Eletrosul inaugura Pequena Central Hidrelétrica na Serra de Santa Catarina

Com capacidade para produzir energia para 150 mil habitantes, usina é a maior da estatal no Estado

Hermínio Nunes/Divulgação/ND

PCH Pequena Central Hidrelétrica João Borges

Usina na Serra aproveita relevo catarinense

A Eletrosul inaugura a PCH (Pequena Central Hidrelétrica) João Borges nesta segunda-feira, na Serra Catarinense. Orçada em R$ 172 milhões, a usina fica entre os municípios de Campo Belo do Sul e São José do Cerrito e tem capacidade para produzir energia para 150 mil habitantes, ou 19 megawatts (MW), sendo o maior empreendimento de geração da estatal no Estado. De acordo com o presidente Eurides Mescolotto, a inauguração representa um passo importante no retorno da Eletrosul no setor de geração de energia.

Esta é a segunda usina desse porte da estatal na região. Uma nova central de geração deve começar a ser construída em janeiro, a PCH Santo Cristo, próximo a Lages. “É um esforço da Eletrosul em contribuir um pouquinho para aumentar a capacidade de crescimento. Santa Catarina tem uma vocação para PCHs. É o estado que tem maior percentual do Brasil. Por isso, essa é a nossa segunda usina desse porte, e já temos outra iniciando as obras em breve”, afirmou Mescolotto, se referindo à usina Barra do Rio Chapéu, entre Santa Rosa de Lima e Rio Fortuna, que iniciou operação em março de 2013.  

A geografia do Estado foi lembrada para justificar a escolha pela usina. “Os nossos rios não são altamente volumosos, a exceção do Uruguai, que faz divisa com Santa Catarina. São rios menores, propícios a pequenos empreendimentos. O relevo também ajuda”, contou.

O presidente ainda destacou o investimento de R$172 milhões na hidrelétrica, uma fonte renovável de energia, e citou outros projetos. “Hidrelétrica é uma energia que se renova a cada minuto. Também damos atenção para energia eólica. No entanto, há apenas duas regiões que são indicáveis para esse tipo de matriz energética: no Nordeste do Brasil e no extremo sul do Rio Grande do Sul. Estamos avaliando se o mesmo pode ser feito no Planalto Central catarinense”, disse.

De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a capacidade de geração em Santa Catarina é de 7,3 GW (gigawatts), com mais de 70% proveniente de hidrelétricas. As PCHs produzem cerca de 500 MW de potência, representando mais de 7% da matriz energética no Estado, o dobro da média nacional.

Segunda PCH inaugurada pela Eletrosul em 2013

A PCH João Borges começou a operar em julho e capacidade de 19 MW, graças ao potencial hidrelétrico do rio Caveira. A altura das barragens chega a 22 metros. A produção é superior à usina Barra do Rio Chapéu, que tem capacidade de 15,5 MW.

Os empreendimentos são resultado de um acordo de cooperação energética entre o Brasil e a Alemanha, firmado em 2008. As obras foram financiadas pelo banco de fomento KfW com recursos do Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha.

Geração de energia deve dobrar até 2030

Fontes não faltam para se investir em energia em Santa Catarina. Segundo Eurides Mescolotto, os últimos investimentos feitos em geração e transmissão de energia dão segurança para a população esquecer novos apagões. “Com o sistema interligado, o Brasil tem geração suficiente para atender a sua carga. Se falta no Sul, manda energia do Nordeste pra cá; e o inverso também pode acontecer. A Ilha de Santa Catarina entrou no sistema quando recebeu os cabos submarinos, após o apagão de 2003. Hoje, isso não aconteceria”, garantiu.  

O presidente da Eletrosul falou sobre na expectativa do setor de geração de energia. “Tenho clareza que não vai faltar energia pro crescimento da nossa região, seja para indústria ou para as residências. Há um cálculo que diz que nós temos que dobrar a nossa capacidade de geração de energia até 2030, e temos uma programação de crescimento de 55% até 2022. Esse é o planejamento. Há 10 anos, o governo não tinha planejamento e hoje tem”, disse.

As novas usinas e outros empreendimentos também reforçam o retorno da Eletrosul como geradora de energia. “Temos dois focos, mas obviamente somos maiores em transmissão, porque ninguém tirou a transmissão de nós. Já temos uma produção superior a 1800 MW, e o objetivo é crescer sempre e superar o que já tivemos na década de 1990”, afirmou Mescolotto.

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