GM, BMW e LS Mtron consolidam Santa Catarina como polo automotivo

Escolha da GM para instalar a fábrica de motores em Joinville mostrou o potencial do Estado, da mão de obra e da cadeia de suprimentos

Rogério Souza Jr./ND

Produção de motores e cabeçotes já está a todo vapor na fábrica da General Motors inaugurada no dia 27 de fevereiro

Os investimentos que as multinacionais General Motors, BMW e LS MTron estão fazendo na região colocaram Santa Catarina na vitrine e estão atraindo outras empresas  e consolidando o Estado como um polo automotivo.

A escolha da GM para instalar a fábrica de motores em Joinville mostrou o potencial do Estado, da mão de obra e da cadeia de suprimentos. Isso atraiu os olhares da BMW, que nas próximas semanas deve assinar o contrato de intenção com o governo catarinense. O plano da BMW prevê investimentos de 200 milhões euros em uma linha de produção na cidade de Araquari, onde a montadora pretende produzir até 30 mil carros por ano. A BMW vai produzir os modelos Série 3 e X1.

Quem também deve desembarcar em solo catarinense, mas desta vez em Imbituba, no Sul, é a chinesa Gelly, que comprou as operações da Volvo na Europa. Com previsão de investimentos superior a R$ 1 bilhão e 1.200 empregos.  Especula-se também o interesse da Land Rover pelo Estado. “Eles pediram informações, mas não tem nada concreto”, disse o governador Raimundo Colombo.

Durante a inauguração da GM, na quarta-feira passada (27/2), em Joinville, Colombo enfatizou: “Vamos ser um polo automotivo e aeroviário”.  A legislação estadual aprovada no ano passado já prevê incentivos e tratamento diferenciado para as empresas do setor.  “Em Lages, temos a Sinotruk, que vai instalar uma fábrica de caminhões; há possibilidade de termos uma fábrica de aviões em Florianópolis e uma de helicópteros em Lages”, revelou o governador.

No Norte do Estado, além dos R$ 350 milhões investidos pela GM, a região também vai receber US$ 30 milhões da fábrica de tratores LS Tractor, pertencente ao grupo sul-coreano LS MTron. Inicialmente, o empreendimento deve chegar a 100 empregos diretos e 1.000 indiretos, mas o projeto dos sul-coreanos é ousado e pretende contratar 400 empregados até 2020. O lançamento da pedra fundamental também foi na quarta-feira passada.

Investidores de olho no Estado

Os pedidos de informações e visitas indicam que Santa Catarina está atraindo os investidores. “Os grandes centros estão congestionados, é mais difícil fazer empreendimentos e ter acesso aos governos. Aqui temos trabalhadores de bom nível”, ressaltou o presidente da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Glauco José Côrte.

A qualidade de vida no Estado também chama a atenção dos investidores, na opinião do presidente da Fiesc. “O Estado não tem graves problemas sociais. E a qualidade de vida é um ingrediente importante para atrair executivos de alto nível”, disse. Ele acredita em perspectivas de investimentos maiores em Santa Catarina, em longo prazo, uma vez que o setor automotivo é um segmento que agrega alta tecnologia.

Uma nova onda de desenvolvimento

Esses novos investimentos também devem atrair trabalhadores para o Estado, principalmente para Joinville e Araquari. E isso é uma preocupação do governo municipal. O prefeito Udo Döhler ressaltou que a cidade está crescendo acima da média nacional e que deve dobrar o crescimento nos próximos dez anos. “A Prefeitura ficou pequena. Há dificuldades na habitação, onde temos um déficit de mais de 10 mil moradias, temos investido na saúde e no trânsito. Tudo para podermos atender bem à população”, disse.

Na opinião do secretário de Integração e Desenvolvimento Econômico, Jalmei Duarte, Joinville está vivendo uma segunda onda de desenvolvimento, e essa onda será planejada e administrada. “Queremos atrair empresas que tragam receita e salários agregados. A GM e a BMW vão atrair fornecedores de alto padrão e é preciso pensar o desenvolvimento da cidade para que o remédio não seja um veneno”, afirmou Duarte.

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