para 16 anos de idade e cursava o primeiro ano da escola técnica ela começou a trabalhar. Iniciou fazendo estágio no escritório de engenharia do pai de um amigo. “Eu sempre mexi em computador. Adorava aquilo. Daí esse amigo me sugeriu trabalhar com software no escritório do pai dele. Fui com a cara e a coragem”, conta Deise. Depois de um mês de aprendizado ela já estava trabalhando em projetos do escritório que só trabalhava com pré-moldados. “Foi um aprendizado muito grande, incrível, porque eu mergulhei naquilo”, complementa.

Naquela fase a futura empresária se aprofundou na parte técnica dos projetos. Depois de um ano estagiando naquela empresa, Deise foi fazer estágio em um escritório de arquitetura que fazia reformas. Ela ficou seis meses e depois saiu para se preparar para o vestibular. Ela pretendia fazer a faculdade de Engenharia Civil mas, antes do vestibular, resolveu “dar uma mão” para o negócio da família. Essa decisão mudaria a vida dela.

“Fui dar uma mão, nas minhas férias, para a família. Comecei a ver as deficiências que (a empresa) tinha e o que poderia ser melhorado. Eu era muito ligada à tecnologia e queria modernizar várias coisas, aplicar software em projetos, e aí eu não saí mais”, explica. Ela tinha 18 anos quando resolveu, junto com os irmãos, fazer sociedade para tocar a empresa com auxílio do patriarca da família.

Isso ocorreu em 2002, mesmo ano em que a empresa recebeu a proposta de um contato para começar a fornecer móveis para a região da Flórida, nos Estados Unidos. “Daí começamos o trabalho lá fora, que foi muito legal. Fechávamos com os builders (construtores) de lá que pediam várias cozinhas para apartamentos. A primeira negociação envolvia um projeto para 50 cozinhas”, recorda Deise.

Um dos sócios da empresa, Rodrigo Meinert, foi para os Estados Unidos para conhecer de perto o padrão diferente que eles usavam lá. “Neste período deixamos o mercado interno e passamos a trabalhar só com exportação. Até que em 2004 teve o caos todo do dólar inviabilizando toda a operação e nós tivemos que voltar para o mercado interno”, explica.

Além de terem mais experiência, os sócios da Infinita Surfaces tinham conhecido, nos Estados Unidos, o material corian. “Ao retomar o mercado interno nós viemos mais fortes, conseguindo clientes com maior poder aquisitivo e estudando a possibilidade de usar o corian no Brasil”, conta Deise. As primeiras placas do material tinham vindo para o Brasil 10 anos antes, trazidas pela marca Kitchens, mas na época o material era inviável por causa da cotação do dólar e do custo do corian.

“A operação (com o corian) ficou em standby por muitos anos, até que há 10 anos atrás ela veio com maior intensidade porque viabilizou o custo de produção”, explica. A central da corian no Brasil se fortaleceu mais, possibilitando que fossem credenciados processadores no país. Foi aí que a Infinita Surfaces começou a trabalhar com o material em 2004.

Até 2006 a empresa seguiu fazendo móveis ao mesmo tempo em que apostava no corian até que, naquele ano, os irmãos Meinert decidiram apostar apenas no material importado. “Avaliamos e percebemos que marcenarias tinham um monte, empresas de imóveis haviam inúmeras, seríamos apenas mais um, por isso resolvemos seguir no que a gente acreditava, tendo excelência no corian, e deu muito certo”, avalia Deise. 

Morando desde os três anos de idade em Biguaçu, cidade adotada pela família dela, Deise Meinert hoje vê a cidade como um ponto estratégico. A fábrica da Infinita Superficies com quase 1 mil m2 fica na área industrial da cidade. Todos os dias Deise passa na fábrica as 8h antes de dirigir-se para uma das lojas da marca – nas segundas, quartas e sextas-feiras ela trabalha na unidade de Florianópolis e na terça e quinta-feira na de Balneário Camboriú. “Biguaçu fica na metade do caminho para qualquer uma das lojas”, observa.

