Encontro na Fiesc reúne lideranças e empresários para discussão dos desafios e conceitos

Reunião promovida pelo Grupo RIC, governo do Estado e Alesc começa ao meio-dia, na Fiesc, com transmissão ao vivo pela Record News SC e cobertura do portal ND online

O jornalista Eduardo Oinegue, que trabalhou por 20 anos na Editora Abril, é um dos convidados desta segunda-feira para um encontro com empresários e lideranças que discutem o tema “Construindo conceitos por uma Santa Catarina melhor”. A reunião, promovida pelo Grupo RIC, governo do Estado e Assembleia Legislativa de Santa Catarina, será durante almoço na Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), com palestras e pronunciamentos do presidente executivo do Grupo RIC SC, Marcello Corrêa Petrelli, do governador Raimundo Colombo e do presidente da Alesc Gelson Merisio.

Divulgação/ND

Eduardo Oinegue falará sobre o papel dos empresários num cenário de incertezas

A palestra de Oinegue terá o tema “O papel do empresariado – desafio num cenário de incertezas”, na qual defende a ideia de engajamento dos empresários do Estado num projeto de promoção de Santa Catarina. O evento será transmitido ao vivo pela Record News SC, a partir do meio-dia, e terá cobertura do portal ND Online e nas redes sociais do Grupo RIC, minuto a minuto, pelo Twitter e Facebook.

Oinegue é diretor da Análise Comunicação, empresa especializada em consultoria no campo da comunicação institucional; apta a desenvolver projetos de comunicação voltados para ambientes de instabilidade e cenários adversos. O jornalista participou ativamente de algumas das grandes disputas comerciais do país, bem como orientou várias grandes companhias a enfrentar desafios no campo da imagem e da reputação. Em entrevista do ND, Oinegue falou sobre Santa Catarina, crise do país e situação política.

O país enfrenta uma de suas piores crises sob o ponto de vista político, institucional e econômico. Que receita você daria aos empresários catarinenses diante do atual quadro?

A crise econômica é grave, o quadro político desafiador. Parece nó de marinheiro. Sem falar da crise social, que não atingiu o fundo do poço. O desânimo é compreensível. Institucionalmente, no entanto, o Brasil tem demonstrado uma consistência admirável. E é essa consistência institucional que nos tirará do atoleiro. A Constituição brasileira, com todas suas imperfeições, oferece soluções claras até mesmo em casos mais dramáticos, como o que temos agora. Aos empresários não ousaria oferecer receitas, posto que são PhD em adversidades. Noto, no entanto, que muitos têm aproveitado a crise para implementar ajustes na empresa. Eficiência, produtividade, qualidade, inovação e ousadia nunca foram tão exigidas como serão a partir de agora.

Desemprego, inflação, redução da atividade produtiva e uma carga tributária gigante. Como encarar o futuro com otimismo diante de um quadro tão negativo?

Ao valorizar o chamado “lado bom das coisas”, o otimismo é um tipo de miopia. Ser otimista é um risco na crise e fora dela. Não havia crise macroeconômica quando a Kodak quebrou, há alguns anos, superada pelo avanço tecnológico. Também não se pode creditar a uma crise o fim da americana Iridium, que colocou em órbita mais de 70 satélites para produzir um sistema de telefones revolucionário, que não pegou. Os executivos da Kodak e da Iridium talvez tenham sido otimistas demais na análise do futuro. Todo empresário bem sucedido opera com alguma dose de otimismo, mas a experiência acumulada fez com que desenvolvessem sistemas de controle do entusiasmo. A crise maltrata a todos de maneira cruel, reduzindo a demanda e sufocando as fontes de financiamento. Não tenho dúvida de que, em função dela, os empresários brasileiros ligaram seus sistemas de controle de entusiasmo na potência máxima.

Santa Catarina é um Estado diferenciado?

