O que você precisa saber antes de comprar um ar-condicionado

Potência, modelo, tecnologia, instalação e manutenção: tantas opções transformam a compra do produto em uma tarefa complicada

Com as temperaturas aumentando devido à proximidade do verão, a procura por ar-condicionado aquece o mercado e valoriza os preços. Nos últimos anos, o surgimento de novos modelos que geram economia de energia e com preços mais acessíveis acabou tornando o aparelho uma opção para garantir o bem-estar.

Ar condicionado – Foto: Dean Moriarty/Pixabay/NDAr condicionado – Foto: Dean Moriarty/Pixabay/ND

Entre 2005 e 2017, a compra de equipamentos subiu 9%, duplicando o número de aparelhos na casa dos brasileiros. Nesse mesmo período, o consumo de energia triplicou, aponta um estudo da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Com a variedade de modelos, tecnologias e potências disponíveis no mercado, uma série de questionamentos surge na cabeça dos consumidores.

O ND consultou Arivan Sampaio Zanluca, diretor da ASBRAV (Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado Aquecimento e Ventilação) em Santa Catarina, para elucidar algumas questões.

Split ou “janela”?

No mercado, há dois modelos disponíveis: o tradicional ar-condicionado ‘de janela’ e o Split – que é o modelo mais recente.

O primeiro conta com toda a estrutura dentro de uma caixa. Já o segundo, como o próprio nome diz (split em português é ‘dividido’) conta com uma separação das suas partes.

Os condensadores do aparelho, responsáveis pela troca de calor, ficam na parte externa. Já os evaporadores, que também lançam os jatos de ar, ficam na parte interna.

Modelo de janela e modelo split – Foto: Wikimedia e Pxhere/Divulgação/NDModelo de janela e modelo split – Foto: Wikimedia e Pxhere/Divulgação/ND

“O Split tem a vantagem de não ser tão barulhento, já que o condensador fica do lado de fora do ambiente, mas a técnica de funcionamento é o mesmo”, disse Zanluca. No Split, as duas partes do equipamento são conectadas com um cabo de cobre.

Já o modelo “janelão”, além de contar com preços mais baixos, tem a vantagem de realizar a trocar de ar do ambiente, enquanto que o Split apenas recircula o mesmo ar.

Conta de luz aumenta?

O uso do ar-condicionado acaba aumentando consideravelmente as despesas com energia elétrica. “Existem estudos que apontam que, em média, o uso constante gera aumento de 30% na conta de luz”, afirmou o especialista.

Tecnologia On/Off e Inverter

Dentre os modelos Split, há tecnologias diferentes relacionadas ao funcionamento do equipamento e que permitem a economia de energia. Isso porque eles calibram o uso do condicionador de ar conforme a necessidade do consumidor.

O modelo On/off é os mais difundido no mercado. O nome que indica “ligado/desligado”, se refere à tecnologia do aparelho. Quando a temperatura desejada é alcançada, o aparelho desliga sozinho. Quando a temperatura externa é maior, o termostato indica que é o momento de ligar novamente o aparelho.

O modelo Inverter, por sua vez, calibra o uso da energia de forma diferenciada. “A medida que chega próximo da temperatura desejada, o ar condicionado altera o funcionamento do compreensor, que começa a girar mais devagar ou mais rápido”.

Qual deles vale mais a pena?

“É possível fazer uma analogia com um veículo: o motorista que acelera bruscamente no sinal verde e freia bruscamente no sinal vermelho é o On/off. Já o Inverter é aquele que acelera e freia mais suavemente”, explicou Zanluca.

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A sugestão é considerar o uso. Para quem pretende fazer uso do equipamento o ano inteiro, a tecnologia Inverter é mais indicada. Isso porque, em temperaturas mais amenas, o equipamento não gasta tanta energia ao ter que mudar bruscamente a temperatura do ambiente.

Já o On/off é o mais indicado para quem pretender usar o aparelho apenas durante estações com temperaturas mais extremas. “Quando o consumidor precisa de toda a potência, tanto faz um ou outro, pois ambos vão trabalhar no máximo da sua potência”.

“Se eu fosse usar só no verão, eu não compraria o Inverter. Mas, às vezes, a pessoa compra pela questão ambiental ou estética. Existem outras variantes para avaliar”, completou Zanluca.

Potência e instalação

No mercado, há opções de potência que variam de alguns mil BTUs (unidade térmica britânica), até mais de 42 mil BTUs. Apesar de haver inúmeras tabelas que associam o tamanho do espaço com a alternativa mais indicada, Zanluca destaca que cada cômodo tem uma necessidade específica.

Há vários modelos com potência diferente – Foto: Pixabay/Divulgação/NDHá vários modelos com potência diferente – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

“A escolha depende mais do uso que vai ser feito do que o tamanho do espaço. Cada ambiente (quarto, cozinha, sala) é diferente. A sugestão é mostrar o cômodo para um técnico especializado. Não existe uma receita de bolo pronta”, avaliou.

O ideal é instalar o equipamento em uma altura entre 2,10m e 2,20m, geralmente acima da altura da porta. “É onde fica mais agradável. O equipamento tem que distribuir o ar de forma heterogênea e que atinga a todos”, acrescentou.

Casa alugada?

Para quem vive em apartamento alugado, a sugestão é checar no contrato e, no caso de apartamento, a convenção do condomínio sobre a possibilidade de instalar o ar-condicionado. Isso porque a instalação exige reformas nas paredes do local.

Se a instalação for ruim, nem adianta

“Se o ar-condicionado for mal instalado, todas as vantagens podem ser perdidas”, afirmou o especialista que também integra o CNCR (Comitê Nacional de Climatização e Refrigeração).

Dentre os principais problemas registrados, estão instalações feitas em locais que ficam na mesma altura dos usuários. Assim, o uso de bitolas diferentes que ligam as duas partes dos modelos splits podem gerar ineficiência ao equipamento. Problemas elétricos também são comuns. “A sugestão é sempre contratar um funcionário com habilitação”.

Manutenção

Filtro sujo dificulta a proliferação do ar, fazendo com que o aparelho trabalhe mais – Foto: RICTV/Divulgação/NDFiltro sujo dificulta a proliferação do ar, fazendo com que o aparelho trabalhe mais – Foto: RICTV/Divulgação/ND

Por fim, o diretor ressalta a importância da manutenção periódica do aparelho. “Se não limparmos o filtro e a bandeja do ar, nós podemos estar criando um inimigo na nosso casa. Eles geram bactéria e fungos, que podem deixar as pessoas doentes”, alertou.

“O ar-condicionado faz bem, gera bem-estar. Ele gera uma condição ambiente boa para as pessoas, tanto nos comércios como na residências”, finalizou.