Como os irmãos, Deise acabou se apaixonando pelo negócio da família. “Hoje todo o know how que temos vem da área de marcenaria. Meu pai continua com a gente, mas agora mais tranquilo, dando apenas umas pinceladas na fábrica. E o mais legal de tudo: quando resolvemos mudar do segmento de móveis para o corian ele foi a pessoa que nos apoio desde o início”, conta a empresária.

Quando começou a atuar na empresa da família, Deise fazia de tudo. “Eu acabava fazendo o financeiro, porque a empresa era muito pequena e tinha poucos funcionários, fazia atendimento ao cliente, medição, projeto, todas as etapas de um projeto eu acabei fazendo”, conta. Conforme a empresa foi crescendo os sócios aprenderam a delegar funções. Hoje Deise se considera “100% comercial”.

Como diretora executiva ela faz a gestão das duas lojas próprias da marca, responde pela área comercial, pelo treinamento para consultoria de vendas e, a partir deste ano, responde pela Infinita Corporate, braço focado no setor corporativo da empresa. Casada com Tiago, um dos designers da Infinita Surfaces, Deise é mãe de Pietro, de seis anos. Desde o início do ano a empresária está mantendo uma rotina de trabalho bem equilibrada com a prática esportiva e com o tempo para a família.

Durante a semana ela se organiza para passar na fábrica as 8h, chegar em uma das lojas perto das 9h e ficar no local até as 17h. Depois deste horário ela tenta, em todos os dias da semana, fazer uma hora de ioga, pilates, corrida ou caminhada extensa. Para 2016 ela prevê uma média de pelo menos uma viagem a cada 15 dias para São Paulo, aonde a empresa tem um escritório e cliente, para o Rio Grande do Sul ou o Paraná, mercados propícios para o setor corporativo.

Considerando-se uma workaholic, Deise se diz satisfeita por ter conseguido uma rotina equilibrada entre trabalho, atividade física e tempo para a família. “Hoje eu busco tornar o meu trabalho de qualidade e ter também qualidade de vida, chegar em casa e ter tempo de curtir com o meu filho de seis anos”, explica Deise. Os finais de semana e o tempo livre a empresária diz que gosta de passar com a família.

“A gente gosta muito de praia, de livraria e de cozinhar. Sempre acabamos concentrando nestas atividades e em sair com os amigos para jantar, por exemplo. Nestas horas (livres) eu gosto de sossego e da família”, resume. Confira, a seguir, a entrevista com Deise Meinert feita esta semana na loja da empresa em Florianópolis:

A Infinita Surfaces é a segunda maior processadoras do material corian no país. Como vocês chegaram neste patamar?

Esse ano faz 10 anos que a Infinita está trabalhando exclusivamente com o corian DuPont, mas nós temos um know how de mais de 20 anos na área de marcenaria. Então quando nós definimos e optamos para trabalhar exclusivamente com este material foi justamente pela versatilidade do produto. Como sempre tivemos um potencial criativo muito grande, a gente tentou levar para a área residencial, que é uma área em que a gente atua com maior volume, toda essa versatilidade que o produto permite para dentro da casa dos nossos clientes. Então a gente vem trabalhando há muito tempo com desenvolvimento de produto e de peças. Esse volume que a gente conquistou é algo que nos surpreende muito. Ele surpreende a própria DuPont porque nós atuamos em três nichos de mercado: no residencial, na área de produto e design e no corporativo. E o corporativo visa um volume absurdo e uma produção em série. Já o residencial é um trabalho minucioso e envolve técnicas artesanais de produção.

São projetos feitos sob medida?

