Demitidos da Wetzel cobram pagamento de rescisões

Empresa com sede em Joinville entrou com pedido de recuperação judicial e demitiu 170 funcionários no início de fevereiro

Fabrício Porto/ND

Demitidos pela Wetzel se reuniram nesta quinta-feira na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville para ouvir as explicações dos advogados da empresa e o posicionamento da entidade sindical

Enquanto a Wetzel espera pela aprovação do pedido de recuperação judicial, os 170 funcionários demitidos no início do mês aguardam o pagamento das rescisões. Na tarde desta quinta-feira, eles se reuniram na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville para ouvir as explicações dos advogados da empresa e o posicionamento da entidade sindical sobre o assunto.

Conforme o advogado do escritório que está gerenciando a parte trabalhista da Wetzel no processo de recuperação, João Carlos Harger Junior, o valor das rescisões será incluído como crédito concursal, caso o pedido de recuperação seja aceito pela Justiça. Desta maneira, o pagamento dos trabalhadores demitidos pode ser realizado em até um ano após homologação do plano de recuperação judicial.

Esta situação pegou de surpresa muitos funcionários. Um deles, Luciano Marcelino Dourado, acha que houve traição por parte da empresa. “Ninguém falava de recuperação judicial lá dentro. Acredito que eles não falaram e nos demitiram agora para não pagarem nossas rescisões à vista. Para mim, foi uma traição”, disse Dourado, que trabalhava como operador de acabamento há dois anos e sete meses.

“A gente sabia que a situação estava ruim, mas não tínhamos ideia do tamanho do problema”, declarou Daniel Pereira, ex-funcionário que trabalhava na divisão Alumínio. Ao contrário de outros colegas de trabalho que queriam sair da empresa, a demissão não era esperada por Pereira. “Não imaginava que eu seria mandando embora também”, confessou. Agora, ele está correndo atrás de novo emprego, mas admite que será difícil conseguir um trabalho que pague um bom salário como o que recebia. “O que mais me preocupa agora é não receber a rescisão. Tenho contas para pagar”, acrescentou.

Segundo o  sindicato, a Wetzel nunca deixou de pagar os salários, porém ex-funcionários afirmaram que desde março do ano passado a empresa não estava depositando o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) – fato que prejudica não somente quem foi demitido, mas também os outros cerca de 1.000 empregados que continuam trabalhando na companhia.

O advogado da empresa argumenta que toda a questão de FGTS será negociada junto à Caixa. “É preciso realizar o pagamento na Caixa, com a guia exata, sob pena de não se considerar o pagamento. Assim, qualquer pendência de FGTS, a empresa não constou nos valores devidos aos trabalhadores, mas sim à Caixa, para depois repassar aos funcionários”, argumenta.Segundo Harger, esse procedimento é imposto pelos posicionamentos dos tribunais.

 A Wetzel fez o pedido de recuperação judicial dois dias após demitir 170 funcionários, na semana passada. O processo está tramitando na 4ª Vara Cível de Joinville.

Participe do grupo e receba as principais notícias
de Joinville e região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Economia

Loading...