Grãos de milho, soja, arroz e feijão estão mais valorizados em Santa Catarina 

Federação de agricultores vê o plantio de milho com preocupação. Alteração nos valores de grãos como milho, soja, arroz e feijão também provoca mudança

Itens como milho, soja, arroz e feijão estão valorizados nos mercados nacional e internacional, visto a alta nos preços pagos ao produtor, conforme dados do último Boletim Agropecuário emitido neste mês pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).

Colheita de milho em Santa Catarina – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/Divulgação

No acumulado até setembro, o Brasil exportou 28,9 milhões de toneladas de milho, volume 25% maior do que foi embarcado em 2018. A alta do dólar é o fator que tem favorecido as exportações, mantendo os preços internos fortalecidos.

Em Santa Catarina, o ritmo de plantio se intensificou após as chuvas de início de outubro, contudo, a área cultivada com o milho grão recuou 1,4% na safra 2019/20. 

Outros grãos 

A soja foi outro produto cujo preço apresentou reação no Estado durante o mês de setembro, ficando 5,7% superior em relação a agosto. A quebra da safra americana, o cenário das relações comerciais entre China e Estados Unidos e o câmbio são fatores que estão fortalecendo os preços nos mercados internacional e nacional. 

O feijão carioca foi cotado a R$ 117,84 a saca 60kg no Estado, alta de 7,18% em relação ao mês anterior e de 42% em um ano. Já os preços do feijão preto se mantiveram estáveis, cotados a R$122,00 a saca de 60kg.

Mesmo com preços atraentes, produtores catarinenses estão desmotivados para o plantio do feijão 1ª safra. A previsão é de redução de cerca de 4% na área plantada.

Os preços do arroz também seguem em alta. Segundo a Epagri/Cepa, essa situação é normal para o período, marcado pela entressafra e pela finalização da comercialização.

O plantio em Santa Catarina está atrasado em relação às safras anteriores. O nível dos rios está dificultando o andamento do cultivo e em algumas regiões e a baixa luminosidade prejudica o desenvolvimento de algumas lavouras.

Em setembro, os produtores catarinenses também receberam mais pelo trigo. O preço médio de R$ 43,41 pago pela saca de 60kg foi 0,2% maior do que os R$43,33 verificados em agosto. Em relação ao ano passado, a valorização chega a 1%.

Produção 

O vice-presidente da FAESC (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), Enori Barbieri, comemora a valorização, mas vê com preocupação o plantio de milho no Estado.  

O produtor catarinense está diminuindo a área plantada de milho, pois vê a soja como um produto de maior liquidez e de menor custo de produção. São tranquilidades que não encontra na hora da venda do milho, de ter um preço digno com o que produziu”, disse. 

Barbieri vê necessidade de novas ações e a fim de animar o homem do campo. “É preciso valorizar o produtor de milho com contratos antecipados que possam beneficiar a produção do grão, já que temos capacidade de produzir mais do que o Estados Unidos que tem tecnologias modernas. Além disso, valorizar o produtor com políticas públicas que levem ânimo ao trabalhador e que ele se sinta mais respeitado”, comentou. 

Mesmo com a saca em alta, o produtor ainda vê dificuldades, a exemplo de Auri Colpani, que optou novamente pela rotatividade de grãos. “Nós éramos acostumados a plantar apenas feijão preto, mas conforme foram passando os anos, optamos pela mudança da semente. Mudamos para o milho e agora para a soja”, disse. 

O produtor comenta que a mudança foi feita por conta do preço. “A soja não compensa muito se comparado com o feijão e o milho. A expectativa é a melhora do preço. Para nós respirar, o valor deveria ser entre R$ 100 e R$ 110 a saca”, comentou.

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