Exatamente. Então no residencial a gente trabalha bancadas de cozinha, lavanderia, banheiros, principalmente áreas molhadas. Porque a propriedade do material, de não ter essa porosidade no produto faz com que estas áreas sejam muito exploradas. Todo mundo que adquire um imóvel precisa de bancadas, então é um volume grande. E a gente estendeu o uso do corian não só para a cozinha. Porque muita gente pensa que o corian é só para bancada de cozinha. Não. O corian a gente estende o uso até no piso do box do banheiro pelas vantagens que o material permite. Então o que acontece? Em 2013 nós tínhamos um estúdio de criação no Continente e nós pensamos em expandir. Vamos criar uma loja, vou ser lojista. Então nós criamos a primeira loja de produtos exclusivos em corian da América Latina. Até então não existia uma loja para oferecer exclusivamente este produto. Essa loja em que estamos hoje. A loja Infinita Surfaces em Florianópolis foi um divisor de águas.

Até então vocês tinham uma fábrica, vendiam os produtos, mas não tinham uma loja em que o corian estivesse em evidência?

Não tínhamos uma loja. Isso porque quando nós iniciamos com o corian, em 2006, nós tínhamos parcerias com empresas de móveis planejados e tínhamos no showroom destas empresas os nossos produtos. Então a nossa comercialização começou a ganhar corpo a partir daí. E quando a gente viu que tínhamos um potencial de produtividade muito grande a gente viu que precisávamos expandir. E com a abertura da loja a gente teve a visibilidade. Daí começamos a atuar diretamente com profissionais, com arquitetos, especificando o nosso produto, e o fato de ter uma loja elimina qualquer concorrência. Porque a partir do momento que o cliente consegue observar o valor que está adquirindo, isso se torna algo muito especial.

Então vocês chegarem atingirem o patamar de serem a segunda empresa que mais processa corian no país teve a ver com dois pontos: a escolha em trabalhar exclusivamente com esse material há 10 anos e a abertura de uma loja exclusiva?

Exatamente. Na questão de volume. Porque quando a gente decidiu e optou em trabalhar com o corian é porque o nosso know how de marcenaria… antes e trabalhar com o corian a gente trabalhava com móveis, iniciamos um processo de exportação com móveis. E foi nos Estados Unidos que nós conhecemos o corian. Só que nos Estados Unidos eles utilizam o corian de uma forma muito simples. Não é um material que tem um valor para eles. Eles valorizam, na verdade, a nossa pedra natural. E como (o corian) é um composto mineral, um material sintético, eles não dão valor. Então eles só envolopam bancadas, pegam a própria placa e colocam sobre a bancada, e aqui a gente transforma esse material agregando design nele. Então a gente conheceu esse produto nos Estados Unidos e vimos como uma grande oportunidade de explorar aqui no Brasil.

Comenta mais sobre o diferencial que este material tem em relação a outros que são utilizados no setor de móveis e decoração?

Quando a gente fala em corian, hoje é um material que se mantem com maior custo. É um material realmente caro.

Qual é a diferença de valor dele em relação aos outros materiais?

Eu sempre comparo ele com o silestone, que também é um material e uma marca ótima, incrível, só que as propriedades do corian são muito superiores a de qualquer outro material. Por que? Porque é um material que não tem porosidade, a composição dele não tem porosidade nenhuma, ou seja, ele não mancha. E é o único material que tem essa assepsia, que se assemelha com esta propriedade não ter porosidade é o aço. Só que o aço não é explorado. Primeiro porque ele é um material frio. Depois ele só tem uma cor, ele amassa, ele arranha com muita facilidade. Então o corian se mantém com inúmeras vantagens sobre outros materiais. As emendas imperceptíveis, por exemplo. Eu posso ter uma bancada com 10 metros e não perceber emendas, embora tenham várias emendas nesse material. O fato de poder fazer uma cuba com o mesmo material e com acabamentos higiênicos também. A impressão que tu vai ter da tua bancada de cozinha, isso que a gente ainda agrega acessórios da nossa linha, de autoria da Infinita, que são escorredores e cuba tudo no mesmo material, então a impressão que você tem é que você tem um tampo com tudo esculpido nele. Um trabalho muito diferente e que você não vai conseguir fazer com outra matéria-prima.

Sobre a diferença de preços, é possível quantificar o quanto o corian é mais caro que outros materiais com que ele concorre, apesar destes diferenciais do produto?