Não há nada melhor do que um ranking para reduzir a subjetividade nas discussões. Santa Catarina é um Estado admirável porque aparece quase sempre no topo nos rankings que analisam pontos positivos dos Estados brasileiros, bem como no pé dos rankings que listam os Estados segundo as dificuldades. Além disso, o Estado possui uma alma empreendedora admirável. O mais difícil está aí, que são as virtudes. O desafio é alcançar reconhecimento. Reconhecimento nacional, regional e internacional. Tome o exemplo das bandas bem sucedidas. O reconhecimento, que significa shows lotados, acontece apenas se os artistas pegam a estrada ou se lançam clipes muito vistos no YouTube. Os investidores, os formadores de opinião, os tomadores de decisão e a própria sociedade não vão reconhecer Santa Catarina como um lugar especial só porque o Estado é virtuoso. Santa Catarina tem que pegar a estrada. Trata-se de uma missão do governo, claro, mas também das lideranças empresariais. Fundamental que a imagem de Santa Catarina seja tão boa quanto Santa Catarina.

Qual a sua sugestão para melhorar a imagem de Santa Catarina?

Quando pensamos em Hollywood, automaticamente vem à cabeça aquela placa com o nome do distrito de Los Angeles, a calçada da fama e os artistas de cinema. Isso é reconhecimento, no caso, reconhecimento mundial. Santa Catarina precisa ser reconhecida nacionalmente como o grande Estado brasileiro que é, não como um bom Estado. Defendo o desenvolvimento de um modelo associativo para promover Santa Catarina como polo de atração de talentos em áreas variadas: academia, tecnologia, inovação, investimentos. Quais serão as virtudes trabalhadas, tudo pode ser discutido. O governo faz sua parte, com as estruturas dedicadas a esse fim, mas a iniciativa privada talvez possa ser mais agressiva. Santa Catarina possui as virtudes. É hora de divulgá-las.

Faz sentido apostar na imagem do Estado num momento tão ruim da economia nacional?

Onde parece haver contradição talvez exista uma grande oportunidade. A maioria dos Estados brasileiros está em situação dramática. Tome os vizinhos do Sul ou os Estados mais ricos, no Sudeste. Os governadores estão consumidos por uma agenda de crise. Com todos seus desafios, Santa Catarina é uma exceção. O governo paga os servidores em dia, fez uma reforma da previdência e não aumentou a carga tributária. Quando a economia voltar a crescer, e vai, mais dia, menos dia, Santa Catarina estará em ótimas condições para competir pelo investimento, ainda mais se trabalhar sua imagem. Reputação é um insumo importante no ambiente de negócios.

Mas os investidores não colocam todos os Estados na mesma gaveta chamada Brasil, da qual eles querem ficar distantes?

Ninguém investe no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo porque quer. Investe porque precisa. Na crise, uma parte dos investidores se retrai. Numa crise grave, se retrai muito. Alguns até somem. Mas isso não nos autoriza a descuidar da nossa imagem. Investidores são gestores de fundos que prometeram aos clientes uma taxa de retorno que precisam buscar, sob pena de perder dinheiro. São empresários que precisam expandir seus negócios, sob pena de perder mercado. Sempre haverá algum recurso entrando. E Santa Catarina tem que trabalhar para ficar com esse dinheiro.

Diante das denúncias de corrupção, que envolvem políticos, partidos e empresários, qual a expectativa dos investidores internacionais neste momento? O Brasil ainda é um país viável para grandes aportes de investimentos?

Investidor não se choca com corrupção, da mesma forma que o domador do circo não se impressiona com o rugido do leão. É parte da vida deles. Diversas empresas globais se envolveram em casos lamentáveis de corrupção, e nem por isso deixaram de atrair investidores. Celebraram acordos de leniência, pagaram multas de bilhões e bilhões de dólares, trocaram executivos denunciados, adotaram regras mais rígidas de compliance, fizeram a lição de casa. O que assusta os investidores, portanto, não é a corrupção, mas a incerteza.

Incerteza sobre o impeachment, por exemplo?

Incerteza provocada por regras gelatinosas. Nos últimos dez anos, foram editadas mais de 400 medidas provisórias e mais de 2.000 leis. A Receita Federal editou 1.200 diferentes normas. Na área agropecuária foram 75.000 regulamentos. Tivemos, na última década, 300 milhões de ações na Justiça. Imagine ser convidado para uma partida de futebol e, de repente, o time adversário pega a bola com as mãos, sai distribuindo trompaços, chega à linha de fundo e festeja um touchdown. Investidor tem medo é disso. De entrar no campo acreditando conhecer as regras, e elas começam a mudar.

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