Entrevista. Cônsul Geral da França em SP fala sobre os trunfos de Santa Catarina

O cônsul geral da França em São Paulo visitou Santa Catarina pela terceira vez na semana passada para conhecer em detalhes as condições do Estado para receber mais investimentos franceses

Bruno Ropelato/ND

Damien Loras disse que Estado não é “apenas bom para viver, mas para investir também”


Visitando pela terceira vez Santa Catarina, o cônsul geral da França em São Paulo, Damien Loras, veio conhecer em detalhes a realidade dos empresários franceses e a política de incentivos para facilitar investimentos no Estado. Além de visitar empresas francesas instaladas na região, o cônsul também participou de reuniões com representantes do governo do Estado. Confira os principais trechos da entrevista concedida no saguão do hotel onde Damien ficou hospedado em Florianópolis. “Santa Catarina não é apenas bom para viver, mas também investir”, afirma o cônsul.

Que avaliação o senhor faz desta viagem, a terceira ao Estado, na qual fez parte da agenda um encontro com o governo do Estado e com empresários franceses que atuam em SC?
Essa visita está mais focada em negócios. Encontrar ainda mais empresas francesas que escolheram se desenvolver e se instalar aqui. Para ver como se comportam, se têm dificuldades, saber como podemos ajudar mas também para mostrar as nossas outras empresas que já estão instaladas em São Paulo para avaliar a atratividade de Santa Catarina como terreno de potenciais investimentos. Queremos entender melhor os problemas delas e os trunfos de Santa Catarina para que possamos aconselhar melhor as empresas francesas que querem se instalar no Brasil ou que estejam no Brasil, mas no Rio de Janeiro ou no Nordeste. Porque Santa Catarina é um lugar não apenas bom para viver, aproveitar as praias, mas também investir e fazer negócios. O encontro que tivemos também com o governo foi dedicado a esse assunto. Qual é a atratividade do Estado de Santa Catarina? Se eu sou de uma empresa francesa, por que deveria escolher Santa Catarina no lugar do Rio Grande do Sul? Acho que Santa Catarina tem trunfos maiores.

Quais o senhor destacaria?

É um Estado importante, desenvolvido, rico, com IDH maior, talvez com infraestruturas melhores, com qualificação dos funcionários talvez mais alta. E tem um “bom viver”. Viver faz parte da vida de uma empresa, dos empresários e dos seus funcionários. Esse é um Estado atrativo. Vou sair de Florianópolis ainda mais convencido de que todos olham para São Paulo, que é mais óbvio, tem o Rio de Janeiro e uma moda pelo Nordeste, também, mas é muito mais fácil se instalar aqui e fazer bons negócios do que em vários outros lugares do Brasil.

Hoje as empresas com capital francês instaladas em Santa Catarina representam quanto da fatia de investimentos de franceses no país?
É difícil determinar exatamente o número de empresas no Estado. Porque tem empresas de capital francês, como as grandes Tractebel e Saint-Gobain, mas tem também pequenos negócios, como boulangeries (padarias), restaurantes e importadoras de vinhos. Diria que temos algumas dezenas de empresas, seja com capital francês ou com empresários franceses. Ontem nos encontramos com uma empresa muito simpática e muito ativa, dinâmica e que está progredindo cada vez mais e que se chama Flexicotton. É uma empresa brasileira, mas um dos sócios é francês. Ele escolheu o Brasil há quase 20 anos e agora é um francês com uma empresa brasileira.

O senhor acha que estes investimentos de empresários franceses podem aumentar no Estado a curto prazo?
Sim, achamos que as perspectivas de mais investimentos franceses aqui existe muito. Porque Santa Catarina tem trunfos maiores do que muitos outros Estados. Mas também por causa da situação econômica. O preço de muitos ativos brasileiros se desvalorizaram. O Real caiu também. Então quando você tem euros, tem objetivos e desejo e vontade de investir e se desenvolver no Brasil, tem os trunfos de Santa Catarina e a situação macroeconômica do Brasil: tudo isso cria um contexto favorável ao desenvolvimento das empresas francesas. Nosso embaixador (Laurent Bili) chegou no Brasil há seis meses e virá Santa Catarina daqui dois ou três meses com a ideia de vir para cá com potenciais investidores franceses. Santa Catarina não foi escolhida por acaso.

Especialistas comentaram, em alguns eventos sobre fusões e aquisições em Santa Catarina, no ano passado, que por causa do câmbio o Brasil está ficando barato para os investidores de fora. O senhor concorda?
Não diria que o Brasil está barato, mas que tem ativos que até três anos atrás não existiam no mercado e que agora estão no mercado para vender. Acontece que com a desvalorização do Real esses ativos são muito mais atrativos em termos de preços. Sem dúvida. Mas barato depende da qualidade do ativo. O que as empresas procuram são ativos bons. O ativo ruim e barato não desperta nosso interesse. Mas aqui no Brasil, em geral, e em Santa Catarina, em particular, tem ativos bons, produtos industriais, em particular, que são de alta qualidade, que estão agora acessíveis. Então isso é muito bom.

Antes o senhor comentou que São Paulo é um destino óbvio de investidores, e que depois viria o Rio e a moda do Nordeste. Santa Catarina precisa se fazer mais conhecida para o investidor estrangeiro?
Sim, Santa Catarina merece ser mais destacada e divulgada como terreno de investimentos. Mas é o que o governo está tentando fazer aqui. Há poucos anos foi criada uma Secretaria de Assuntos Internacionais. Sei porque cheguei aqui pela primeira vez há três anos. A política do governo é cada vez mais voltada a promover e vender melhor o Estado como terreno de investimento. Há uma equipe especial para responder melhor às perguntas das empresas, para acompanhar projetos de investimentos. Santa Catarina merece ser mais conhecida, mais divulgada, mas isso está acontecendo. Acho que o caminho está certo.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Economia

Loading...