Quando queremos dar uma ideia para o cliente de quanto ele vai gastar, nós comparamos com o preço por m2 de material. O que acontece? A minha cuba, o meu escorredor, ele não entra nessa metragem quadrada, ele entra como preço de produto. Então o maior valor agregado do meu produto está nas cubas e nos acessórios especiais. Porque estes produtos são feitos de forma artesanal. Até 60% do processo é industrial, os 40% é um funcionário que estará polindo à mão…

Sem contar o investimento em design.

Exatamente. Então assim, se for comparar apenas o preço do m2, o corian está hoje em torno de R$ 3 mil ou R$ 3,5 mil o m2. Dependendo de cor também. Isso influencia. O corian branco é o mais em conta, mas temos outras coleções. Mas, por exemplo, se for comparar com o silestone, eles trabalham com metragem linear. Então se tu for converter metragem quadrada de tampo de corian e metragem quadrada de silestone no branco, por exemplo, tem orçamentos que eu consigo ficar mais competitiva que o próprio silestone.

Mas se formos comparar com mármore ou granito, ou com outro tipo de pedra que é utilizada em cubas, por exemplo, de quanto seria a diferença de preços?

Quando chega no patamar de granitos, é algo que não temos como comparar. Porque o preço de um granito vai de R$ 500 a R$ 1.000 o m2. O granito é o que se tem de mais em conta. Depois tem os mármores, que são mais sofisticados. Mas daí tem a questão do uso. Não é recomendado usar um mármore em uma cozinha, por exemplo, porque é um material que tem muita porosidade. Então se cai um azeite, um molho de tomate ou deixa um vinho (em cima), ele vai manchar permanentemente. O corian, se acontecer qualquer tipo de avaria no material, e não é fácil disso acontecer, porque estou há 10 anos trabalhando com ele e nunca tive problema, mas vamos supor que caia um pedaço da laje em cima do tampo (de corian), e quebre esse tampo, eu consigo reparar a área que foi quebrada. Eu retiro a área danificada, colo uma placa com adesivo de corian, faço o polimento e você nunca vai dizer que aconteceu alguma coisa. Então além de todas as vantagens, ele é reparável.

Antes comentaste da durabilidade maior do material também. Quando colocas esta variável na conta, qual é a diferença do corian em relação aos demais materiais?

Eu sei que o silestone, por exemplo, também tem um bom tempo de garantia, mas a gente sempre mostra para os clientes as propriedades (dos materiais). Ou seja, o silestone eu comparo com um MDF de pedra. Porque ele passa por um processo de composição e de trituração do material que deixa a placa mais resistente e com uma cor uniforme. Só que ela não deixa de ter uma porosidade, apesar de ser mais resistente que o granito bruto e natural. Mas o corian é diferente. Ele tem uma resistência a impacto muito grande e tem uma propriedade de não manchar, asséptica. A própria composição dele… ele tem 30% de acrílico. Ele vai fazer com que nada ultrapasse as camadas internas do material. E ele vai tornar esse material muito mais resistente a impacto do que qualquer outro. Então em relação à manchas é a mesma coisa. É uma garantia de 10 anos que ele não vai manchar. E a limpeza é muito fácil de fazer: você vai pegar uma escova Scotch Brite, daquele lado verde, molhada, com qualquer detergente multiuso e esfregar. Deixou um vinho ali? Vai esfregar até limpar. Tudo que manchar superficialmente ele vai limpar. Ele é, realmente, um material muito mais resistente que outros.

Quanto a empresa conseguiu crescer nos últimos anos, em média? Em 2015, mesmo em fase de retração econômica, foi possível aumentar as vendas e o faturamento?

