Lírio Parisotto diz ter alertado Pinho Moreira sobre alterações feitas no contrato com a Monreal

Principal acionista individual da estatal catarinense afirma: “Eu avisei sobre os problemas”

Rosane Lima/ND

Parisotto: “Desde a análise do relatório de 2007 pedi explicações ao Pinho Moreira”

Para o maior acionista individual da Celesc, Lírio Parisotto, o problema na contabilidade da companhia de energia não é novidade. Ele afirma que comunicou pessoalmente o caso em 2009 ao atual vice-governador e presidente da estatal à época, Eduardo Pinho Moreira. “Ele é mentiroso em dizer que não sabia, eu avisei sobre os problemas no contrato com a Monreal”, afirma.

A denúncia anônima de que há desvio de R$ 51,7 milhões remete à falta de um comprovante de pagamento feito pela estatal à Monreal, apontado pelo estudo da consultoria KPMG, para cobrar contas de consumo de energia vencidas.

Após a denúncia na imprensa no fim de semana, esta foi a primeira declaração de Parisotto sobre o caso. A contratação da Monreal é questionada por ele desde 2009. “Havia outras formas de cobrança, como SPC, Serasa e corte de energia; não havia porquê contratar a empresa”, afirma. Outro item indicado por ele é o excesso de funcionários da empresa, “que poderiam ser disponibilizados para esta função”.

“Desde a análise do relatório de 2007 pedi explicações ao Pinho Moreira, presidente da companhia na época, que me apontou que as alterações no contrato com a Monreal foram feitas por interesses do Estado”, aponta Parisotto, que completa: “se eu já havia pedido explicações, como ele pode dizer que não sabia de nada?”, questiona o investidor.

Procurado pelo Notícias do Dia para se posicionar sobre o caso, a assessoria do vice-governador esclareceu que Pinho Moreira está licenciado do cargo e em viagem à Europa, com retorno previsto para o final da próxima semana, quando deverá se pronunciar.

Comissão era superior à média de mercado

Entre abril de 2004 e outubro de 2009, os 70 pagamentos realizados pela Celesc à empresa de cobrança Monreal somam R$ 133,3 milhões para reduzir a taxa de inadimplência. As primeiras parcelas oscilavam entre R$ 22 mil e R$ 28 mil, mas o valor chegou a R$ 4,379 milhões em setembro de 2007, com queda nos últimos dez pagamentos.

Para cada conta recebida de consumidor inadimplente, a Monreal era comissionada com 13,5% do valor, enquanto a média do mercado, inclusive operada pela consultoria em outros negócios, era de 8% a 10%. 

Sumiço pode ser a ponta de um iceberg

Sigiloso, o relatório feito pela KPMG foi entregue aos membros do Conselho de Administração da Celesc. Apesar de confidencial, parte do relatório que aponta a falta de comprovante para a despesa de R$ 51,7 milhões vazou por meio de uma denúncia anônima.

Segundo Lírio Parisotto, que detém 12% das ações da Celesc, esta pode ser apenas a ponta de um iceberg formado por problemas de gestão e gastos excessivos por administrações anteriores à atual.

“A compra de forma emergencial e o inchaço na folha de pagamento são os pontos mais complexos que precisarão ser tocados”, afirma Parisotto.Ao avaliar a gestão de Gavazzoni, o acionista aponta avanços.

“Ele tem me deixado tranqüilo, atacando pontos que uma gestão privada concentra suas atenções, diferente da prática adotada pelos antecessores a ela”.Segundo Gavazzoni, o que foi apontado pela KPMG é a falta de comprovantes para um gasto de R$ 51,7 milhões e não o desvio dos recursos.

Leia mais: Presidente da Celesc nega que haja sumiço

Leia mais: Deputados catarinenses comentam a denúncia de desvio de R$ 51,7 milhões.

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