Facisc avança com os projetos de desenvolvimento local em Santa Catarina

Visita de especialista alemão que ajudou a implantar metodologia em Essen ajuda a impulsionar proposta que está sendo implantada em 12 municípios do Estado e que chega na segunda etapa em quatro deles

O tema do DEL (desenvolvimento econômico local) está ganhando um novo impulso em Santa Catarina desde ontem, quando a Facisc (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina) deu largada para uma semana de debates e de troca de experiências sobre o assunto. Ontem o especialista alemão em DEL Ulrich Meier esteve reunido com formadores de opinião e fez uma apresentação deste modelo para lideranças políticas e empresariais do Estado em Florianópolis trazendo os efeitos práticos e positivos que o DEL teve na cidade alemã de Essen. 

Na agenda do especialista está prevista visita hoje a Taió, uma das 12 cidades catarinenses que já estão implantando o Programa DEL da Facisc. Amanhã ele conhecerá pessoalmente o trabalho feito em Fraiburgo e, na quinta-feira, participará do 2º Fórum do Programa DEL em Itá. Na sexta-feira Meier conhecerá de perto o desenvolvimento da segunda fase do programa em Iporã do Oeste. 

Ontem em entrevista para um pequeno grupo de jornalistas na sede da Facisc, Meier comentou que espera, mais que sensibilizar sobre a importância do DEL, convencer os diferentes agentes da sociedade sobre como este modelo muda a realidade local, gerando emprego, renda, desenvolvimento e envolvimento das pessoas no planejamento das cidades. 

Bom exemplo

Esta é a segunda vez que Meier visita Santa Catarina – a primeira foi em 2011, quando a ideia do DEL ainda estava sendo gestada. Ontem ele disse que vai contribuir, esta semana, com o modelo catarinense, mas que também vai aprender com ele. “Terei pontos que vou levar para casa, novas ideias e conceitos para Essen. Mas algo positivo que vejo aqui (em SC) é que vocês já conseguiram avançar mais na multiplicação deste modelo. Na Alemanha ainda estamos pressos a Essen”, comentou. Na avaliação de Doreni Caramori Jr., diretor financeiro da Facisc e responsável pela implantação do DEL no Estado, a multiplicação maior no Estado se deve à ausência de políticas estaduais e locais de desenvolvimento econômico que “deixem uma marca” e que levem em conta, realmente, um plano de desenvolvimento de longo prazo. 

Segunda fase

O primeiro passo para a implantação do DEL em qualquer cidade de Santa Catarina é o processo de sensibilização de lideranças locais. “Esse passo é tão importante quanto a implantação em si”, observou Doreni Caramori Jr. Essa sensibilização já foi feita no Estado com 20 cidades – 12 delas estão implantando o programa. Foram convidados a participar do Fórum em Itá representantes de 30 cidades. Fraiburgo, Itá, Quilombo e Iporã do Oeste já começaram a segunda fase do programa que, segundo Caramori Jr., compreende novos instrumentos de desenvolvimento local – ou seja, foco em projetos que vão fazer diferença para a economia, o emprego e a educação nas cidades.

Antônio Calcagnotto, vice-presidente da Unilever Brasil

“Devemos crescer e fazer melhor”

Unilever Brasil/Divulgação/ND

Natural de Caxias do Sul (RS), o executivo Antônio Calcagnotto fez uma longa trajetória no setor automotivo, trabalhando para marcas como Nissan e Renault antes de se tornar um dos vice-presidentes da Unilever Brasil

A nova diretoria da ADVB/SC toma posse hoje com transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da entidade a partir das 20h. O publicitário Daniel de Oliveira Silva, da Quadra Comunicação, assume a presidência prometendo novidades para a gestão: “Vamos promover ajustes nos regulamentos dos prêmios de reconhecimento das melhores práticas de marketing e vendas e criar um grande fórum com palestrantes que se destacaram nestas áreas”, comentou. O pilar da educação será trabalhado com a renovação da capacitação do mercado em parceria com a ESPM. O evento de hoje terá ainda palestra com Antônio Calcagnotto, vice-presidente de Assuntos Corporativos & Sustentabilidade da Unilever Brasil e professor da ESPM. Na sexta-feira ele conversou com a coluna por telefone, confira:

O que está contando mais pontos hoje na comunicação interna e externa para uma empresa que quer ser cada vez mais relevante em seu segmento de atuação?