Foi possível aumentar as vendas e o faturamento. A gente abriu uma loja conceito em Balneário Camboriú. Quando abrimos a loja de Florianópolis, nos já atendíamos o público de Balneário Camboriú, alguns profissionais de lá, mas como tínhamos muitos clientes e conseguíamos trabalhar projetos muito especiais lá, a gente estava em fase de expansão e achamos importante estarmos presentes em Balneário Camboriú. Inauguramos a nossa loja conceito em novembro de 2014 e obviamente o resultado foi magnífico. Nós tivemos um crescimento no ano passado de 32% no faturamento em relação ao resultado de 2014. Isso é um resultado incrível diante de toda a situação econômica atual. Porque o nosso cliente também é um cliente diferente, é o cliente AA, então nós trabalhamos com encantamento. E a partir do momento que você encanta com o produto, dificilmente você vai perder, e quando passa confiança, quando tem uma loja física, quando se fala em concorrência, percebemos que não temos muitos concorrentes. Mas existem alguns processadores que trabalham com a matéria-prima corian. O meu lema é dizer… “Ah, você vende o que?”. “Eu não vendo corian, eu vendo Infinita”. Porque a gente vende a marca, um conjunto de serviços agregados que faz toda a diferença. É receber o cliente, ele sentir o cheiro da loja, é o atendimento, é a consultoria de profissionais capacitados, então é isso que a gente representa hoje no cenário nacional e até fora do país com a Infinita.

Quanto vocês cresceram nos anos anteriores? Nesta mesma média?

O crescimento foi maior. Nos últimos três anos ele ficou na faixa de 40% e 45% de crescimento. Isso no período anterior até 2014. Porque a abertura das lojas também fez com que isso fosse fortalecido. Entre 2013 e 2014 também foi o boom porque a gente abriu a loja de Florianópolis e a de Balneário Camboriú. Então o crescimento vem se mantendo em uma boa margem.

Daniel Queiroz/ND

A diretora executiva da Infinita Surfaces aposta no segmento corporativo para fazer a empresa catarinense continuar crescendo com vigor neste ano

Além da loja em Florianópolis, a Infinita Surfaces inaugurou, em 2014, uma loja conceito em Balneário Camboriú. Qual é o resultado desta nova loja até agora?

Na verdade a gente ainda está fazendo essa análise de dados porque, até então, a Infinita não tinha o esquema de franquias. A gente tem a fábrica em Biguaçu, que atende tanto a região de Florianópolis, Balneário Camboriú, quanto São Paulo. Também temos atendimento em São Paulo, com equipes de instaladores lá. Até então todo o faturamento era concentrado em um único ponto da Infinita. E agora estamos subdividindo as lojas, separando o faturamento de Balneário Camboriú e o de Florianópolis. Eu ainda não tenho esses dados precisos para passar porque este movimento é recente. Mas tivemos um crescimento interessante com a abertura da loja de Balneário (Camboriú).

Mudando o foco da pergunta: Qual foi a diferença para a marca da Infinita com a abertura desta loja conceito em Balneário Camboriú?

A loja de Balneário (Camboriú) é uma loja diferente por ser conceito. Ela atraiu olhares de críticos do décor e isso, para a gente, foi incrível. Porque, querendo ou não, traz muito prestígio para a marca. Levou a marca para um outro patamar. Acho que o próprio conceito da loja, de abordar e da gente respirar design quando entramos nela, é incrível. E o mercado de Balneário está muito receptivo a esse tipo de padrão. Foi um dos medos que nós tivemos quando nós pensamos em abrir a loja porque ela realmente tem a minha cara e a cara do Rodrigo (Meinert), um dos meus sócios, porque a gente ama essa pegada mais conceitual, esse design mais industrial também que mantivemos lá. E ficamos com muito medo porque Balneário sempre se caracterizou por aquelas coisas muito over, muito clássico, muito lustre, muito Swarovski, muito ouro, e aquela ostentação e aquilo tudo meio rococó. E a gente ficou assim “Será que vai rolar? Será que vai ter aceitação?”. E foi bem em um período em que Balneário está se renovando e se abrindo para esse tipo de conceito. E a loja é incrível. Não tivemos um cliente que não tenha se identificado, porque por mais que ela tenha um conceito diferente, a nossa linha de produtos está toda lá em exposição. Então a gente não mudou a cara do produto, ele continua o mesmo, só a sensação da loja que é diferente. E o que eu posso te dizer, comparado a Florianópolis, é que Balneário, de 2014 para cá, ela ficou 10% acima do faturamento da loja de Floripa.

