Leilão do pré-sal ajuda a segurar Bolsa; dólar reverte alta e cai 1,24%

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O leilão de áreas do pré-sal realizado pelo governo brasileiro nesta sexta-feira (27) ajudou a segurar a Bolsa local e contribuiu para a queda do dólar em relação ao real.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa, fechou em leve alta de 0,10%, a 75.975 pontos, em dia marcado por agenda de divulgação de balanços carregada.

O mercado reagiu positivamente à retomada dos leilões -o último havia sido realizado em 2013, quando foi vendido o campo de Libra. Nesta sexta, o governo conseguiu arrecadar R$ 6,15 bilhões com a venda de seis das oito áreas ofertadas.

O valor representa 79% da receita total esperada inicialmente. Ainda assim, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) classificou o resultado como “estrondoso sucesso”, alegando que os ganhos para o país com a exploração das áreas será maior do que o estimado.

O maior ágio foi pago por consórcio liderado pela Petrobras para a área Entorno de Sapinhoá: 873,89%. O segundo maior ágio, de 454,07%, também foi dado por consórcio liderado pela Petrobras, com a chinesa CNPC e a britânica BP, para a área de Peroba, a mais disputada do leilão.

“A Petrobras teve movimentação bastante importante na Bolsa, talvez uma das ações que mais conseguiu segurar o movimento relativamente ruim do mercado hoje”, afirma Alexandre Wolwacz, sócio-fundador do Grupo L&S.

Os papéis preferencias da estatal subiram 1,79%, para R$ 17,03. As ações ordinárias tiveram alta de 1,75%, a R$ 17,40. O alta nos preços do petróleo no mercado internacional também contribuíram para as ações subirem.

O cenário político brasileiro permanece no radar, mesmo com o governo conseguindo afastar na Câmara a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer -porém, com uma margem mais apertada do que o previsto. Temer obteve 251 votos para impedir o andamento das investigações; oposição e dissidentes da base governista somaram 233 votos.

“O placar veio um pouco pior, trazendo alguma dúvida em relação à capacidade do governo de tomar decisões que requerem apoio, como a reforma da Previdência, que foi colocada como pauta prioritária até o final do ano”, afirma Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

AÇÕES

Das 59 ações do Ibovespa, 33 subiram, 25 caíram e uma ficou estável.

A maior alta (+4,45%) foi registrada pela Energias BR, seguida pela Raia Drogasil, (+3,86%), que divulgou lucro líquido de R$ 136,5 milhões no terceiro trimestre -crescimento de 16,8% sobre o mesmo período de 2016.

A Suzano Papel e Celulose também fechou em alta de 2,74% após divulgar que seu lucro líquido no trimestre disparou mais de 15 na comparação com o ano anterior, passando de R$ 53 milhões para R$ 801 milhões.

A maior queda foi da Usiminas, com as ações despencando 6,64%, para R$ 9,13.

A companhia anunciou nesta sexta lucro líquido de R$ 76 milhões no terceiro trimestre, revertendo prejuízo de R$107 milhões registrado no mesmo período do ano passado.

No entanto, o grupo decidiu voltar atrás nos reajustes aos distribuidores de outubro, anunciado em setembro, argumentando que houve queda nos preços internacionais da liga.

A Embraer também divulgou seu balanço, com lucro de R$ 351 milhões no terceiro trimestre, ante prejuízo de R$ 111,4 milhões no mesmo período do ano passado.

Ainda assim, as ações da empresa caíram 4,17%, para R$ 15,61, porque a Embraer disse prever que a receita e o lucro do próximo ano podem sofrer durante a transição para a nova geração de aeronaves comerciais E2, com desaceleração das entregas e consumo de capital.

Os papéis da mineradora Vale tiveram nova queda, com as ações ordinárias recuando 0,36%, e as preferencias, 0,52%.

No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco caíram 0,61%. Os papéis preferenciais do Bradesco recuaram 0,20%. As ações ordinárias do banco tiveram queda de 0,53%. As ações do Banco do Brasil se desvalorizaram 0,43%.

As units (conjunto de ações) do Santander Brasil fecharam com alta de 1,01%.

DÓLAR

O dólar comercial recuou 1,24%, para R$ 3,245, em movimento de correção após encostar em R$ 3,29 e fechar com alta de 1,20% na sessão de quinta-feira (26). Na semana, no entanto, a moeda norte-americana acumula alta de 1,72%.

O dólar à vista recuou 0,5% nesta sexta, cotado a R$ 3,266.

“O dólar ganhou muita força na quinta frente moedas internacionais com o Banco Central Europeu anunciando que estenderia suas compras de ativos até setembro de 2018”, explicou Wolwacz.

Na quinta, das 31 principais divisas do mundo, 26 perderam força ante o dólar. Na sessão desta sexta, foram 25.

Os investidores demonstraram certo alívio sobre o futuro presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), mas seguem na expectativa sobre a reforma tributária dos EUA, que deve sair na próxima semana.

No início da tarde desta sexta, a agência Bloomberg noticiou, citando três fontes familiarizadas com o assunto, que o presidente Donald Trump estaria inclinado a indicar Jerome Powell como novo presidente do Fed, no lugar de Janet Yellen, cujo mandato acaba em fevereiro.

Powell tem perfil menos conservador do que o economista da Universidade de Stanford John Taylor, que também faz parte da lista de Trump e chegou a ser apontado como seu favorito, alimentando temores de que o Fed poderia elevar os juros mais do que o esperado. Trump deve anunciar sua escolha na próxima semana, antes de embarcar para a Ásia no dia 3 de novembro.

Taxas mais elevadas nos EUA tendem a atrair para o país recursos hoje aplicados em outros mercados ao redor do mundo, o que pode resultar em um fluxo de saída de capitais do Brasil.

O leilão das áreas do pré-sal brasileiro também ajudaram na queda da moeda americana ante o real, com a previsão de entrada de recursos de fora no Brasil.

“Isso traz um fluxo para o país e também um expectativa sobre o que ainda tem para sair, como a privatização da Eletrobras”, disse Chinchila.

O CDS caiu 1,86%, para 173,852 pontos, interrompendo quatro dias de alta.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 recuou de 7,235% para 7,232%. A taxa para janeiro de 2019 passou de 7,360% para 7,300%.

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