Metalúrgicos da Tupy cruzaram os braços

Categoria rejeitou proposta do sindicato patronal. Eles querem reajuste de 10,5% e patrões ofereceram 6%

Fabrício Porto/ND

Mobilização. Funcionários de dois turnos da Tupy pararam na manhã desta segunda

Depois de três rodadas de negociação sem acordo com o sindicato patronal, os metalúrgicos da Fundição Tupy decidiram cruzar os braços nesta segunda-feira. Na semana passada, o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Metalúrgicas e de Material Elétrico de Joinville rejeitou a proposta das empresas e declarou estado de greve, que foi deflagrada na madrugada de hoje.
O sindicato pede reajuste de 10,5%, piso salarial de R$ 900, renovação da convenção coletiva, ampliação da licença maternidade para seis meses, auxílio creche e melhores condições de trabalho. Os patrões ofereceram reajuste de 6% e piso de R$ 792.
“As 3h30 da madrugada o sexto turno parou a produção e foi realizada uma assembléia com o pessoal do segundo turno, que começava a trabalhar as 5 horas. Por unanimidade a proposta do Patronal foi rejeitada e decretado greve”, explicou o presidente do sindicato da categoria, Genivaldo Ferreira.
Cerca de 2 mil metalúrgicos se concentraram em frente à Tupy durante a manhã. A categoria conta com 23 mil trabalhadores em Joinville, sendo que 8.500 são da Tupy. De acordo com Ferreira, ao longo da semana trabalhadores de outras indústrias devem cruzar os braços.
Hoje o salário base da categoria é de R$ 750 e a média salarial da Tupy gira em torno de R$ 1.200. “O nosso salário está defasado em relação ao mercado”, enfatizou o sindicalista. Os metalúrgicos da Tupy também reclamam o ritmo intenso de trabalho. Segundo o sindicato, há trabalhadores fazendo cerca de 80 horas extras por mês. Também existem muitos casos de doenças ocupacionais. Outro ponto de descontentamento é a demora na divulgação do plano de participação dos lucros.
A empresa divulgou um comunicado em que informa “que as suas operações continuam, apesar da movimentação realizada pelo Sindicato Metalúrgico envolvendo cerca de 10% dos funcionários do turno da noite.  As negociações entre os sindicatos Patronal e Laboral, cuja data base foi prorrogada para 30 de abril, continuam em andamento”.

Jornada exaustiva
Funcionário da Tupy há quase 24 anos, o esmerilador Delair Coradeli, 42 anos, conta que a jornada de trabalho é exaustiva. “São nove horas de trabalho com 30 minutos para almoço ou jantar e mais uma ou duas paradas de 10 minutos para ir ao banheiro. É um trabalho muito brutal, que exige esforço físico e repetitivo”, disse Coradeli.
O esmerilador vai se aposentar com problemas na coluna. “Tenho três urna de disco na coluna e um bico de papaguaio. E com um salário de R$ 1.200 não consigo sustentar a família, por isso tenho que fazer mais horas extras, trabalhar nos domingos e feriados”, contou. Coradeli afirma que rotatividade na Tupy é muito grande, principalmente pelas doenças ocupacionais. “O cara entra aqui e em seis meses está com problema na coluna”, comentou.

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