Isso mesmo ela sendo uma loja nova.

Exatamente. E algumas ações que a gente faz também… até para tirar essa coisa dos mitos do material. Como que é um material que não pode colocar a panela quente, porque ele é um material termomoldável. Você pode, com altas temperaturas, aquecer e trabalhar formas diferentes. Então a gente grava (na loja) muito programa de gastronomia, a gente chama chefs na loja, porque a cozinha é funcional, justamente para testar na prática o uso do material. Então fazemos várias ações assim para movimentar também.

Nestes últimos anos vocês repararam que Balneário Camboriú passou por uma renovação na arquitetura e na decoração?

Sim. Nós temos grandes profissionais da área de arquitetura e de design nessa região. Esses escritórios estão em ascensão e estão mostrando ao que vieram. Isso é muito legal porque, querendo ou não, eles acabam trabalhando projetos diferentes também nessa pegada conceitual e trazendo para as mostras, que são o cartão-de-visitas deles. Nisso, eles utilizam materiais que se adequam e que ficam dentro de uma realidade atual. Fazer o clássico não é fácil. Quando ele é bem feito, ele é lindo. Mas eu acho que o mercado da cidade está caminhando para isso, para uma arquitetura mais limpa, mais minimalista, que favorece o cliente. Porque muitas vezes tu colocar inúmeras coisas em um projeto ele vai acabar deixando o projeto extremamente inviável, caro demais, sendo que se você tem um bom profissional trabalhando para ti e que trabalhe a tua necessidade em um projeto mais minimalista, todo mundo agradece.

A Infinita Surfaces investe constantemente em design e na inovação através de seu laboratório de criação. Quantos lançamentos são feitos por ano, em média?

Quantos produtos por ano é algo muito relativo. Porque se você for ver essa questão de criação de produtos, a gente vem desenvolvendo isso nos últimos quatro anos. Inclusive, em 2015, a gente teve uma notícia incrível. Inscrevemos duas peças do nosso portfólio desenhadas pelo meu sócio, o Rodrigo Meinert, e as duas peças foram finalistas do Museu da Casa Brasileira, o maior concurso de design do país. E isso foi muito legal porque mostra que a gente está no caminho certo. Foram duas cubas incríveis. Nós desenvolvemos a primeira na abertura da loja, uma cuba preta, e a gente não mudou uma linha desta cuba. Ela continua exatamente com o layout de quando ela foi criada. E essas duas cubas (selecionadas pelo Museu da Casa Brasileira) são as que a gente mais vende. Depois do resultado do concurso só dá elas. Mas hoje, por exemplo, a gente tem 13 cubas de banheiro da nossa autoria, nós temos os acessórios e as cubas de cozinha. Então isso tudo a gente acabou lançando em um primeiro momento com a loja, e nos últimos três anos a gente vem agregando esse trabalho junto a profissionais da área, a designers e a grandes nomes, e trabalhando peças em conjunto, em parceria.

Mas me dá uma ideia sobre esse desenvolvimento de novas peças nos últimos anos. Em média a Infinita lançou quantas peças novas por ano?

Temos uma média de cinco peças por ano. Porque cada peça tem que passar por um processo de amadurecimento. Não desenhamos uma cuba ou qualquer outra peça sem antes ver a aceitação de mercado. Embora essas duas cubas… a cuba Diamante tem ângulos bem marcados, feita para um cliente ousado, que goste de trabalhar com algo diferente, moderno, a gente tem muito cliente que acaba trabalhando uma linha de mais fácil assimilação, que ele não vai enjoar. Mas temos todo um estudo de projeto, de ergonomia, é feita uma pesquisa de mercado para ver a aceitação do público destes produtos. Mas, em média, temos por ano cinco produtos no máximo, que são produtos que vão entrar em linha e em comercialização.