Internamente trabalhamos muito fortemente com engagement (engajamento das pessoas) em prol de um tema que é super importante e o nosso diferencial que é a sustentabilidade. Elas devem ter consciência de que tudo que fazemos, a inovação, os novos produtos, nosso dia a dia tem que trazer ganho de sustentabilidade. Todo mundo fala de crise, mas não podemos nos afetar por uma crise. Devemos crescer, fazer melhor, entregar melhores produtos para a sociedade. É assim que estamos trabalhando. A comunicação externa, por outro lado, estamos segmentando muito bem ela. Temos mais de 25 marcas no país. O que a gente trabalha como time são os benefícios de cada uma das marcas, o propósito de cada marca, o brand purpose. Com isso mostramos o propósito de ganho de sustentabilidade de cada marca, o que ela contribui para melhorar a vida das pessoas e causar menos impacto no meio ambiente e socialmente.

Com a perda do poder aquisitivo de boa parte da população em 2015 muitas marcas líderes passaram a ser substituídas por segundas marcas. Como trabalhar nesse cenário?

A gente percebe um efeito um pouco menos negativo do que este senso comum porque temos produtos desde a classe mais baixa até a mais top. Temos marcas que atravessam toda a linha de sabão de pó, por exemplo, que vão da Ala passando pela Surf, Brilhante e a Omo. Então temos essa navegação entre marcas. Mesmo que a pessoa troque uma pela outra, ainda fica com a gente. Essa mudança é natural acontecer nesses momentos. Mas na melhora de poder aquisitivo as pessoas também sobem (de marca). Como nós trabalhamos produtos basicamente do dia a dia não sentimos tanto isso, que aconteceu muito mais com automóvel, já que as pessoas retardam a compra. 

Qual deve ser o principal foco e a maior contribuição que uma entidade como a ADVB pode dar para o mercado?

Acho que as ADVBs podem contribuir e contribuem fazendo esse trabalho de como as empresas podem ter uma preocupação forte com o consumidor. A ADVB tem que dar esse foco. O consumidor tem que ser cada vez mais respeitado e bem trabalhado, as empresas tem que dar atenção a ele. Como professor da ESPM eu tenho cobrado mais empresas a não se preocuparem (com o consumidor) apenas até a venda. O processo com o cliente começa antes da concepção do produto, quando a empresa adquire a matéria-prima, até a hora em que ele consumiu o produto. A ADVB deve ajudar também na integração entre a área de marketing e o comercial de vendas, o que é ainda complicado nas empresas. As multinacionais são todas bonitinhas, mas quando dou aula vejo que nas empresas médias e até nas grandes o pessoal está preocupado apenas com a venda. A ideia do “vendi e foi”. Gosto de entrar no Reclame Aqui e olhar o que as pessoas estão dizendo, fazemos isso com bastante frequência. A ADVB pode ajudar muito a mudar isso. As empresas tem que escutar o cliente sempre e acompanhar esse processo, porque esse é um processo de construção de marca, de fidelização.

1,13% 

foi a retração nas vendas registrada pela Acats (Associação Catarinense de Supermercados) no mês passado na comparação com janeiro de 2015. Segundo a Acats, esta é a primeira vez desde 2004, quando as vendas do setor começaram a ser apuradas por pesquisa da associação, que houve resultado negativo no primeiro mês do ano. “A temporada turística mostrou-se excepcional, principalmente com presença marcante de turistas argentinos. Mas nem o melhor desempenho nas lojas do Litoral conseguiu neutralizar a retração na atividade do setor considerando todas as regiões do Estado”, comentou Atanázio dos Santos Netto, presidente da Acats, através de nota da assessoria de imprensa.

Franquia de sorvete

Há menos de cinco meses no mercado, a marca Sorvete da Sorte, dos jovens empresários catarinenses Luiz Morfim, 24 anos, e Ronan Michels, 25, começa agora a expansão através de franquias. O primeiro carrinho neste formato se soma a três food trucks da marca que participam diariamente de ações e eventos em todas as regiões do Estado. A empresa têm vendido, em média, 3 mil produtos por mês. O investimento por franquia é de R$ 50 mil e o projeto da empresa é expandir-se por outros Estados.  

Luiz Morfim/Divulgação/ND

A marca catarinense Sorvete da Sorte, criada pelos sócios Luiz Morfim e Ronan Michels há cinco meses, resolveu acelerar a expansão através do sistema de franquias
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