Como vocês fazem as parcerias para a criação de novas peças?

Isso é muito importante para a Infinita porque o público residencial tem quase 100% da indicação é feita pelo profissional. Porque o corian é um produto ainda muito novo no Brasil. E ele é um produto também muito elitizado. Então, normalmente, não vem um cliente aqui sem arquiteto para comprar uma bancada. Ele não sabe o que é o corian. Então quem vai dizer para ele o que é o material e o quão bom ele é o profissional. Então temos parcerias com muitos profissionais da área e alguns muito fidelizados com a marca. Porque, querendo ou não, é a responsabilidade deles. Se a indicação não for boa a responsabilidade com o cliente é deles. Então temos trabalhado bastante com profissionais incríveis e com projetos incríveis. E cada vez mais bombardeando eles de informações sobre a empresa, sobre os produtos. Como temos um departamento de design, então trabalhamos materiais como catálogo, informativos, temos trabalhado muito com os profissionais para que eles tenham acesso a todos os serviços que a Infinita proporciona.

Você acha que pelo perfil do produto que vocês vendem seria complicado, logo mais, vocês investirem em venda direta através de uma loja virtual?

A única maneira da Infinita trabalhar esse e-commerce com loja virtual é trabalhar em desenvolvimento de peças prontas que possam ser entregues em qualquer lugar, dentro e fora do país. Só que isso a gente vê como um caminho muito longo ainda. Porque o valor do corian faz com que a gente trabalhe uma única peça com todos os agregados, como se fosse algo esculpido. E para isso cada caso é um caso, cada casa é uma medida, então não tem como a gente padronizar tamanhos de bancadas, por exemplo. Mas eu posso fazer uma cuba Diamante para vender na internet, posso fazer acessórios em corian, mas no momento é algo que não pensamos em trabalhar. No futuro, quem sabe? Ainda o residencial é algo muito exclusivo, muito sob medida, embora a gente tenha toda a padronização de cubas e acessórios, precisa do tampo, depende do imobiliário que o cliente vai colocar em sua casa, então é um trabalho bem pontual.

Vocês veem que ainda tem como crescer bastante sem entrar no e-commerce.

Ainda tem como crescer muito.

Na semana passada você participou de um encontro com Rose Lee, presidente global de DuPont Protection Solutions. Quais são as estratégias da marca para este ano?

Na verdade a Rose Lee não pode comparecer no encontro por causa das nevascas nos Estados Unidos, o que fechou todos os aeroportos de lá. Mas ela volta ainda este mês. Mas posso dizer que as perspectivas são de um ano difícil porque nós trabalhamos com um material importado.

E neste sentido a cotação na base dos R$ 4 não ajuda.

Não ajuda, mas eles tem uma negociação anual com a Dupont. Se fosse pela cotação do dólar, o nosso trabalho já estaria completamente inviável. Mas as negociações entre DuPont do Brasil e a divisão no Exterior já estão bem alinhadas. São feitos contratos a longo prazo. No ano passado nós tivemos dois aumentos, e um aumento geral de matéria-prima em 2015 de praticamente 30%. Foi um aumento significativo.

Vocês tiveram que repassar estes aumentos ou conseguiram absorver alguma coisa?

Conseguimos absorver o primeiro aumento, mas tivemos que repassar o segundo já com o reajuste total. Mas é algo que não impactou tanto quanto a gente imaginou. Acho que a maior dificuldade, de todos os lojistas, na verdade, que trabalham com esse mercado de luxo, é uma negociação em período de crise aonde o cliente está adquirindo e vai querer o máximo de desconto possível porque o país está em crise e todo mundo precisa vender. Então obviamente a rentabilidade diminui, mas conseguimos manter as vendas e os faturamentos acelerados, e isso é importante. As perspectivas para 2016 da Infinita passam pela empresa criando um novo departamento, que é o Infinita Corporate, no qual eu estou respondendo diretamente. Esse departamento não é atendido pelas lojas, mas diretamente pela fábrica em grandes volumes. O que está em ascensão hoje no Brasil é o mercado hoteleiro, de hotelaria, que está crescendo. Estão surgindo vários hotéis e várias reformas, e isso traz uma oportunidade muito bacana do uso do nosso material. A área hospitalar é incrível também.

A área hospitalar, pela questão da assepsia do material, também tem grande potencial, não?

Na área hospital é muito legal porque o corian é um dos materiais, porque somente ele e o aço são permitidos em centros cirúrgicos e UTIs por não terem porosidade. Então a demanda e procura pelo corian está cada vez maior. Então a Infinita Corporate vai atender obras de grande volume de produção em série que não tem, nem de longe, a complexidade que um residencial exige. Ali é questão de m2 de bancada e, normalmente, cubas prontas já da DuPont, que tem uma linha de cubas na cor branca que atende perfeitamente a área hospitalar. E hoteleira também, com alguns padrões de cuba. Porque simplesmente é só colar ela, trabalhar a colagem dela no tampo, e isso faz com que a gente tenha uma produção mais acelerada e uma complexidade muito menor. E isso também reflete no custo. Estamos falando de 40% a 50% de custo a menos do que a tabela de preço do residencial.

Por que daí você reduz aquela proporção do trabalho manual no processo?

Exatamente. É uma venda direta para construtoras, para quem está trabalhando o projeto. Então toda a operação fica mais fácil.

Quando vocês criaram esse departamento exclusivo para o segmento corporativo?

Na verdade a gente já atendia o corporativo, mas preferimos atender o residencial. Mas em um ano de crise a gente tem que se reinventar e criar novas alternativas, e hoje a Infinita está com uma capacidade produtiva muito grande, uma setorização incrível na fábrica de departamentos que respondem por cada processo. E nós tivemos uma experiência no ano passado na Clínica de Odontologia da Unisul, na Pedra Branca, que foi também um volume considerável e a gente ficou muito surpreso com o resultado de instalação, de agilidade, de tudo. Então esse ano estamos com esse departamento pronto para atender esse perfil. De volume é agora que estamos começando, com esse departamento externo para atender a esse segmento.

Além desse novo departamento, quais os planos da empresa para este ano? Vocês projetam crescimento ou novos investimentos?

Nós temos um planejamento de novos investimentos na fábrica. De setorização de máquinas. Vamos renovar o parque fabril e a grande sacada deste ano é o corporativo. É ele que vai dar corpo para que todas as outras operações se mantenham com tranquilidade. Se nós continuássemos com o residencial… foi uma análise que a gente fez, até que ponto vale a pena a setorização de máquinas e equipamentos para o uso residencial. Nós já temos uma produtividade incrível se falando de peças com acabamentos artesanais. Então chega um ponto do processo em que a gente não precisa mais de máquinas. Agora, se a gente abre o foco para um outro mercado, a gente precisa de produtividade. Mais ainda. Então a gente está falando de máquinas de CNC, de mais seccionadoras, de máquinas de corte, são processos que vão dar mais agilidade. Projetamos investimento de R$ 500 mil em máquinas nacionais.

Esse investimento no segmento corporativo também deve gerar novas contratações de mão de obra?

Isso tudo vai depender do volume que a gente vai atingir. Hoje temos uma equipe de 40 funcionários. A princípio não temos necessidade de aumentar a equipe. Se fizermos o investimento em maquinários menos ainda. Então, a princípio, está tudo redondo.

Até este novo foco e o segmento corporativo ganhar um novo impulso para os negócios, qual era a representatividade de cada segmento para o faturamento da empresa?

Até agora podemos falar de 70% em residencial, 20% em produto e 10% em corporativo. A ideia é que a gente mantenha 50% em residencial e 50% corporativo. Até porque a gente criando esse departamento em fábrica e estruturando para isso a gente consegue atender a essa demanda perfeitamente com a nossa equipe. A ideia é que o corporativo ganhe corpo.

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